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A trajetória política de João Goulart

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Virgílio de Morais Fernandes Távora nasceu em Fortaleza (CE) no dia 29 de setembro de 1919, filho de Manuel do Nascimento Fernandes Távora e de Carlota Augusta de Morais Fernandes Távora. Sentou praça em 1936 ao ingressar na Escola Militar do Realengo (RJ).

Iniciou suas atividades políticas em outubro de 1950 elegendo-se deputado federal pelo Ceará na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Promovido a major em dezembro desse ano, assumiu o mandato em fevereiro de 1951. Em 1953 fez o curso da Escola Superior de Guerra (Esg), sendo promovido a tenente-coronel e escolhido secretário-geral do diretório nacional da UDN, cargo no qual permaneceria até 1955. No pleito de outubro de 1954 reelegeu-se na mesma legenda.

Juntamente com o coronel Fídeas Távora apoiou ostensivamente o levante militar em fevereiro de 1956, que envolveu alguns oficiais da Aeronáutica que se apoderaram da base aérea de Jacareacanga, no Pará. A rebelião, de oposição ao presidente Juscelino Kubitschek e à corrente militar vitoriosa no movimento de 11 de novembro de 1955, que garantiu a posse de Kubitschek, foi debelada em uma semana.

Entre 1957 e 1959 ocupou a vice-presidência do diretório nacional da UDN. Deixou a Câmara ao final da legislatura, em janeiro de 1959. Indicado pela UDN, atuou nesse ano como representante da oposição no conselho de administração da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), companhia criada por Kubitschek para a construção de Brasília. Ainda em 1959 tornou-se membro do conselho nacional do Serviço Social Rural e foi reeleito vice-presidente do diretório nacional de seu partido.

Ainda em 1959, com a proximidade das eleições presidenciais, Virgílio Távora foi designado secretário-geral da comissão nacional pró-candidatura Jânio Quadros. Sob o governo parlamentarista de João Goulart, iniciado em setembro de 1961, Virgílio Távora foi nomeado, por indicação da UDN, ministro da Viação e Obras Públicas.

Em janeiro de 1962 inaugurou o sistema de telex entre o Rio de Janeiro e São Paulo e criou o Conselho Nacional de Transportes (CNT). Na qualidade de ministro, intensificou também o ritmo de trabalho no Polígono das Secas, tendo percorrido grande parte do Nordeste nele incluída. No pleito de outubro de 1962 elegeu-se governador do Ceará na legenda da coligação entre a UDN, o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Nacional (PTN). Recém-eleito, deu cobertura à campanha do plebiscito empreendida pelo presidente Goulart em favor do retorno ao presidencialismo, preconizando também a adoção dos princípios capazes de ensejar as reformas propostas desde a campanha de Jânio Quadros.

Embora partidário de algumas medidas empreendidas pelo governo Goulart, Virgílio Távora apoiou o movimento político-militar de 31 de março de 1964. Em 1966 foi eleito deputado federal pelo Ceará, dessa vez na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena). Durante a legislatura que se iniciou em fevereiro do ano seguinte tornou-se membro das executivas nacional e regional de seu novo partido. No pleito de novembro de 1970 elegeu-se senador pelo Ceará, sempre na legenda da Arena, obtendo a maior votação do Nordeste. Deixando a Câmara dos Deputados em janeiro de 1971, assumiu em fevereiro seguinte sua cadeira no Senado. Nessa legislatura foi vice-presidente da Comissão de Finanças e membro das comissões de Segurança Nacional, de Relações Exteriores e de Transportes do Senado.

Já sob o governo do general Emílio Garrastazu Médici, tornou-se vice-líder da Arena e encarregado da defesa da política econômica do governo no Senado. Participou da campanha em defesa da política nuclear brasileira, adotada desde 1969 com a posse de Antônio Dias Leite no Ministério de Minas e Energia, tendo ainda tomado parte nas negociações realizadas em 1973 para a concretização dos termos em que se consubstanciou o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha.

Durante o governo do general Ernesto Geisel voltou, em 1975, à vice-liderança da Arena e, na qualidade de vice-presidente nacional de seu partido, ficou com a responsabilidade de sustentar a discussão dos assuntos relacionados com a política econômica do governo no Senado. Assim, no início de 1977 foi escolhido pelo governo para sustentar no Congresso os debates em torno do acordo nuclear com a Alemanha, tendo promovido a edição de documentos e pronunciamentos referentes ao contrato.

Em abril de 1978, com a proximidade das eleições, Virgílio Távora foi indicado pelo presidente Ernesto Geisel como candidato ao governo do Ceará. Para voltar ao cargo precisou superar a oposição de seu antigo adversário, o ex-governador (1971-1975) e também candidato César Cals. No pleito indireto de setembro do mesmo ano foi eleito governador em substituição a Valdemar de Alcântara. Deixando o Senado em fevereiro de 1979, assumiu o governo em 15 de março seguinte.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao partido governista, o Partido Democrático Social (PDS). Em maio de 1982 desincompatibilizou-se do cargo de governador para se candidatar, no pleito de novembro desse ano, a uma cadeira no Senado. Nesse pleito conseguiu se eleger senador pelo Ceará na legenda do PDS, assumindo sua cadeira no Senado em fevereiro de 1983.

Virgílio Távora ausentou-se do Senado entre setembro de 1986 e janeiro de 1987. Em novembro de 1987 votou na Comissão de Sistematização da Assembléia Nacional Constituinte a favor dos cinco anos de mandato para o presidente José Sarney. Em março de 1988, na sessão que decidiu o sistema de governo, votou a favor do presidencialismo. Tomou parte ainda nos debates e trabalhos que definiram o conceito de empresa nacional. Em conjunto com os deputados Francisco Dornelles do Partido da Frente Liberal do Rio de Janeiro (PFL-RJ), Bonifácio de Andrada (PDS-MG) e o senador Severo Gomes, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de São Paulo (PMDB-SP), estabeleceu um conceito que exigia o controle acionário por brasileiros aqui residentes.

Casou-se com Luísa Morais Correia Távora, com quem teve dois filhos.

Faleceu em São Paulo no dia 3 de junho de 1988.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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