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Memorial Luís Rodolfo Vilhena

Este site tem por objetivo lembrar a vida e divulgar a obra do antropólogo Luís Rodolfo da Paixão Vilhena.  

Luís Rodolfo formou-se em Ciências Sociais pela UFRJ em 1985. Foi pesquisador do Instituto Nacional do Folclore (1988-1989), professor do Departamento de Ciências Sociais da UERJ (a partir de 1989) e do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio (a partir de 1994). Em todas essas instituições deixou marcas de competência, cordialidade e generosidade, lembradas com profunda saudade.

Rodolfo e Ana Maria, sua esposa, morreram num acidente em 1997. Foram apenas 33 anos de vida, mas sua presença continua viva entre amigos, colegas e alunos, na memória das trocas intelectuais e da amizade cultivada.  

 

Organização de Celso Castro, set. 2025. Produção: Gabriel Cardoso e Laura Guimarães. Agradecimentos: Maria Laura Cavalcanti, Silvia Monnerat e Karina Kuschnir)

Luís Rodolfo da Paixão Vilhena nasceu no Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1963. Concluiu em 1985 o curso de Ciências Sociais no IFCS/UFRJ. Obteve os títulos de Mestre (1988) e Doutor (1995) em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ, sob a orientação de Gilberto Velho. Foi pesquisador do Instituto Nacional de Folclore da Funarte/Ministério da Cultura entre 1988 e 1989, professor do Departamento de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) desde 1989 e do Departamento de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) desde 1994. Teve publicadas sua dissertação de mestrado, O mundo da astrologia: um estudo antropológico (Zahar, 1990) e sua tese de doutorado, Prêmio Sílvio Romero de 1995. O livro teve a primeira edição póstuma em 1997 (Ed. FGV/Funarte)  e  a segunda edição com novos paratextos em 2025 (Ed. FGV/CNFCP/IPHAN).

Ana Maria Bezerra Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1963. Concluiu em 1985 o curso de Ciências Sociais no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ). Era funcionária da UFRJ e trabalhou em diversos projetos ligados à organização e preservação de acervos documentais históricos.

Ana Maria e Luís Rodolfo faleceram aos 33 anos de idade em um acidente ocorrido na Via Dutra em 29 de maio de 1997, quando o ônibus em que viajavam para Curitiba foi atingido por uma carreta. O acidente aconteceu por volta das 3h nas proximidades do km 205 da Via Dutra, em Arujá (Grande São Paulo). No ônibus também estava a equipe de ginástica artística do Flamengo. Seis passageiros morreram, e a técnica das ginastas, Georgette Vidor, ficou paraplégica.

Foram enterrados no Cemitério São João Batista (Botafogo, zona sul do Rio). Matéria publicada na Folha de S. Paulo de 31/5/1997 diz que:

“Ana Maria e Vilhena se casaram há dez anos. Eles iriam passar o feriado prolongado na casa de parentes em Curitiba. Vilhena era professor na PUC do Rio e na Uerj. O antropólogo Gilberto Velho compareceu ao enterro. Ele foi o orientador das teses de mestrado e doutorado defendidas por Vilhena. "Tenho a convicção que dentro de poucos anos o Rodolfo seria reconhecido como um dos maiores antropólogos do Brasil", afirmou Velho. A mãe de Vilhena, Sueli Paixão, disse que o casal planejava ter filhos em breve. Para Sueli Paixão, "só a fatalidade não explica o acidente". A mãe de Ana Maria, Fabíola Bezerra, viveu drama semelhante em 1990, quando seu filho Maurício foi morto a tiros por um segurança do Bar Sagres, na Gávea (zona sul carioca). "Não sei se vou resistir a dois choques tão fortes. Tinha quatro filhos. Agora só tenho dois", lamentou.”

Postumamente, cinco trabalhos de Luís Rodolfo foram reunidos por amigos em Ensaios de antropologia (Ed. UERJ, 1997). Como homenagem, a biblioteca da pós-graduação e a turma de formandos de 1998 em Ciências Sociais da UERJ receberam seu nome.

(Texto de Celso Castro, setembro de 2025) 

Luís Rodolfo da Paixão Vilhena 

Ana Maria Bezerra Cavalcanti