Metodologia de trabalho
O projeto "Patrimônio Documental Indígena: Trabalho Colaborativo entre a FGV CPDOC e o Povo Apinajé" exigiu uma abordagem metodológica inovadora da equipe do CPDOC. Para enfrentar os desafios na identificação de pessoas e contextos nas fotografias do arquivo, a colaboração com a equipe Apinajé foi essencial. Pesquisadores da própria comunidade participaram ativamente da análise das imagens, proporcionando diferentes perspectivas que permitiram identificar cerimônias, localidades e pessoas – muitas das quais não tinham registros fotográficos anteriores. Esse processo foi acompanhado com grande emoção pelos Apinajé, que puderam reconhecer familiares e antepassados nas fotos.
Durante os dois anos de projeto, os dados fornecidos pelos Apinajé foram cruzados com as informações registradas pela equipe do CPDOC, que adaptou suas descrições para incorporar detalhes e grafias na língua indígena, utilizando um teclado especialmente configurado. Esse método colaborativo trouxe uma inovação para a organização de arquivos pessoais, valorizando múltiplas perspectivas no tratamento e contextualização dos documentos.
2021
Duas visitas à casa do antropólogo Roberto DaMatta, em Niterói (RJ) para gravação de uma entrevista sobre a trajetória de vida do pesquisador para o projeto "Memória das Ciências Sociais no Brasil”. No dia da última sessão de entrevista, a equipe do CPDOC pôde avaliar o arquivo a ser doado. Um grande número de fotos, filmes e fitas de áudio, além de recortes de jornais integravam este arquivo. Registros de pessoas com quem o pesquisador conviveu, e de seus familiares durante trabalho de campo realizado em aldeias Apinajé nos anos 1960 e 1970.
2022
Realização da segunda visita à casa do antropólogo para dimensionar o tamanho do arquivo. Essa nova apreciação visava estruturar a logística para a retirada dos documentos da casa do antropólogo. Neste momento foi realizado um levantamento prévio para estimar a quantidade de caixas necessárias para empacotar toda a documentação. Estimamos que cerca de 20 caixas seriam usadas para transportar o arquivo de Piratininga (Niterói) até Botafogo (RJ), onde está localizada a Casa Acervo CPDOC.
Nova visita realizada na casa de DaMatta, dessa vez para a assinatura do contrato de doação do arquivo. Já com o contrato assinado, iniciamos o processo de embalagem da documentação, dando prioridade para o transporte imediato de fotos, filmes e fitas de áudio referentes aos trabalhos de campo em território Apinajé. Tendo em vista a urgência na digitalização deste material, tão sensível à deterioração, considerou-se fundamental levar essa primeira remessa para que pudéssemos dar início ao processo de preservação e conservação do material.
Já com as caixas vazias disponíveis na residência de DaMatta, uma equipe do CPDOC foi até Niterói para organizar os documentos e deixá-los em caixas lacradas, para que o arquivo pudesse ser transportado. Assim como havíamos procedido na retirada do material iconográfico, ao empacotar os documentos textuais, a equipe buscou fazer uma organização sumária, com observações e anotações para facilitar o trabalho que seria realizado posteriormente no CPDOC.
Nova visita à casa do antropólogo, tendo em vista a busca de uma remessa complementar de documentos, localizada pelo pesquisador. Essa nova leva de documentos chegou à Casa Acervo no início de agosto de 2022. Neste momento, diplomas e documentos institucionais referentes ao Museu Nacional foram entregues para doação.
Levamos as fotos e os vídeos digitalizados para apresentar ao doador e demos início à identificação do material, contando com sua ajuda na organização e classificação das imagens. Neste momento foi realizada uma filmagem do processo de identificação das fotos.
Durante nova visita ao antropólogo, recebemos a doação dos diários de campo referentes à pesquisa com os indígenas Apinajé e Gavião, com o intuito de digitalizar esse importante documento histórico. Na Casa Acervo, os diários foram higienizados, organizados e cadastrados na base ACCESSUS. Os diários registram informações produzidas por DaMatta durante suas pesquisas com os indígenas Apinajé e Gavião, entre os anos de 1961 e 1966.

