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A trajetória política de João Goulart

<<  Armindo Doutel

Armindo Marcílio Doutel de Andrade nasceu no dia 17 de novembro de 1920, no Rio de Janeiro, filho de Armindo Augusto Doutel de Andrade e de Cândida Margarida Doutel de Andrade.

Formado pela Faculdade Fluminense de Direito, ainda universitário ingressou no jornalismo, trabalhando, entre outros jornais, no O Jornal, para o qual cobriu a campanha presidencial de Getúlio Vargas, candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) eleito em outubro de 1950. Nessa ocasião, aproximou-se das lideranças trabalhistas. Com a posse de Vargas em janeiro de 1951, começou a trabalhar com João Goulart na ampliação das bases do PTB. Com a nomeação de Goulart para a pasta do Trabalho em junho de 1953, assumiu a direção da Rádio Mauá, pertencente àquele ministério.

Em 1955, a coligação PTB-Partido Social Democrático lançou as candidaturas vitoriosas de Juscelino Kubitschek para presidente e de João Goulart para vice-presidente. Escolhido secretário-geral do PTB em 1955, em outubro de 1958 Doutel elegeu-se deputado federal por Santa Catarina. Simultaneamente ao pleito presidencial de outubro de 1960, vencido por Jânio Quadros, candidato da União Democrática Nacional e no qual Goulart voltou a eleger-se vice-presidente, Doutel elegeu-se vice-governador catarinense. Em abril de 1962, já no governo Goulart (1961-1964), Doutel assumiu a vice-liderança da maioria e do PTB e, em outubro reelegeu-se deputado federal. Nesse período, consolidou-se como um dos principais defensores no Congresso das posições do governo. Em outubro, tornou-se líder da bancada petebista.

Após o comício da Central do Brasil, ocorrido no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, quando Goulart anunciou os projetos de reformas de base reivindicadas pelos setores e partidos de esquerda, acirrou-se a crise política. No dia 30, Goulart compareceu à reunião promovida por associações de sargentos no Automóvel Clube, o que foi considerado uma provocação pelos chefes militares, uma vez que soldados e suboficiais estavam então encaminhando reivindicações políticas não previstas pelo regulamento militar. No dia seguinte, eclodiu o movimento armado contra o governo. Doutel de Andrade encontrou-se com Goulart em Brasília, ficando decidido que o presidente embarcaria na madrugada de 2 de abril para Porto Alegre, de onde tentaria reagir. Nesse mesmo dia, Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, declarou o cargo presidencial vago e empossou Pascoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. Somente no dia 4 de abril Goulart viajou para o Uruguai.

Ainda líder da bancada petebista na Câmara, em junho Doutel tornou-se líder do bloco parlamentar da minoria. Em abril de 1966, filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido criado após a instauração do bipartidarismo e a extinção dos partidos políticos, nos termos do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965). A partir de setembro, foi um dos principais articuladores da Frente Ampla - movimento que visava reunir, na oposição ao regime militar, os seguidores dos ex-presidentes Goulart e Kubitschek e por Carlos Lacerda -, atuando como intermediário entre Goulart e Lacerda. Em outubro teve seu mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos. Após sua cassação, lançou a candidatura de sua esposa Lígia Doutel de Andrade à deputada federal, pelo MDB catarinense. Eleita, ela também seria cassada pelo Ato Institucional nº 5 (13/12/1968).

Em junho de 1979, Doutel compareceu ao encontro de trabalhistas realizado em Lisboa, presidido por Leonel Brizola. Com a aprovação da reforma partidária em novembro, Brizola e a ex-deputada Ivete Vargas passaram a disputar o registro provisório para o PTB. Em maio de 1980, a Justiça Eleitoral reconheceu o pedido feito por Ivete e, em conseqüência, Brizola e seus partidários fundaram, em setembro, o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Vice-presidente nacional do PDT entre a fundação e janeiro de 1983, nesse mês Doutel assumiu a presidência, no lugar de Brizola, que deixara o cargo por ter sido eleito governador do Rio de Janeiro.

Candidato a deputado constituinte em novembro de 1986, Doutel de Andrade conseguiu apenas uma suplência. Em março de 1987, após deixar o governo, Brizola reassumiu a presidência do partido e Doutel voltou à vice-presidência. Em janeiro de 1989, ele assumiu o mandato, tornando-se líder do partido na Câmara. Voltou à presidência do PDT, quando Brizola foi lançado candidato ao pleito presidencial de 1989. Derrotado, Brizola reassumiu a presidência e Doutel retornou à vice-presidência do partido.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 7 de janeiro de 1991.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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