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O Governo de Juscelino Kubitschek

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Carlos Coimbra da Luz nasceu em Três Corações (MG) no dia 4 de agosto de 1894, filho de Alberto Gomes Ribeiro da Luz e de Augusta Coimbra da Luz. Diplomou-se em Direito em fins de 1915, sendo nomeado pouco depois delegado de polícia de Leopoldina e professor de geografia, corografia e cosmografia da Escola Normal da cidade. Em 1920 passou a dedicar-se à advocacia e ao jornalismo.

Em 1923 foi eleito vereador em Leopoldina, assumindo em seguida a presidência da Câmara Municipal e, depois, a prefeitura da cidade, com mandato de três anos. Reeleito, iniciou em 1927 seu segundo mandato, de quatro anos.

Em setembro de 1932 foi nomeado secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas de Minas Gerais. Em 15 de dezembro assumiu o cargo de secretário do Interior. Em outubro de 1934, foi eleito deputado federal na legenda do Partido Progressista (PP) de Minas Gerais. Deixando seu cargo no governo do estado em janeiro de 1935, iniciou seu mandato em maio seguinte.

Em 1937, com o golpe que implantou o Estado Novo, Carlos Luz não tardou a ser nomeado por Vargas para o conselho administrativo da Caixa Econômica Federal (RJ). Em dezembro de 1938 foi eleito vice-presidente da instituição, tornando-se pouco depois membro do conselho e diretor da Companhia de Seguros Minas-Brasil, em cujos cargos permaneceria durante toda a vida.

Em julho de 1939 foi eleito presidente da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro, passando a integrar, nesta qualidade, o Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais. Foi reeleito para o cargo em novembro de 1942, nele permanecendo até fevereiro de 1946.

Com o fim do Estado Novo, foi convidado por Dutra para ocupar a pasta da Justiça do novo governo, empossado em janeiro de 1946. Posteriormente, nas eleições suplementares para a Câmara dos Deputados realizadas em 1947, Carlos Luz foi o único candidato eleito na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Ainda no mesmo ano, assumiu o cargo de diretor-presidente do Banco Ribeiro Junqueira S.A.

Foi reeleito para dois mandatos sucessivos na Câmara dos Deputados, em 1950 e 1954. Empossado em seu segundo mandato em fevereiro de 1955, Carlos Luz foi eleito presidente da Câmara dos Deputados.

A normalidade do processo eleitoral animou o governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, a manter seu projeto de disputar as eleições para a presidência da República marcadas para outubro de 1955. A convenção nacional do PSD reunida em fevereiro de 1955 homologou a candidatura de Kubitschek. Confirmando a posição adotada desde novembro, as seções estaduais de Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de representantes da Bahia e do Distrito Federal, recusaram-se a apoiar a candidatura ratificada e formaram uma dissidência que propôs ao partido, como alternativa a Juscelino, os nomes de Etelvino Lins, Nereu Ramos, Carlos Luz e Lucas Lopes.

Juscelino e Goulart foram eleitos com, respectivamente, 35,6% e 44,3% dos votos dados aos candidatos a presidente e vice-presidente da República. Logo após a proclamação dos resultados, a UDN deflagrou uma campanha liderada pelo deputado Aliomar Baleeiro contra a posse dos eleitos, alegando que eles não haviam obtido a maioria absoluta dos sufrágios. O ministro da Guerra, general Lott, reiterou então sua posição favorável à posse dos eleitos, mas a crise não foi solucionada.

No dia 5 de novembro, Carlos Luz visitou o Ministério da Guerra para se inteirar da situação do Exército. No dia 8, informado pelos médicos que deveria ficar inativo pôr alguns dias por motivo de doença o presidente Café Filho, que havia assumido a presidência após o suicídio de Vargas, comunicou aos ministros sua decisão de transmitir imediatamente o governo a Carlos Luz que, como presidente da Câmara dos Deputados, seria seu sucessor legal. Na tarde do mesmo dia, Luz foi empossado na presidência da República. Reuniu o gabinete no dia 9, comunicando aos ministros de Café Filho sua intenção de mantê-los nos cargos. Lott colocou imediatamente a pasta da Guerra à disposição de Luz, que aceitou imediatamente seu pedido de demissão e nomeou o general Álvaro Fiúza de Castro como o novo titular do ministério.

A notícia da demissão de Lott provocou intensa atividade nos círculos políticos e militares ligados a Juscelino. Na manhã do dia 11 o almirantado decidiu acatar a decisão que o Congresso viesse a tomar quanto ao problema presidencial, revelando assim a existência de divisão no interior da Marinha. Às 18:30h o general Lott empossou Nereu Ramos na presidência da República até a saída de Café Filho do hospital. Em seguida, o novo presidente nomeou os ministros do seu gabinete, reconduzindo Lott à pasta da Guerra. No dia 24, atendendo a uma solicitação oriunda dos ministros militares, o Congresso decretou o estado de sítio, prorrogado em 1º de janeiro de 1956 até 21 de fevereiro seguinte. Nesse intervalo, em 31 de janeiro, Nereu Ramos passou o governo a Juscelino Kubitschek.

Depois do 11 de Novembro de 1955, Carlos Luz teve uma atuação política apagada, menos vinculada à contemporaneidade dos fatos do que à polêmica retrospectiva em torno do movimento que, impedindo sua permanência e a volta de Café Filho à presidência, garantira a posse de Juscelino e Goulart. Em 3 de outubro de 1958 foi mais uma vez eleito para a Câmara dos Deputados. Entre 1951 e 1957 integrou a diretoria da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Casou-se com Maria José Dantas Luz, de quem ficou viúvo e com quem teve dois filhos e, em segundas núpcias, com Graciema Junqueira da Luz, com quem também teve dois filhos. Faleceu no Rio de Janeiro em fevereiro de 1961.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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