Artista plástica mineira radicada no Rio, nasceu em 1920, tendo iniciou seus estudos de pintura em 1947 com Roberto Burle Marx. Em 1950 mudou-se para Paris, onde foi aluna de Fernand Léger, Arpad Szenes e Isaac Dobrinsk, e realizou sua primeira individual no Institut Endoplastic. Retornou ao Rio e começou a se dedicar à pintura abstrata.
Seu primeiro rompimento com os cânones da pintura acontece em 1954. Faz telas geométricas que extrapolam os limites da moldura, rompendo com a estrutura do quadro. Realizou outra individual no Ministério de Educação e Saúde e, ainda neste mesmo ano, ingressou no Grupo Frente, juntamente com Hélio Oiticica, Décio Vieira, Ivan Serpa, Aluísio Carvão e Lígia Pape.
Em 1959, expôs seus "Bichos", placas de metal articuladas por dobradiças. É quando sua obra começa a se abrir à participação do público, com o trabalho sendo manipulado pelo espectador. Nesse mesmo ano, juntamente com Hélio Oiticica e Ferreira Gular, entre outros, rompeu com o movimento concreto por acreditarem que o rigor geométrico acabara por se tornar limitador lançando, assim, o neoconcretismo.
A partir de 1964 Lygia começou a explorar o corpo humano, criando objetos para serem colocados sobre o corpo do espectador. Começou a ganhar repercussão internacional nesse época. Em 1964 e 1965 expôs na galeria Signals de Londres. Em 1968 a Bienal de Veneza dedica uma sala especial a seus trabalhos. Na segunda metade da década de 1960 sua obra dá outra guinada. Em 1967 ela cria "O Eu e o Tu", uma roupa que abriga o corpo de duas pessoas se tocando.
Entre 1970 e 1975 viveu em Paris, onde foi professora na Sorbonne, ultrapassando os limites da arte para buscar em seus alunos reações que trouxessem à tona impulsos reprimidos, substituindo-os por energia criativa. Estimulava os discípulos a usar elementos até então estranhos em uma sala de aula, tais como tubos de caça submarina, saquinhos de plástico cheios de água, bolinhas de pingue-pongue e outros materiais fora da didática convencional.
Em 1977 afirma que não é mais artista e passa a se dedicar à terapia. Preferia ser chamada de propositora e depois de terapeuta. Faz o que chama de "Objetos Relacionais", sacos cheios de sementes, areia, ar ou bolinhas de isopor, e explora a sensorialidade dos trabalhos sobre o corpo de seus pacientes. Quando voltou ao Brasil, em 1978, abriu um consultório em seu apartamento no Rio, onde tratava seus pacientes com estes objetos.
Além de várias individuais realizadas em Paris, Rio de Janeiro, Nova York, Stuttgart, Londres, Belo Horizonte, assim como participação em incontável número de coletivas, a artista teve o reconhecimento de sua obra prolongado após sua morte, ocorrida em 1988. A 22ª Bienal de São Paulo, realizada em 1994, dedicou-lhe sala especial. Em 1997 Manolo Borja-Villel, da Fundação Tapiés de Barcelona organizou uma exposição itinerante com obras da artista, a qual, após fazer sucesso na Espanha, transitou por Portugal, Holanda e finalmente no Brasil, com apresentações no Rio e em São Paulo.
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