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A trajetória política de João Goulart

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Renato Bayma Archer da Silva nasceu em São Luís (MA) no dia 10 de julho de 1922, filho de Sebastião Archer da Silva e de Maria José Bayma Archer da Silva. Em novembro de 1941 sentou praça como aspirante a guarda-marinha, iniciando o curso da Escola Naval.

Com a queda do Estado Novo e o conseqüente processo de redemocratização, valeu-se dos laços familiares para ingressar na vida política. Após a eleição de Sebastião Archer em janeiro de 1947, na legenda do Partido Proletário Brasileiro (PPB), Renato Archer foi nomeado oficial-de-gabinete do governador e, por decreto do presidente Dutra, obteve licença da Marinha. Em meados de 1948, porém, um desentendimento com o senador Vitorino Freire obrigou-o a afastar-se do gabinete do governador.

Após breve retorno ao serviço ativo da Marinha, licenciou-se novamente no final de 1949 e voltou ao Maranhão. Em outubro de 1950 concorreu a vice-governador do estado na chapa do Partido Social Democrático (PSD). No entanto, após ser empossado, Archer preferiu aguardar fora do estado uma eventual convocação para substituir o titular do governo. Ainda licenciado do serviço ativo da Marinha foi promovido a capitão-tenente em março de 1952. Fixou residência no Rio de Janeiro e inaugurou suas atividades na iniciativa privada.

Nas eleições de outubro de 1954 elegeu-se deputado federal pelo Maranhão na legenda do PSD, e em fevereiro de 1955 iniciou seu mandato. Em abril, embora permanecesse licenciado do serviço ativo, foi promovido a capitão-de-corveta. Identificado com a candidatura de Juscelino Kubitschek às eleições presidenciais de outubro de 1955, contribuiu efetivamente para sustentá-la frente às tentativas de veto formuladas por outros setores do partido.

Também em janeiro de 1956 concluiu o mandato de vice-governador, sem ter assumido o governo. Durante os trabalhos legislativos, participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) encarregada de investigar o problema da energia atômica no Brasil. Sua atuação no debate sobre a política de energia nuclear valeu-lhe a indicação, ainda em 1956, para a Agência Internacional de Energia Atômica, onde foi representante do governo brasileiro por dois anos.

Nas eleições de outubro de 1958 reelegeu-se deputado federal pelo Maranhão, sempre na legenda do PSD. Em janeiro de 1961 foi transferido para a reserva remunerada, promovido a capitão-de-fragata. Na nova legislatura, defendeu a adoção do parlamentarismo, regime político aprovado pelo Congresso em setembro de 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, como forma conciliatória capaz de propiciar a posse de seu substituto legal, o vice-presidente João Goulart.

Archer atuou no ministério das Relações Exteriores num momento de afirmação da política externa brasileira. Deixou a subsecretaria do Itamarati em junho de 1962 para concorrer às eleições legislativas de outubro. Em abril de 1963 assumiu a vice-liderança da bancada pessedista, majoritária na Câmara. Desde essa época começou a articular o retorno de Juscelino Kubitschek à presidência da República nas eleições previstas para outubro de 1965, trabalhando nesta candidatura mesmo após o movimento político-militar que, em 31 de março de 1964, depôs o presidente João Goulart.

O regime de exceção trouxe dificuldades à carreira política de Archer. Com a extinção dos partidos políticos em conseqüência do Ato Institucional nº 2 (AI-2) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), assumindo a presidência da seção maranhense do partido. Nas eleições de novembro de 1966 voltou a eleger-se deputado por esta nova legenda.

Foi um dos principais articuladores da Frente Ampla, lançada oficialmente em outubro de 1966 com o objetivo de unificar a oposição ao regime militar, aglutinando as forças lideradas pelos ex-presidentes Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda.

Em dezembro de 1968, alguns dias após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Renato Archer teve seu mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos, seguidos de um período de perseguição política e policial. Em novembro de 1970, já no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, foi preso pela terceira vez e mantido incomunicável por 20 dias. Forçado desta forma a abandonar a vida pública, dedicou-se à iniciativa privada. Antes mesmo de cumprir o prazo de suspensão de seus direitos políticos, participou em 1978 da Frente Nacional de Redemocratização. Ao readquirir a plenitude de sua cidadania voltou ao MDB e, com o fim do bipartidarismo, foi um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Em 1984 participou ativamente na campanha nacional das eleições diretas para a presidência da República em novembro daquele ano. Foi indicado por Tancredo Neves para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Em outubro de 1987, deixou a cargo.

Com a abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor e seu afastamento do cargo em setembro de 1992, Archer voltou ao governo como presidente da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). Em 1996 assumiu a diretoria executiva do Comitê Rio 2004, responsável pela organização da campanha pela realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro.

Casou-se em primeiras núpcias com Madeleine Deutsch Archer, com quem teve uma filha, e em segundas núpcias com Maria da Glória Archer. Faleceu em São Paulo no dia 20 de junho de 1996.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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