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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945

<<  Carlos de Lima Cavalcanti

Carlos de Lima Cavalcanti nasceu em Amaraji (PE), em 1892. Pertencia a uma tradicional família pernambucana.

Advogado, estudou nas Faculdades de Direito de Recife e de São Paulo, diplomando-se por essa última em 1914. Ainda jovem, filiou-se ao Partido Republicano Democrata (PRD), agremiação comandada pelo governador pernambucano Manuel Borba (1915-1919). Em 1922, deu apoio à candidatura oposicionista de Nilo Peçanha à presidência da República, lançada pela Reação Republicana, tendo sido derrotada pela chapa oficial encabeçada pelo mineiro Artur Bernardes. Nessa ocasião, Lima Cavalcanti elegeu-se deputado estadual. Renovou seu mandato em 1925.

Em 1927, afastou-se da atividade parlamentar e passou a dedicar-se, junto com seu irmão Caio de Lima Cavalcanti, ao jornalismo. Fundou, em Recife, o Diário da Manhã e, posteriormente, o Diário da Tarde, órgãos pelos quais fazia a defesa do ideário tenentista e combatia o grupo então hegemônico na política pernambucana, liderado pelo governador Estácio Coimbra. Nessa época, a usina Pedrosa, de propriedade dos irmãos Lima Cavalcanti, constituía-se num dos principais redutos de conspiração política no Nordeste.

Em 1930, apoiou a candidatura presidencial de Getúlio Vargas, lançada pela Aliança Liberal, coligação que reunia setores oligárquicos dissidentes, apoiada pela maioria dos elementos oriundos do movimento tenentista. Com a derrota de Vargas no pleito realizado em março de 1930, passou a ocupar posição de destaque na articulação do movimento armado que deporia o presidente Washington Luís em outubro daquele ano, tendo sido designado como líder civil da revolução em Pernambuco. Logo após a vitória dos revolucionários, foi nomeado por Vargas interventor federal no estado.

À frente do governo estadual, enfrentou um levante armado em outubro de 1931, deflagrado no 21º Batalhão de Caçadores, sediado na capital pernambucana. Marcou sua atuação política nos primeiros anos do novo regime pela defesa da sindicalização da classe operária, pelo incentivo à mobilização popular e pelo combate às propostas de reconstitucionalização do país. Nesse sentido, opôs-se ao Movimento Constitucionalista deflagrado em 1932, em São Paulo, tendo enviado seis mil homens para auxiliar o governo federal no combate aos paulistas.

Ainda em 1932, iniciou as articulações que levaram à criação do Partido Social Democrático (PSD), de Pernambuco. Em 1934, a pedido de Vargas, indicou o nome de Agamenon Magalhães, então seu aliado, para assumir o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Em abril de 1935, elegeu-se governador constitucional de Pernambuco em eleição indireta promovida pelos deputados estaduais constituintes. Nessa época, começou a afastar-se de Vargas.

Em novembro desse mesmo ano, estava na Europa quando eclodiu, em Recife, Natal e Rio de Janeiro, o levante esquerdista contra o governo federal, liderado por setores da Aliança Nacional Libertadora (ANL), rapidamente sufocado. Afastou, então, alguns membros de seu secretariado acusados de envolvimento com o movimento. O próprio Lima Cavalcanti, porém, foi acusado por adversários políticos e até por ex-aliados, como Agamenon Magalhães, de conivência com os revolucionários, o que fez com que diminuísse ainda mais o seu prestígio junto ao governo federal.

Em novembro de 1937, após a decretação do Estado Novo, foi imediatamente afastado do governo pernambucano. Enfrentando dificuldades financeiras e impedido de permanecer em Pernambuco, acabou aceitando o convite lhe feito por Vargas para que assumisse, em dezembro de 1938, a embaixada brasileira na Colômbia. Um ano depois foi nomeado embaixador no México, exercendo essa função até princípios de 1945. Nesse ano, dirigiu ainda a embaixada brasileira em Cuba, entre os meses de janeiro e março.

Com a redemocratização do país, passou a articular a candidatura presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes, lançada pela União Democrática Nacional (UDN), partido de cuja comissão executiva nacional fazia parte de sua e pelo qual elegeu-se deputado federal constituinte. Em 1950, renovou seu mandato na Câmara Federal.

Foi nomeado, em novembro de 1954, presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) pelo presidente Café Filho. Em 1956, voltou à Câmara Federal, onde permaneceu até 1959.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1967.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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