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A trajetória política de João Goulart

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Roberto de Oliveira Campos nasceu em Cuiabá (MT) em 17 de abril de 1917, filho de Valdomiro de Oliveira Campos e Honorina de Oliveira Campos. Diplomou-se em teologia e filosofia. Fez concurso para o Itamarati em março de 1939. Aprovado no exame, em 1942 foi nomeado para o seu primeiro posto no exterior, em Washington (EUA).

Em julho de 1944 integrou a delegação brasileira à Conferência Monetário-Financeira da Organização das Nações Unidas (Onu) em Bretton Woods (EUA). Os acordos então estabelecidos deram origem ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). Transferido para Nova Iorque em 1947 para juntar-se à representação do Brasil nas Nações Unidas, permaneceu naquela cidade por dois anos e meio. Em agosto de 1949 deixou Nova Iorque, permanecendo nos quatro anos seguintes a serviço da Chancelaria no Brasil.

A modernização da infra-estrutura econômica do país, especialmente nos setores energético e de transportes, constituiria uma das prioridades centrais do segundo governo de Getúlio Vargas, iniciado em janeiro de 1951. Roberto Campos integrou a assessoria econômica do presidente, participando da elaboração do anteprojeto governamental para a criação da Petrobrás.

Em março de 1951 foi promovido a primeiro-secretário e participou da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico. Sob sua direção, ainda em 1952 o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) iniciou contatos com a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), órgão da Onu que vinha fazendo estudos sobre modelos de desenvolvimento econômico aplicáveis à região. Em maio de 1953 foi criado o Grupo Misto de Estudos BNDE-Cepal. Roberto Campos demitiu-se do corpo diretor do BNDE em meados de 1953, e em setembro foi designado cônsul em Los Angeles (EUA).

Em março de 1955 deixou o posto em Los Angeles e voltou ao Brasil, assumindo no mesmo mês o cargo de diretor-superintendente do BNDE. Antes da posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República, em janeiro de 1956 dirigiu, ao lado de Lucas Lopes, uma equipe de técnicos responsável pela formulação de um programa que deveria nortear a política econômica do novo governo.

Em março de 1956, já no governo Kubitschek, foi promovido a ministro de segunda classe.

Integrou também o Conselho de Desenvolvimento, órgão diretamente vinculado à Presidência da República, criado em fevereiro de 1956 com a finalidade de coordenar a política econômica do governo. Ao conselho caberia o estudo e a formulação de projetos relativos ao Plano de Metas.

No início de 1958, por instância de Roberto Campos, passou a integrar a diretoria do BNDE o economista Celso Furtado, com a incumbência de coordenar estudos para um plano de desenvolvimento do Nordeste. Como resultado desse trabalho, seria criada, em dezembro de 1959, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Em junho de 1958 Campos foi nomeado presidente do BNDE, em substituição a Lucas Lopes, designado ministro da Fazenda. O plano de estabilização monetária e a reforma cambial propostos por ele e Lucas Lopes no início do governo Kubitschek não haviam sido aprovados. O governo optava por uma política de intensa industrialização, que em vários aspectos era responsável pelos problemas financeiros. Diante do agravamento das dificuldades e da pressão exercida pelos credores externos, o governo decidiu implementar uma política antiinflacionária, anunciando em outubro de 1958 o Plano de Estabilização Monetária, elaborado por Campos e Lopes.

Em junho de 1959 Juscelino Kubitschek decidiu abandonar o programa de estabilização e romper com o FMI. Como conseqüência, Lucas Lopes foi substituído no Ministério da Fazenda e Roberto Campos deixou a presidência do BNDE, tendo sido, em outubro, promovido a ministro de primeira classe.

Após a posse de Jânio Quadros na presidência da República em janeiro de 1961, foi convidado a assumir a embaixada do Brasil na República Federal da Alemanha, recusando a missão. Em agosto foi nomeado por Jânio embaixador do Brasil em Washington, não chegando a assumir em virtude da renúncia do presidente, que provocou uma séria crise política. Entretanto, o vice-presidente João Goulart acabou tomando posse e decidiu manter a nomeação de Campos como embaixador extraordinário e plenipotenciário em Washington, missão que chefiou até agosto de 1963, quando pediu demissão, revelando sua discordância com o governo Goulart.

A polarização política nacional acabou levando ao movimento militar de março de 1964, que depôs o presidente Goulart. Roberto Campos apoiou o movimento e assumiu, em 14 de maio deste ano, o Ministério Extraordinário para o Planejamento e Coordenação Econômica.

Em dezembro de 1974, já no governo Ernesto Geisel, foi nomeado embaixador em Londres.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, surgiria o Partido Democrático Social (PDS), governista. Filiou-se à agremiação em maio de 1980 e em abril do ano seguinte esteve no Brasil para articular sua candidatura ao Senado por Mato Grosso. Na noite de 28 desse mês foi esfaqueado em São Paulo num episódio controvertido, noticiado de início como um assalto e, em seguida, como uma agressão por parte de uma amiga. Foi operado no Pronto-Socorro Iguatemi, onde permaneceu em repouso por duas semanas. Em 15 de maio retornou a Londres, sem que as investigações sobre o caso tivessem chegado a uma conclusão.

Viajando novamente ao Brasil em novembro de 1981 para dar início à campanha eleitoral, fez palestras e deu entrevistas à imprensa em que defendia a política antiinflacionária do governo. Retornou ao Brasil em junho de 1982 a fim de dar prosseguimento à sua campanha para o Senado, afinal vitoriosa no pleito realizado em novembro. Estreou no Senado em junho de 1983, iniciando-se na vida parlamentar em pleno processo de redemocratização.

Vice-líder do PDS de 1985 a 1986, participou da discussão sobre a convocação de uma assembléia nacional constituinte como fecho do processo de redemocratização. Com a volta do Congresso às atividades ordinárias, elegeu-se líder da bancada do PDS, composta apenas por ele e Jarbas Passarinho (PA), e presidiu, no biênio 1989-1990, a Comissão de Fiscalização e Controle, do Senado, integrando ainda a Comissão Mista (Câmara e Senado) de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização.

Em 3 de outubro de 1990, depois de transferir seu título eleitoral para o Rio de Janeiro, elegeu-se deputado federal, sendo empossado em fevereiro de 1991. Vice-líder do PDS na Câmara de 1991 a 1993 foi, em 1991, membro das comissões de Finanças e Tributação e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Foi reeleito em outubro de 1994. Empossado em fevereiro do ano seguinte foi reconduzido à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Acompanhado seu partido, apoiou o presidente Fernando Henrique Cardoso na administração do Plano Real, embora sempre apontando limitações nas medidas de liberalização econômica. Deixou a Câmara em janeiro de 1999, no fim da legislatura.

Em 23 de julho de 1999 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras na vaga deixada pelo dramaturgo e escritor Dias Gomes, tomando posse em 26 de outubro deste ano.

Casou-se com Maria Estela Tambelinni de Oliveira Campos, com quem teve três filhos. Morreu em 9 de outubro de 2001, na cidade do Rio de Janeiro.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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