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O Governo de Juscelino Kubitschek

<<  Plínio Salgado

Plínio Salgado nasceu em São Bento do Sapucaí (SP), em 1895. Jornalista, iniciou sua atividade na imprensa em 1916, em sua cidade natal, no semanário Correio de São Bento. Nessa época dedicava-se ainda ao magistério, e em suas leituras predominavam filósofos materialistas. Em 1918 iniciou-se na política participando da fundação do Partido Municipalista, que reunia líderes de municípios do Vale do Paraíba. Realizava, então, conferências em defesa da autonomia municipal.

Ainda em 1918, casado há pouco mais de um ano, morreu sua esposa, poucos dias após o nascimento de sua primeira filha. Abalado, voltou-se para a religião, dedicando-se à leitura dos pensadores católicos Raimundo Farias Brito e Jackson de Figueiredo.

Dois anos depois transferiu-se para São Paulo, empregando-se no Correio Paulistano, órgão oficial do Partido Republicano Paulista (PRP), onde travou amizade com Menotti del Picchia, o redator-chefe do jornal. Durante a década de 1920 dedicou-se essencialmente às atividades literárias, adquirindo renome como escritor. A princípio manteve posição cautelosa diante do movimento modernista, tendo participado discretamente da Semana de Arte Moderna em 1922.

Em 1924, deixou o Correio Paulistano e empregou-se no escritório do advogado e empresário Alfredo Egídio de Souza Aranha, com quem manteria vínculos duradouros. Publicou em 1926 seu primeiro romance, O estrangeiro, obra conceituada nos meios modernistas. Logo em seguida, em companhia de Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia e Cândido Mota Filho, alinhou-se ao movimento Verde-Amarelo, vertente nacionalista do modernismo. No ano seguinte, novamente com del Picchia e Cassiano Ricardo, lançou o movimento da Anta, no qual exaltava o indígena, particularmente o tupi, como o portador das nossas origens nacionais mais autênticas. Nesse mesmo ano publicou Literatura e Política, obra em que expressava idéias nacionalistas de cunho fortemente antiliberal e agrarista, inspirada em Alberto Torres e Oliveira Viana.

Em 1928, elegeu-se deputado estadual, em São Paulo, pelo PRP. Em 1930 apoiou a candidatura situacionista de Júlio Prestes à presidência da República, contra o candidato da oposição, Getúlio Vargas. Em seguida, sem terminar seu mandato de deputado, viajou ao Oriente Médio e à Europa como preceptor do filho de Souza Aranha. Na Itália, impressionou-se com o fascismo e com Mussolini.

Regressou ao Brasil no dia 4 de outubro de 1930, exatamente um dia após o início da revolução que derrubaria Washington Luís. Escreveu, então, dois artigos no Correio Paulistano em defesa do governo. Com a vitória dos revolucionários, porém, logo passou a apoiar Vargas, tendo inclusive redigido o manifesto da Liga Revolucionária de São Paulo, organização liderada por Miguel Costa e João Alberto em apoio ao novo regime.

Em junho de 1931, tornou-se redator do jornal A Razão, recém-fundado por Souza Aranha na capital paulista. Em suas páginas, desenvolveu intensa campanha contrária à constitucionalização do país, a ponto da sede do jornal ser incendiada pouco antes da Revolução Constitucionalista de 1932. Em fevereiro, criou a Sociedade de Estudos Políticos (Sep), que reunia intelectuais simpáticos ao fascismo. Meses depois divulgou o Manifesto de Outubro, no qual apresenta as diretrizes básicas de uma nova agremiação política, a Ação Integralista Brasileira (AIB). O ideário da AIB inspirava-se nitidamente no fascismo italiano e em seus similares europeus. Valorizava, ainda, uma série de rituais e símbolos, como a utilização da expressão indígena Anauê como saudação, a letra grega sigma e os uniformes verdes com os quais seus militantes desfilavam pelas ruas. Em fevereiro de 1934, no I Congresso da AIB, em Vitória (ES), Plínio confirmou sua autoridade absoluta sobre a entidade, da qual recebeu o título de "chefe nacional".

Nos anos seguintes a AIB conheceu significativo crescimento, promovendo grandes manifestações em vários pontos do país. Em 1937 Plínio lançou sua candidatura à eleição presidencial marcada para janeiro do ano seguinte. Percebendo a intenção de Vargas de cancelar a eleição e continuar no poder, resolveu apoiar a opção golpista do presidente, esperando fazer do integralismo a base doutrinária do novo regime. Reuniu-se, então, com líderes militares golpistas e com o próprio Vargas, que lhe teria prometido o Ministério da Educação no novo governo. Em novembro retirou sua candidatura a presidente e, dias depois, aplaudiu a decretação do Estado Novo. Para sua surpresa, porém, Vargas decretou o fechamento da AIB, dando-lhe o mesmo tratamento dispensado às demais organizações partidárias.

No ano seguinte militantes integralistas tentaram, por duas vezes, nos meses de março e maio, promover levantes para depor Vargas. Essas tentativas fracassaram e, em ambas, Plínio negou ter tido qualquer participação. Permaneceu livre ainda por um ano, apesar de muitos integralistas terem sofrido perseguições imediatas. Em maio de 1939 foi finalmente preso e, um mês depois, enviado para um exílio de seis anos em Portugal. Nesse período, procurou obstinadamente reabilitar-se diante do governo brasileiro, a quem elogiou em diversos manifestos, inclusive quando da declaração de guerra do Brasil à Alemanha e Itália.

Voltou ao Brasil em 1945, com a redemocratização do país. Reformulou, então, a doutrina integralista, e fundou o Partido de Representação Popular (PRP). Em 1955 lançou-se candidato à presidência da República, obtendo 714 mil votos (8% do total). Em seguida, apoiou a posse do presidente eleito Juscelino Kubitscheck, contestada pela União Democrática Nacional (DN), e foi nomeado para a direção do Instituto Nacional de Imigração e Colonização.

Em 1958 elegeu-se deputado federal pelo Paraná, reelegendo-se em 1962, desta vez por São Paulo. Em 1964 foi um dos oradores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, contra o presidente João Goulart. Apoiou o golpe militar daquele ano e, com a extinção dos antigos partidos, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), frente partidária criada para auxiliar na sustentação ao novo regime. Por essa legenda obteve mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1966 e 1970.

Morreu em São Paulo, em 1975.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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