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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945

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João Batista Luzardo nasceu na localidade de Salto, distrito de Uruguaiana (RS), em 1892.

Médico e advogado, diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1916 e pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, em 1918. Retornou a Uruguaiana após concluir seus estudos, onde passou a clinicar. Ali, colocou-se na oposição ao então prefeito da cidade, José Antônio Flores da Cunha, líder do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) na região. Em 1922, combateu também a tentativa do principal líder estadual do PRR, Borges de Medeiros, de reeleger-se pela quinta vez consecutiva ao governo estadual, apoiando o candidato da oposição, Assis Brasil.

Com a vitória de Borges, participou da articulação de uma revolta contra sua posse, deflagrada em janeiro de 1923, incorporando-se, às tropas comandadas pelo caudilho Honório Lemes. Em julho, foi designado chefe do estado-maior das forças revolucionárias. No final do ano, participou das negociações de paz que levaram à assinatura do Pacto de Pedras Altas. Por esse acordo os maragatos - como foram apelidados os rebeldes - aceitavam a posse de Borges de Medeiros, que por sua vez comprometia-se a não buscar nova reeleição.

No ano seguinte, participou da fundação da Aliança Libertadora, agremiação que unificava os diversos setores da oposição gaúcha, e que mais tarde se transformaria no Partido Libertador (PL). Nesse mesmo ano elegeu-se deputado federal. Exerceu na Câmara oposição intransigente ao governo federal, divulgando da tribuna os manifestos e reivindicações da jovem oficialidade - os tenentes - que por essa mesma época combatiam o governo pelas armas. Constituiu-se, assim, na única voz a defender a Coluna Prestes no Parlamento. Em 1925, chegou a ser preso, acusado de conspirar contra o governo. Com a posse de Washington Luís, em 1926, moderou suas críticas, mas manteve-se como porta-voz dos revolucionários na Câmara.

Em 1927, renovou seu mandato de deputado e participou da fundação do Partido Democrático Nacional (PDN), organização que visava dar coesão nacional aos opositores do regime, reunindo o PL gaúcho, o Partido Democrático (PD) de São Paulo, além de elementos dissidentes do Distrito Federal, como Maurício de Lacerda e Adolfo Bergamini.

Com a posse de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande do Sul, em 1928, o PL e o PRR se aproximaram, dando origem à Frente Única Gaúcha (FUG), no ano seguinte. Com as correntes políticas gaúchas unificadas, Vargas teve seu nome lançado à sucessão de Washington Luís pela Aliança Liberal, coligação que reunia ainda as situações de Minas Gerais e Paraíba, as oposições dos demais estados e grande parte dos tenentes que haviam combatido o governo anos antes. Luzardo teve ativa participação na campanha eleitoral. Realizado o pleito, porém, a vitória coube ao governador paulista Júlio Prestes, indicado por Washington Luís.

Com a derrota eleitoral da Aliança Liberal, iniciaram-se as articulações com vistas à deposição do governo pelas armas, nas quais Luzardo teve também participação ativa. Em outubro, quando o movimento foi deflagrado, comandou o levante em Uruguaiana e, em seguida, rumou para os estados vizinhos, onde também participou de operações militares.

Vitorioso o movimento, foi nomeado por Vargas para chefiar a polícia no Distrito Federal, função na qual destacou-se pela repressão às organizações de esquerda, chegando a proibir as manifestações do dia 1º de Maio de 1931.

No interior do novo governo, logo entraram em choque aqueles que desejavam o prolongamento do regime de exceção, organizados no Clube 3 de Outubro, e aqueles que, como Luzardo, reivindicavam o retorno ao regime constitucional. No início de 1932, o jornal Diário Carioca, alinhado com os constitucionalistas, foi depredado por manifestantes ligados aos "tenentes". Luzardo e o ministro da Justiça, Maurício Cardoso, procuraram apurar as responsabilidades, sendo, no entanto, desautorizados por Vargas a continuar as investigações. Por conta disso, exoneraram-se de seus cargos, sendo acompanhados pelos demais membros gaúchos no governo.

Em seguida, Batista Luzardo defendeu a reconstitucionalização do país. Em julho desse ano, eclodiu em São Paulo o Movimento Constitucionalista, que objetivava derrubar Vargas. O apoio ao movimento paulista dividiu os gaúchos. Luzardo esteve entre os que se decidiram por promover levantes no Rio Grande do Sul em solidariedade aos paulistas. Em virtude da falta de unidade dos gaúchos - o interventor Flores da Cunha manteve-se fiel ao governo federal - tais levantes fracassaram. Luzardo, contudo, liderando cerca de 200 combatentes, manteve uma frente de combate no interior gaúcho buscando evitar que Flores da Cunha enviasse tropas para auxiliar na repressão aos paulistas. Derrotado, exilou-se no Uruguai.

Em outubro de 1934, anistiado, voltou ao Brasil. Elegeu-se novamente deputado federal e durante 1935, na Câmara, moveu cerrada oposição ao governo de Vargas. À medida, porém, que Flores da Cunha distanciava-se do governo federal, Luzardo fazia o percurso inverso. Assim, em 1937, já reconciliado com Vargas, apoiou-o em seus ataques a Flores da Cunha. Em novembro declarou-se a favor do golpe do Estado Novo, através do qual Vargas fechou o Congresso e cancelou as eleições para a sua sucessão, marcadas para janeiro de 1938.

Em seguida, foi nomeado embaixador no Uruguai, permanecendo no cargo até 1945. Nesse ano, assumiu ainda por alguns meses a embaixada brasileira em Buenos Aires. Com a queda de Vargas, exonerou-se do cargo. Participou, então, da montagem do Partido Social Democrático (PSD), no Rio Grande do Sul. Apoiou a candidatura presidencial vitoriosa do general Eurico Dutra e elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte que se reuniu a partir de 1946. Nos anos seguintes, alternaria períodos de atuação parlamentar com outros à frente da embaixada brasileira na Argentina. Nesse país estabeleceu forte amizade com o presidente Juan Domingo Perón, chegando a ser acusado de ser o representante do peronismo no Brasil. Em 1953, no segundo governo Vargas, foi nomeado presidente da Caixa Econômica Federal, mas foi exonerado do cargo após o suicídio do presidente, em agosto de 1954.

Nos anos seguintes, participou discretamente da vida política, apoiando a candidatura presidencial do marechal Henrique Lott em 1960 e a posse de João Goulart, em 1961.

Morreu em Porto Alegre, em 1982.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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