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O Governo de Juscelino Kubitschek

<<  Glauber Rocha

Cineasta de temperamento polêmico, Glauber Pedro de Andrade Rocha é considerado o grande nome do cinema novo. Nascido em 1939, o baiano de Vitória da Conquista já sabia, aos seis anos de idade, qual seria a sua profissão. Ainda adolescente, desenvolve uma carreira de poeta e ator. Abandona o curso de Direito em Salvador para trabalhar como crítico de cinema e documentarista.

Neste período, conhece o cineasta Luiz Paulino dos Santos, com quem colabora no curta metragem Um dia na rRampa. Em 1959 dirigiu seu primeiro curta metragem, O pátio. Atuou como produtor executivo de A grande feira, de Roberto Pires, e dirigiu Barravento, concluído em 1962.

Glauber tornou-se o líder de um movimento que pregava um cinema autênticamente nacional, de autor, voltado para uma temática social e com preocupações com a linguagem. No Rio de Janeiro o grupo é encabeçado por Nelson Pereira dos Santos e Joaquim Pedro de Andrade, e em São Paulo por Roberto Santos.

A partir de 1964, Glauber Rocha já figura como o cineasta brasileiro de maior prestígio internacional. Seu filme Deus e o diabo na terra do sol (1964) é premiado no Festival de Cinema Livre de Porreta, na Itália. Terra em transe (1967) recebe o prêmio Luís Buñuel no Festival de Cannes. E O dragão da maldade contra o Santo Guerreiro (1969) ganha o prêmio de melhor direção, também em Cannes. Na década de 70 filma no Quênia, África, O leão de sete cabeças, e na Espanha Cabeças cortadas, que teve sua exibição no Brasil proibida pela censura até 1979.

Seus filmes, festejados pela crítica, não tiveram êxito comercial. Deus e o diabo na taerra do sol mostra um Brasil faminto, oprimido, injustiçado e religioso, retratado de uma forma bastante inovadora do ponto de vista estético. Em Terra em transe fez uma severa crítica ao populismo.

Viveu no início da década de 1970 no exterior, onde realizou filmes sobre movimentos populares pela Europa e África. Em As armas e o povo, que documenta as ruas de Portugal durante a revolução de 25 de abril de 1974, que derrubou o regime fascista iniciado nos anos 1920 por Antonio Salazar, destaca-se na frente das câmeras, como entrevistador.

Atuou também no longa O rei do milagre, um de seus raros trabalhos como ator. O filme foi realizado em 1971 na praia de Tarituba (RJ) pelo "Grupo Glauber", integrado pelo ator Joel Barcellos, pelo cartunista italiano Francesco Tulio Altan e pelo produtor italiano Gianni Barcelloni.

Como jornalista, Glauber colaborou com o Pasquim, a Folha de S. Paulo e o Jornal do Brasil, entre outros, além de uma breve passagem pela televisão, no programa Abertura, da Rede Bandeirantes, em meados dos anos 1970. Publicou o romance Riverão Suassuna em 1977, e realizaou os documentários Di Cavalcanti e Jorge Amado no cinema, sendo o primeiro filmado durante o velório do pintor Emiliano di Cavalcanti no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em outubro de 1976, e premiado em Cannes, no mesmo ano, com o prêmio Especial do Júri. O seu último filme é A idade da terra, de 1980. Em agosto de 1981, é internado em Lisboa com problemas broncopulmonares. Já em coma, foi transferido para o Rio de Janeiro, onde morreu no mesmo mês.

Sobre o cineasta e sua obra já foram publicados diversos livros, dentre eles, Sertão mar: Glauber Rocha e a estética da fome, de Ismail Xavier; Glauber Rocha - Textos e entrevistas com Glauber Rocha, de Sylvie Pierre e Glauber Rocha - Cartas ao mundo, de Ivana Bentes. Foram ainda produzidos os vídeos Glauber Rocha - Quando o cinema virou samba, dirigido por José Roberto Torero, e que Que viva Glauber, dirigido por Aurélio Michiles.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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