Edmundo Jordão Amorim do Vale nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1º de janeiro de 1933, filho de Luís Gonzaga Amorim do Vale e de Zeferina Jordão Amorim do Vale.
Ingressou na Escola Naval em 1909. Concluído o curso, foi promovido a segundo-tenente em janeiro de 1913. Em setembro de 1917, após ter servido em vários navios, foi promovido a primeiro-tenente. De outubro de 1920 a julho de 1921, cursou a Ford Instrument School, em Nova Iorque.
Participou da repressão à revolta tenentista de 5 de julho de 1922. Promovido a capitão-tenente em fevereiro de 1923, ingressou na Escola Profissional de Artilharia. Integrou uma expedição de forças da Marinha que desembarcou em Santos (SP) para reprimir o movimento tenentista de 5 de julho de 1924.
Em agosto de 1928 passou a servir na Diretoria de Portos e Costas. Com a vitória da Revolução de 1930, Amorim do Vale foi designado para o cargo de ajudante-de-ordens do novo chefe do Estado-Maior da Armada (Ema). Em janeiro de 1931 tornou-se oficial-de-gabinete do ministro da Marinha, o vice-almirante Conrado Heck.
Assumiu a subchefia do gabinete ministerial em novembro de 1932 e foi promovido a capitão-de-corveta em agosto de 1933. Voltou a integrar a subchefia de gabinete do ministro de março a novembro de 1935 ingressando, a seguir, na Escola de Guerra Naval. Concluiu o curso de comando em fevereiro de 1937, passando a servir na Missão Naval norte-americana.
Em janeiro de 1942, Amorim do Vale foi nomeado adido naval junto à embaixada brasileira em Washington, e em junho foi promovido a capitão-de-fragata. Em janeiro de 1953 tornou-se diretor-geral de Hidrografia e Navegação da Armada. Nos meses de janeiro e março do ano seguinte foi promovido respectivamente a vice-almirante e a contra-almirante. De março de 1954 até o final do ano, cursou a Escola Superior de Guerra (Esg).
Ao longo do ano de 1954, intensificou-se a campanha de oposição ao presidente Getúlio Vargas, na qual Amorim do Vale teve papel de destaque. Após o suicídio do presidente, no dia 24 de agosto, e a posse do vice-presidente João Café Filho, foi nomeado ministro da Marinha, assumindo o cargo em 26 de agosto.
Em novembro de 1954 a sucessão presidencial passou a constituir a questão prioritária da política nacional. Nesse momento, o Partido Social Democrático (PSD) lançou extra-oficialmente a candidatura do então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, à presidência da República. Em janeiro de 1955 Amorim do Vale entregou a Café Filho um documento sigiloso assinado por ele e pelos outros dois ministros militares, o general Henrique Lott, da Guerra, e o brigadeiro Eduardo Gomes, da Aeronáutica, bem como por destacados oficiais das forças armadas. Ressaltando a conveniência de um candidato único e civil que deveria ser aprovado pelos militares, e apelando aos dirigentes dos principais partidos políticos para solucionarem a questão "em um nível de colaboração interpartidária", o documento logo começou a transpirar na imprensa.
No dia 27 de janeiro de 1955, Café Filho, com a concordância dos signatários, divulgou o documento na íntegra no programa radiofônico A voz do Brasil. Nessa mesma época udenistas radicais iniciaram uma campanha visando um golpe militar para impedir a eleição de Kubitschek, criando um sério impasse à sucessão presidencial. Diante desses acontecimentos, em reunião realizada no dia 10 de fevereiro com a participação de Amorim do Vale, do general Henrique Lott, do general Canrobert Pereira da Costa, chefe do Estado Maior das Forças Armadas (Emfa) e de alguns líderes pessedistas, ficou decidido o apoio das forças armadas à manutenção da legalidade e à realização das eleições presidenciais na data prevista.
Efetivamente, em 3 de outubro deste ano, Juscelino Kubitschek e João Goulart, candidatos da aliança entre o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), elegeram-se presidente e vice-presidente da República. Objetivando impedir a posse dos eleitos, a União Democrática Nacional (UDN) desencadeou uma campanha para anular as eleições. Na área militar, Amorim do Vale e o brigadeiro Eduardo Gomes tentaram persuadir o general Henrique Lott a pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em nome das forças armadas, para que este acatasse as teses udenistas. Lott, entretanto, foi contra a interferência dos ministros militares na questão, afirmando seu apoio à posse dos candidatos eleitos.
Em fevereiro de 1957 Amorim do Vale foi transferido para a reserva no posto de almirante-de-esquadra. Em 1959 foi processado por ordem do ministro Alves Câmara, em conseqüência de declarações prestadas ao jornal Diário de Notícias a respeito dos acontecimentos de novembro de 1955.
Casou-se com Nair de Sá Amorim do Vale, com quem teve três filhos. Faleceu em novembro de 1971.
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