2023
Iremex Andressa Apinajé e Ninhô Emílio Apinajé visitam o CPDOC junto com o antropólogo Odair Giraldin. A primeira semana de trabalho incluiu uma apresentação sobre as vivências Apinajé realizada por Giraldin, Andressa e Emílio para a equipe e alunos da pós-graduação do CPDOC. Nesta ocasião também foram concentrados os esforços do professor Odair Giraldin para conhecer e iniciar o processo de qualificação do acervo Apinajé presente no arquivo Roberto DaMatta.
A equipe do CPDOC criou uma planilha para cadastro das informações produzidas durante o processo de identificação dos documentos. Nessa planilha, foram criados campos onde serão inseridas as informações adicionais produzidas por Odair, e também por Andressa e Emílio.
O CPDOC promoveu um encontro entre o antropólogo Roberto DaMatta e os alunos Apinajé, Iremex Andressa e Ninhô Emílio, na Casa Acervo CPDOC. O encontro, registrado em vídeo, possibilitou o debate e a troca de informações sobre alguns documentos do arquivo. Nesta ocasião, Iremex pergunta à DaMatta o motivo pelo qual o antropólogo não havia retornado ao território Apinajé após a pesquisa desenvolvida nas décadas de 1960 e 1970.
Oferecimento da disciplina “Língua, cultura e sociedade Panhi/Apinajé” (60h), ministrada por dois professores indígenas na Escola de Ciências Sociais - FGV CPDOC. A disciplina se propôs a debater a construção de conceitos e concepções sobre a história de origem, cosmologia, organização social, transformações sociais contemporâneas e linguagem Apinajé.
Viagem de equipe do FGV CPDOC ao território Apinajé, com visitas às aldeias Botica, São José, Mariazinha e Palmeira. Durante a visita, foram feitos registros audiovisuais que resultaram no documentário sobre a experiência em campo, intitulado (Re)Encontros Akupӯnh Awjanã.
Gravação de entrevistas de História Oral com o Cacique da aldeia Botica Kunuuka Tápkryt Zé da Doca Apinajé e Maxỳ Helena Apinajé, importante liderança das mulheres Apinajé, e trabalho colaborativo com a identificação das fotos.
2024
Viagem ao território Apinajé, com visitas à aldeia Botica. Durante a visita, foram feitos registros audiovisuais e entrevistas com o Cacique Kunuuka Tápkryt Zé da Doca Apinajé. Além disso, o cacique Tápkryt realizou um ritual de transmissão do seu nome a duas crianças, ritual que não era realizado há 70 anos.
O ritual foi registrado e originou o filme Kunuuka. Clique aqui e assista ao filme.
Com o avanço do processo de organização das fotografias, surgem novos desafios no cadastro das informações em Apinajé na base de dados, demandando soluções tecnológicas específicas, como a adaptação de um teclado indígena para o reconhecimento da escrita em Apinajé. A equipe trabalhou para implementar ferramentas eficazes para o registro e acesso das informações.
Finalização do documentário (Re)Encontros Akupӯnh awjanã com sessão de estreia para os alunos da pós-graduação profissional do FGV CPDOC e presença do cacique Kunuuka Tápkryt Zé da Doca Apinajé, Maxỳ Helena Apinajé, Iremex Andressa Apinajé, Játpok Silivan Apinajé e Roberto DaMatta. Para a estreia pública, foi realizada uma sessão de cineclube, o filme encontra-se disponibilizado nos canais oficiais da FGV.
Entre os dias 16 e 18 de dezembro de 2024, foi realizado no FGV CPDOC o Seminário do Projeto Apinajé, com a presença de pesquisadores e indígenas Apinajé. O evento discutiu os resultados preliminares do projeto e desdobramentos como a organização do acervo de Roberto DaMatta e as pesquisas desenvolvidas por mestrandos Apinajé.

