Teatro
Da mesma maneira que no cinema, a renovação estética no teatro ligou-se não só à temática, mas também à forma de encenação. Com um despojamento semelhante ao do cinema, o novo espetáculo teatral se fazia sem cenários, num palco no centro da platéia, impondo maior entrosamento entre atores e público. A interpretação e a temática eram igualmente mais realistas.
A introdução desse tipo de experiência no Brasil coube ao Teatro de Arena de São Paulo, criado em 1953 já com uma disposição cênica distinta da que se usava até então. A arena, com os atores no centro da sala e o público em redor, implicava não só uma redução do espaço físico teatral, mas também o menor custo dos cenários. A partir de meados da década de 1950, juntamente com o Teatro Paulista do Estudante, o Teatro de Arena passou a privilegiar a abordagem dos problemas sociais e políticos, num esforço de conscientização e de criação de um teatro popular, abolindo definitivamente a interpretação grandiloqüente em prol da representação mais realista. Trazer para a cena a realidade brasileira, encenando textos da dramaturgia nacional, contrapunha-se ao que fazia o Teatro Brasileiro de Comédia, que produzia espetáculos caros com uma dramaturgia que não expressava os problemas nacionais, dirigida aos estratos médios e altos da sociedade.
Romper com a temática e a forma convencional de representação teatral foi também um dos objetivos do Grupo Oficina, formado em 1958 por universitários da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na capital paulista. Apesar das propostas distintas que orientavam os dois grupos, tanto o Teatro de Arena quanto o Oficina, liderados respectivamente por Augusto Boal e José Celso Martinez Corrêa, desenvolveram suas experiências em sintonia com o teatro de vanguarda norte-americano e europeu e com a dramaturgia do alemão Bertold Brecht.
Ainda em meados da década de 1950, novos autores surgiriam na dramaturgia brasileira, voltados para uma temática nacional, como foi o caso de Oduvaldo Viana Filho e Gianfrancesco Guarnieri. Entre as peças escritas e exibidas nessa época figuram Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri; Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Viana Filho, e Revolução na América do Sul, de Augusto Boal. O desenvolvimento das questões colocadas por esses grupos e esses dramaturgos teve importantes e variados desdobramentos para o teatro brasileiro nas décadas seguintes, tanto no que dizia respeito à conscientização popular e ao esforço de atingir um público amplo, quanto à possibilidade de aprofundamento das questões de caráter estético.
Mônica Almeida Kornis
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