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A trajetória política de João Goulart

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Centro Popular de Cultura

 

Integrantes do CPC da UNE, encenando uma peça de teatro na sede do sindicato dos metalúrgicos (RJ), onde estava em andamento a Revolta dos Marinheiros. 25/26 de março 1964. O Centro Popular de Cultura (CPC) foi constituído em 1962 no Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, por um grupo de intelectuais de esquerda em associação com a União Nacional dos Estudantes (UNE), com o objetivo de criar e divulgar uma "arte popular revolucionária". O núcleo formador do CPC foi formado por Oduvaldo Viana Filho, pelo cineasta Leon Hirszman e pelo sociólogo Carlos Estevam Martins. Os fundamentos e os objetivos da entidade foram definidos num anteprojeto de manifesto, datado de março de 1962, e reafirmado num manifesto definitivo divulgado em agosto do mesmo ano.

Recusando-se a considerar a arte como "uma ilha incomunicável e independente dos processos materiais", os artistas e intelectuais do CPC acreditavam que toda manifestação cultural deveria ser compreendida exatamente "sob a luz de suas relações com a base material". Afirmavam também que "fora da arte política não há arte popular", acrescentando que era dever do homem brasileiro "entender urgentemente o mundo em que vive" para "romper os limites da presente situação material opressora". Combatendo o hermetismo da arte alienada em nome de uma arte popular revolucionária, os fundadores do CPC declaravam finalmente: "nossa arte só irá onde o povo consiga acompanhá-la, entendê-la e servir-se dela."

A proposta veiculada pelo CPC logo recebeu a adesão de vários outros artistas e intelectuais, entre os quais Ferreira Gullar, Francisco de Assis, Paulo Pontes, Armando Costa, Carlos Lyra e João das Neves. Ao mesmo tempo, incluindo representantes cepecistas em suas viagens, a UNE Volante passou a divulgar o movimento, impulsionando a formação de centros populares de cultura junto às uniões estaduais de estudantes. Pretendendo funcionar como uma entidade de massas, o CPC tinha todo o interesse em se instalar junto às associações universitárias, camponesas e operárias. A despeito dos contatos mantidos nos departamentos de cultura dos sindicatos, entretanto, somente no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro foi organizado um CPC, mesmo assim, de vida efêmera.

Capa do disco ¨O povo canta¨, do Centro Popular de Cultura, da UNE Os recursos para a manutenção do CPC, além de empréstimos da UNE, eram arrecadados com a venda de sua própria produção, que incluía shows de teatro e música, livros, revistas etc. Entre as principais peças teatrais montadas incluíram-se o Auto dos 99%, o Auto dos cassetetes e o Auto do tutu está no fim. Na área de cinema, foi realizado o longa-metragem Cinco vezes favela, e na de música, foi gravado o disco O povo canta. Na área editorial, foram lançados os Cadernos do povo brasileiro e, a partir de 1963, a coleção de livros de poemas intitulada Violão de rua. Foram ainda ministrados cursos de teatro, cinema, artes visuais e filosofia.

O teatro da UNE, apresentando a peça Os Azeredos mais os Benevides, de Oduvaldo Viana Filho, foi inaugurado às vésperas da derrubada do presidente João Goulart pelos militares, em 31 de março de 1964. Nos primeiros dias de abril, a sede da UNE foi incendiada e todos os CPCs foram fechados.

Mônica Almeida Kornis

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