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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945

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Júlio Caetano Horta Barbosa nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, em 1881 e sentou praça em 1897. Nesse mesmo ano, participou da repressão da rebelião milenarista de Canudos, no sertão da Bahia, liderada por Antônio Conselheiro, tendo sido ferido em combate. Posteriormente, cursou a Escola Militar da Praia Vermelha no Rio de Janeiro, formando-se em engenharia. Recebeu, então, forte formação positivista.

A partir de 1906, passou a trabalhar com Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas entre os estados do Mato Grosso e do Amazonas. Sua colaboração com Rondon se estenderia por muitos anos e envolveria contatos com tribos indígenas brasileiras.

Em 1932 deu combate ao movimento constitucionalista deflagrado por forças políticas paulistas contra o governo de Getúlio Vargas. No ano seguinte foi promovido ao generalato. Entre julho de 1936 e janeiro de 1937 exerceu a presidência do Clube Militar, e já nessa época envolveu-se no debate sobre a existência ou não de petróleo no subsolo brasileiro. Em 1938 alertou o alto comando do Exército sobre os riscos de uma interrupção do fornecimento externo de petróleo, em virtude da iminência de um conflito mundial.

Defensor do monopólio estatal sobre a exploração e o refino do petróleo, em abril desse ano passou a dirigir o então criado Conselho Nacional do Petróleo (CNP), diretamente subordinado à presidência da República. Em 1939, passou a acumular a presidência do CNP com a vice-presidência do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), presidido por Rondon.

Em janeiro de 1943, em plena vigência da ditadura do Estado Novo, participou da fundação da Sociedade Amigos da América, cujo programa tinha como pontos básicos a defesa da democracia e o alinhamento externo do Brasil aos Estados Unidos e ao bloco dos Aliados na II Guerra Mundial. Ainda durante o ano de 1943, deixou a presidência do CNP. Entre 1944 e 1945 comandou a 2ª Região Militar, sediada em São Paulo.

Voltou a se envolver intensamente nos debates sobre o petróleo a partir de 1947, quando proferiu conferências no Clube Militar, polemizando com os defensores da participação do capital privado estrangeiro na exploração das reservas brasileiras. Afirmava, então, a impossibilidade de se conciliar, em um país subdesenvolvido, o controle nacional sobre a exploração do produto com a participação das grandes empresas internacionais. Nessa época, tornou-se presidente-de-honra do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, principal incentivador da campanha do "petróleo é nosso".

Em maio de 1950, em um contexto de acirrados debates em torno da questão do petróleo, elegeu-se vice-presidente do Clube Militar na chapa encabeçada pelo general Estillac Leal. Com a nomeação de Estillac para o Ministério da Guerra meses depois, assumiu a presidência do Clube, declarando-se contrário à intervenção norte-americana na Coréia. Nas eleições seguintes para a diretoria do Clube Militar, a chapa Estillac Leal-Horta Barbosa não conseguiu se reeleger. Paralelamente, Horta Barbosa continuou a participar da luta dos setores nacionalistas que, entre outras conquistas, permitiram a criação, em 1954, da Petrobrás.

Morreu em 1965, no Rio de Janeiro.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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