Artesão de mobiliário e artista plástico, Joaquim Tenreiro nasceu em Melo, Portugal, em 1906. Filho de um marceneiro, aos nove anos começou a mexer com ferramentas na oficina do pai, ajudando-o em pequenos trabalhos e adquirindo, assim, desde pequeno, a habilidade artesanal e a familiaridade com a madeira. Tenreiro já conhecia o Brasil. Trazido pelos pais, viveu aqui em dois períodos, dos três aos sete anos e, depois, dos 19 aos 20 anos.
Mais tarde, já casado, decidiu emigrar de vez para o Rio de Janeiro, onde a princípio ganhou a vida como carpinteiro. Em 1929, matriculou-se num curso de desenho mantido pelo Liceu Literário Português e, dois anos mais tarde, foi um dos membros mais ativos do então recém-fundado Núcleo Bernardelli. Todos os seus estudos nessa fase estavam ligados ao desenho. Só começou a pintar em 1935 ou 1936.
Enquanto aprimorava suas aptidões artísticas, Tenreiro adquiriu boa reputação como artesão, trabalhando de 1933 a 1943 em firmas como a Laubisch & Hirth, a Leandro Martins ou a Francisco Gomes, especializadas em fornecer móveis imitativos dos velhos estilos franceses, italianos, portugueses e de outras origens.
Desde 1934 desenhava, a título experimental, móveis de linhas não tradicionais. Em 1941, quando ainda trabalhava na Laubisch & Hirth, tendeu a uma encomenda de mobiliário para a casa do médico e colecionador Francisco Inácio Peixoto, em Cataguazes, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, realizando pela primeira vez projetos num estilo próprio. Surgiram, então, os móveis inteiramente concebidos, projetados e executados pelo artista, de acordo com os princípios do mobiliário moderno.
Já em 1943, Tenreiro montou sua primeira loja-oficina – a Langebach e Tenreiro Ltda, no centro do Rio. Em 194, abriu loja em Copacabana, transferindo-a em 1962 para Ipanema. Por volta de 1953 abriu filial em São Paulo. No ano seguinte, sua oficina da Rua da Conceição, no Rio, foi trocada pela fábrica em Bonsucesso, na qual, num dado momento, chegou a empregar cerca de 100 artesãos.
Em 1967, após entregar sua última encomenda – a decoração do salão de banquetes do Palácio Itamaraty em Brasília –, Tenreiro reavaliou seu trabalho. Optou por fechar oficina e lojas para dedicar-se exclusivamente às artes plásticas, retomando assim um caminho havia muito interrompido. A partir daí, realiza uma série de individuais e retrospectivas, obtendo premiações e homenagens especiais.
Segue-se a execução de grandes obras como, em 1969, o painel para a Sinagoga Templo Sidon na Tijuca, a portada da Capela Ecumênica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, de 1974, e os dois painéis em fibra de vidro, cada um medindo oito por seis metros, realizados em 1975 para o novo auditório do Senai na Tijuca. Nessa fase final, o artista se destacou sobretudo como escultor, produzindo relevos, treliças e colunas em madeira policromada, que constituem algo de novo na arte brasileira de então.
Como pintor sua contribuição não deve ser de modo algum esquecida. Prejudicada pelo sucesso obtido com seu trabalhao em mobiliário, que praticamente cessou na segunda metade dos anos 1940, a atividade de Tenreiro como artista plástico reaparecerá a intervalos até a década de 1960. Assim, em 1946 e 1949 realizou individuais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1960 recebeu menção honrosa em Desenho no Salão Nacional de Arte Moderna. Em 1965 participou da VIII Bienal de São Paulo com relevos taxeados e óleos sobre neoplan da série "Ciclistas", tema recorrente em sua produção.
A contribuição tanto do artesão quanto do artista tem sido exaltada, como comprova a realização de retrospectivas como a de 1998 no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Faleceu em 1992.
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