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O Governo de Juscelino Kubitschek

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Lucas Lopes nasceu em Ouro Preto (MG) no dia 25 de junho de 1911, filho de Francisco Antônio Lopes e de Maria da Conceição Mosqueira Lopes. Ingressou na Escola de Engenharia da Universidade de Minas Gerais em 1927, e ainda estudante começou a trabalhar, primeiro como repórter no jornal O Estado de Minas e depois como desenhista na seção técnica da Estrada de Ferro Oeste de Minas. Formado em engenharia civil em 1932, passou para a então criada Rede Mineira de Viação. Em 1940 licenciou-se, e trabalhou na Companhia Auxiliar das Empresas Elétricas Brasileiras (CAEEB) e em seguida na Sociedade Técnica de Materiais (Sotema).

Em 1942 foi indicado para ocupar a Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio do governo de Minas, chefiado pelo interventor federal Benedito Valadares. Passou a exercer importante papel no planejamento dos investimentos governamentais e, além disso, assumiu o cargo de diretor da seção mineira da Coordenação da Mobilização Econômica. Após a deposição de Getúlio Vargas e o afastamento de Valadares em 1945, passou a chefiar em 1946 a Secretaria de Viação e Obras Públicas. Tornou-se também professor catedrático de geografia econômica da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais. Participou em seguida da Comissão do Vale do São Francisco, chefiando a equipe que preparou o Plano Geral para o Aproveitamento do Vale do São Francisco, apresentado ao Congresso em 1950.

A política de desenvolvimento adotada por Juscelino Kubitschek no início de seu mandato à frente do governo mineiro, em janeiro de 1951, teve como eixo o binômio "energia e transportes". Escolhido para formular o plano de eletrificação do estado, Lucas Lopes passou a presidir a holding Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig) quando de sua criação, em setembro do mesmo ano. Devido à sua importante participação no programa energético de Minas Gerais, também em 1951 foi convidado pelo governo de Getúlio Vargas a integrar a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos. Quando da criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em junho de 1952, passou a integrar seu conselho de administração. A Comissão Mista completou seus estudos técnicos em julho de 1953 e encerrou oficialmente suas atividades em dezembro seguinte, deixando trabalhos que seriam incorporados mais tarde à preparação do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek.

Em 1954, quando João Café Filho assumiu a presidência da República, pediu que Juscelino Kubitschek indicasse um nome para ocupar o Ministério da Viação e Obras Públicas. A escolha recaiu sobre Lucas Lopes, nomeado em 27 de agosto. Sua participação no governo de Café Filho foi curta. Em janeiro de 1955 o presidente endossou um documento que defendia a necessidade de equacionar o problema sucessório em um quadro de colaboração interpartidário, criticando assim, implicitamente, a candidatura de Juscelino. Discordando dos termos do documento, Lucas Lopes pediu demissão. No dia 14 de novembro, porém, já sob a presidência de Nereu Ramos, retornou ao ministério, onde permaneceu até a posse de Kubitschek em 31 de janeiro de 1956.

Juscelino assumiu a presidência disposto a aplicar o Plano de Metas elaborado por uma equipe de técnicos sob a direção de Lucas Lopes e Roberto Campos, integrantes de um grupo de economistas que defendia a necessidade do planejamento econômico governamental para acelerar o processo de industrialização. No novo governo, Lucas Lopes foi inicialmente nomeado presidente do BNDE, acumulando esse cargo com o de secretário-executivo do recém-criado Conselho do Desenvolvimento, órgão que passou a centralizar a aplicação do Plano de Metas. Diante da demissão de José Maria Alkmin do Ministério da Fazenda, em 25 de junho de 1958 assumiu o lugar deste, sendo substituído por Roberto Campos na presidência do BNDE. Ambos foram os responsáveis pela elaboração do Plano de Estabilização Monetária, que foi apresentado ao Congresso em outubro de 1958 e acirrou imediatamente a controvérsia entre monetaristas e estruturalistas. Estes últimos localizavam as causas básicas da inflação nos desequilíbrios estruturais da economia brasileira e consideravam ineficaz qualquer programa que significasse a liquidação de um plano estratégico de investimentos públicos nos setores fundamentais da economia.

A luta contra o Plano de Estabilização ganhou um matiz nacionalista, com o crescimento dos ataques a Lucas Lopes e Roberto Campos. As exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dar seu aval a um empréstimo solicitado pelo governo brasileiro ao Eximbank eram consideradas inaceitáveis, inclusive por setores favoráveis à abertura da economia brasileira às empresas estrangeiras. Juscelino tentou criar uma alternativa com a proposta da Operação Pan-Americana (OPA), que consistiria num amplo programa de colaboração financeira dos Estados Unidos para o desenvolvimento da América Latina. Entretanto, esse projeto ficou sem resposta por parte dos Estados Unidos.

Nesse quadro, Lucas Lopes sofreu um infarto e em 4 de junho de 1959 foi substituído no Ministério da Fazenda por Sebastião Pais de Almeida. Nesse mesmo dia Juscelino suspendeu provisoriamente as negociações com o FMI e em 17 de junho anunciou oficialmente a ruptura. Como era previsto, o rompimento das negociações com o FMI foi acompanhado pelo abandono do Plano de Estabilização. Apesar disso, o Plano de Estabilização voltaria a desempenhar importante papel na política econômica do efêmero governo de Jânio Quadros, em 1961.

Depois de deixar o ministério, Lucas Lopes foi nomeado titular do 4º Ofício de Imóveis do Rio de Janeiro. Em setembro de 1959, juntamente com antigos colaboradores do BNDE, ajudou a fundar a Consultec - Sociedade Civil de Planejamento e Consultas Técnicas Ltda. Em 1962, passou a trabalhar para a empresa Hanna.

Casou-se com Ester de Pádua Lopes, com quem teve três filhos. Faleceu no Rio de Janeiro em janeiro de 1994.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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