Televisão
Com a inauguração, em setembro de 1950, da primeira emissora da TV Tupi, em São Paulo, o país tornava-se o primeiro do continente e o quarto do planeta a possuir o meio de comunicação que em pouco tempo transformaria toda a vida em sociedade. À Tupi seguir-se-iam a TV Paulista, a TV Record, a TV Cultura e, já ao final da década, a TV Excelsior, em São Paulo. À inauguração da TV Tupi no Rio, em 1951, seguiu-se, anos mais tarde a da TV Rio e a da TV Continental.
Naquele começo, a televisão ainda perdia para o cinema e para o rádio, diversões preferidas da maior parte da população. Sua gestão, tanto artística quanto administrativa, era ainda semiprofissional, assim como suas potencialidades educativas, políticas e comerciais eram apenas estimadas. Com as limitações tecnológicas do período, a transmissão era feita sempre ao vivo, com o auxílio apenas de filmes, e o raio de difusão era limitado ao âmbito regional. Mesmo assim, quando Juscelino Kubitschek assumiu o governo em 1956, algumas das primeiras mudanças trazidas pelo novo veículo já se faziam notar. Com o processo de industrialização do país, acelerado pelo novo governo, a televisão e o automóvel passariam a ser sinônimos de modernidade e progresso.
Naquele mesmo ano de 1956, teve início a expansão da televisão para além dos grandes centros, já que até então as transmissões alcançavam um raio de apenas 100 quilômetros. A primeira emissora a transmitir em rede foi a Record, de São Paulo. Ao mesmo tempo, iniciou-se a ascensão da tv ao topo do mercado publicitário brasileiro. Os potenciais propagandísticos do veículo foram rapidamente percebidos, e seu uso por políticos em campanha tornou-se freqüente, o que acabou se refletindo também nas políticas de concessão dos canais e de regulação da nova ferramenta de debate e proselitismo.
Existiam cerca de 200 mil aparelhos de televisão no Brasil quando uma séria crise militar irrompeu no governo JK, em novembro de 1956, pelas declarações antigovernistas do general Juarez Távora transmitidas pela TV Tupi, em franca desobediência a recomendações do então ministro da Guerra, o general Henrique Lott. Távora foi punido por seu pronunciamento. Em 1957, novas críticas à política do presidente Juscelino Kubitschek provocaram a censura ao programa Noite de gala, da TV Rio. Em 1960, foi a vez das eleições movimentarem politicamente a televisão. Carlos Lacerda utilizou intensamente a programação da TV Rio em favor da candidatura de Jânio Quadros à presidência da República, apoiada pela UDN.
O final da década assistiria à introdução de uma das maiores inovações tecnológicas da história do veículo. Em 1960, no programa Chico Anísio show da TV Rio, utilizaram-se pela primeira vez os recursos do videoteipe na televisão brasileira. Outras emissoras logo se beneficiaram da novidade, descobrindo novos usos e aplicações. Os tempos da improvisação e das gafes folclóricas de garotas-propaganda começavam a ser superados.
Como sinal da rápida maturação do novo veículo e das grandes transformações que viriam logo adiante, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo puderam assistir, em abril de 1960, à inauguração de Brasília, graças ao envio de gravações em videoteipe do evento. Ao findar a década - e o governo de Juscelino Kubitschek - o país tinha bem mais do que decuplicado o número de residências dotadas de aparelhos de tv: de cerca de 34 mil, em 1954, passara-se para 598 mil em 1960.
Fernando Lattman-Weltman
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