Dia 01: Apresentação e desdobramentos do projeto. Confira o resumo do primeiro dia, que contou com apresentação do projeto por Celso Castro (coordenador); exibição do documentário Kunuuka e comentários de Clarice Alvarenga (UFMG); apresentação do arquivo Luis Olinto; e apresentação sobre a nova edição do livro "The Apinayé" de Curt Niumendaiú por Odair Giraldin.
Clique aqui e confira o primeiro dia do Seminário na íntegra.

Dia 02: Organização e identificação de arquivos. O segundo dia contou com apresentação sobre o processo de organização colaborativo do arquivo de Roberto DaMatta por Silvia Monnerat, Carolina Gonçalves, Iremex Andressa Apinajé e Ninhô Emílio Apinajé e comentários de Roberta Zanatta (IMS); apresentação das pesquisas dos alunos do Mestrado Profissional em Bens Culturais e Projetos Sociais: Játpok Silivan Apinajé, Ninhô Emílio Apinajé e Iremex Andressa Apinajé e comentários de Marco Aurélio Vannucchi (coordenador do ensino da Pós-graduação do CPDOC).
Clique aqui e confira o segundo dia do Seminário na íntegra.

Dia 03: Mulheres indígenas Apinajé. O terceiro dia contou com apresentação sobre mulheres indígenas Apinajé por Iremex Andressa Apinajé, Maxy Helena Apinajé, Amnhàk Maria Aparecida Apinajé, Baxy Sheila Apinajé; biografia de mulheres indígenas por Carina Alves Torres (UFPEL), sob a coordenação de Silvia Monnerat e comentários de Ana María Forero (Universidade dos Andes).
Clique aqui e confira o terceiro dia do Seminário na íntegra.
Leia a carta elaborada por Ana María Forero sobre o projeto: versão em português e versão em espanhol.

No Seminário do Projeto Apinajé foi exibido o filme Kunuuka, segundo documentário produzido no âmbito do projeto. Sinopse: Na Terra Indígena Apinajé, o cacique Tápkryt Kunuuka passa seu nome a duas crianças. Articulando arquivos e memórias, o documentário registra pela primeira vez o ritual de transmissão do nome Kunuuka, que não era realizado há 70 anos.
Assista ao filme aqui.
2025
Em 09 de maio de 2025 foi realizada a qualificação da mestranda Iremex Andressa Apinajé, com participação de Silvia Monnerat e Gabriel Cardoso como examinadores, e Odair Giraldin como coorientador. O projeto intitula-se “Construção de Material Didático Bilíngue sob noção de Corpo, Gravidez e Resguardo da Mulher Apinajé”.
Em junho de 2025, a equipe do CPDOC realizou uma visita às Aldeias Botica e São José, como parte do trabalho de identificação de imagens do Arquivo Luiz Olinto. Durante a viagem, foi exibido o filme Kunuuka para os moradores das aldeias. Na ocasião, o cacique Kunuuka Tápkryt também conduziu a segunda etapa do ritual de passagem do seu nome para duas crianças, dando continuidade à cerimônia iniciada no ano anterior.
No dia 23 de outubro de 2025 foi realizada a da defesa de mestrado da primeira aluna indígena da FGV, Andressa Iremex. A banca foi composta por Silvia Monnerat e Beatriz Klimeck, além do orientador Celso Castro e do coorientador Odair Giraldin. O trabalho, intitulado “Amnhĩjagri (resguardo) Apinajé: saberes, corpo, saúde e memória” e pode ser conferido através do site: https://cpdoc.fgv.br/apinaje/produto-discente
O CPDOC teve seu projeto incluído no Programa Memória do Mundo da UNESCO durante a XXV Reunião do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe. A coleção reúne fotografias produzidas entre 1960 e 2009, presentes nos arquivos pessoais dos antropólogos Roberto DaMatta, Luis Olinto, Odair Giraldin e Raquel Pereira Rocha. O programa, inaugurado em 1992, é dedicado à preservação do patrimônio documental, e busca garantir a preservação e o acesso a esse patrimônio.




























