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A trajetória política de João Goulart

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Lincoln Gordon nasceu no dia 10 de setembro de 1913, em Nova Iorque, Estados Unidos, filho de Bernard Gordon e de Dorothy Gordon.

Em 1933, bacharelou-se em economia pela Universidade de Harvard, doutorando-se, três anos depois, em Oxford, na Inglaterra. Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, colaborou na implementação do Programa Econômico de Recuperação Européia (Plano Marshall). Em 1950, passou a assessorar o alto comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Entre 1952 e 1955, atuou como encarregado de assuntos econômicos da embaixada dos EUA em Londres.

Nomeado embaixador no Brasil em agosto de 1961, sua efetivação foi adiada pelo governo norte-americano até a solução da crise causada pela renúncia do presidente Jânio Quadros (25/08/1961) e pela recusa dos ministros militares em permitir a posse do vice-presidente João Goulart, então em visita à China. Empossado Goulart (7/9/1961), em outubro Gordon apresentou suas credenciais. Desde o início, deixou claro que Washington só daria assistência ao Brasil se fossem adotadas medidas estabilizadoras na economia. Outro assunto delicado era a chamada política externa independente, definida ainda no governo Quadros e seguida por Goulart. Em janeiro de 1962, no encontro da Organização dos Estados Americanos em Punta del Este, a delegação brasileira não acatou a exigência norte-americana de que todos os países-membros adotassem sanções destinadas a isolar diplomaticamente o regime socialista de Cuba, implantado após a revolução que levou Fidel Castro ao poder. Em fevereiro, as relações entre Brasília e Washington sofreram novo abalo com a decisão do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, de nacionalizar a American and Foreign Power Company (Amforp), subsidiária da International Telephone and Telegraph naquele estado.

Com a aproximação das eleições de outubro de 1962, Gordon montou um esquema de dotações financeiras aos candidatos da oposição, usando como intermediários empresários e entidades como o Instituto Brasileiro de Ação Democrática. Em março de 1963, Gordon esteve presente aos encontros que o ministro da Fazenda Francisco San Tiago Dantas manteve em Washington com David Bell, diretor da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), visando à obtenção de créditos para o país. Mais uma vez, o governo norte-americano impôs como condição a adoção de uma política antiinflacionária, e a redução dos déficits orçamentários. Na ocasião, o Brasil recebeu um financiamento imediato de US$84 milhões e mais US$314,5 milhões para o ano fiscal de 1964. No final de abril de 1963, o governo brasileiro concordou em pagar US$135 milhões de indenização à Amforp, mas Leonel Brizola foi contra o pagamento, argumentando que a empresa norte-americana já havia recuperado com sobras o valor de seus investimentos originais. A denúncia levou Goulart a suspender a transação até que os técnicos brasileiros avaliassem o patrimônio do grupo. Em represália, o governo dos EUA suspendeu as gestões para o reescalonamento da dívida externa brasileira.

Em julho, Goulart admitiu decretar unilateralmente uma moratória para a dívida externa e determinou ao ministro da Fazenda, Carlos Alberto Carvalho Pinto, que providenciasse a regulamentação da Lei de Remessa de Lucros, a fim de conter o êxodo de capitais e divisas. Gordon passou o segundo semestre de 1963 tentando evitar a medida, mas em janeiro de 1964, Goulart assinou o decreto regulamentando a lei. A partir de então, Gordon passou a acompanhar de perto a conspiração de militares, políticos e empresários contra o governo. O clima de radicalização e os desafios à hierarquia militar intensificaram-se após o Comício das Reformas, presidido pelo próprio Goulart no Rio de Janeiro, em 13 de março. Alertado sobre a iminência de um levante armado, liderado pelo general Humberto Castelo Branco, Gordon solicitou a Washington apoio logístico e, se necessário, militar para os revoltosos. A vitória dos golpistas tornou desnecessária a intervenção norte-americana.

Após a promulgação do Ato Institucional nº 2 – AI-2 (21/10/1965), que extinguiu os partidos políticos existentes e reinstaurou as eleições indiretas para a presidência, Gordon mostrou-se apreensivo com os rumos tomados pelo governo, considerando o AI-2 uma prova de que o presidente Castelo Branco cedera à "linha dura" militar. Em fevereiro de 1966, assumiu o cargo de secretário de Estado assistente para assuntos interamericanos. Nesse mesmo mês, em depoimento ao Senado norte-americano, declarou que o regime brasileiro não era uma ditadura, pois, apesar das cassações de mandatos e das restrições de direitos políticos, a imprensa continuava funcionando e o Congresso não fora fechado.

Casou-se com Allison Wright Gordon, com quem teve quatro filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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