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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
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Ruptura ou Continuidade?

A Revolução de 1930 representou uma continuidade ou uma ruptura? Esta é uma pergunta presente em muitas das análises da história contemporânea do Brasil.

Aqueles que acentuam a continuidade consideram que o movimento de 1930 não alterou os padrões econômicos ou políticos da velha ordem, e que portanto não cabe chamá-lo de revolução. Os que sublinham as novidades introduzidas no pós-30 (política social, corporativismo), ao contrário, tendem a afirmar que 1930 representou um movimento de ruptura com um modelo e uma prática liberais, baseados na não-intervenção do Estado no mercado de trabalho.

A disputa entre as teses da ruptura ou da continuidade talvez seja um tanto ilusória, já que os movimentos político-sociais, mesmo os mais radicais, também contêm elementos que foram gerados na velha ordem. A idéia de um corte radical com o passado pode não ser a melhor representação do processo histórico. A história não se processa pela emergência abrupta de eventos, mas de outro lado alguns deles podem lhe imprimir um determinado curso, nem sempre previsto em seus antecedentes. Entre o determinismo, onde os acontecimentos são vistos como produto de uma necessidade inquestionável, e o voluntarismo, que vê a vontade e a ação humanas como elementos fundamentais do processo histórico, é preciso procurar compreender as complexas relações entre traços estruturais, dados conjunturais e a opção dos atores sociais.

O conceito de revolução utilizado para caracterizar eventos político-sociais inclui nele mesmo diferentes significados. No passado revolução foi entendida como volta às origens, como um "revolver", e nesse sentido estava relacionada a uma concepção circular do tempo histórico. Outra tradição, a iluminista, entendia revolução como o início de um novo tempo inserido na caminhada linear do gênero humano em seu processo evolutivo. Mais recentemente, o conceito de "revolução pelo alto" foi usado para compreender os processos de mudança conduzidos por elites políticas e que marcam a história de várias sociedades .

Muitos dos que criticam chamar o movimento de 1930 de revolução consideram que a Abolição da Escravatura, por exemplo, foi uma ruptura mais importante. Chamar 30 de revolução nada mais seria do que assumir o ponto de vista dos "vencedores". É preciso lembrar que movimentos vitoriosos tendem a construir representações que confirmam seu ímpeto revolucionário, destruidor das velhas estruturas, e que a história envolve não só a luta política mas também a luta de símbolos e representações.

O movimento de 1930 tem sido objeto, desde sua época até hoje, de diferentes versões. Essas interpretações sobre a revolução podem ser tomadas como marcos significativos da história do pensamento político brasileiro, na medida em que foram produzidas e influenciadas pelas preocupações contemporâneas a elas. Como não é o passado que nos instrui sobre a perspectiva do presente, mas, ao contrário, é o presente que nos fornece uma interpretação do passado, são as perguntas e os impasses de cada momento que nos fazem indagar sobre as experiências históricas e recuperar ou descartar fatos e personagens.

A vasta bibliografia sobre a Revolução de 1930 que até hoje é produzida mostra por si só a importância desse evento na história brasileira.

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