Imprensa
Os anos JK foram marcados por mudanças significativas na imprensa brasileira, com a introdução de novas técnicas de apresentação gráfica, inovações na cobertura jornalística e renovação da linguagem. Foi nesses anos que o Diário Carioca, jornal do Rio de Janeiro, introduziu o lead e criou em sua redação uma equipe de copidesque que passou a desempenhar papel formador de novos quadros para o jornalismo. Foi nesses anos, também, que se fez a reforma do Jornal do Brasil, tão importante para se entender as transformações subseqüentes nos jornais de todo o país.
Na segunda metade da década de 1950, a imprensa brasileira começou a abandonar uma de suas tradições: o jornalismo de combate, de crítica, de doutrina e de opinião. Essa forma de jornalismo político convivia com o jornalismo popular, que tinha como característica o grande espaço para o fait divers, para a crônica e para o folhetim. A objetividade da linguagem não era uma preocupação. Gradualmente, passou-se a praticar um jornalismo que privilegiava a informação, que separava o comentário pessoal da transmissão objetiva da notícia. O crescimento dos jornais e revistas passou também a depender mais da publicidade do que dos anúncios classificados. Ainda nesse período predominavam os jornais vespertinos, mas, com a chegada da televisão, sobretudo a partir dos anos 60, eles foram cedendo o lugar aos jornais matutinos.
Quando se observa a imprensa escrita de maior circulação no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, verifica-se que a contestação da eleição e da posse de Juscelino Kubitschek partiu dos jornais O Globo e Diário de Notícias, do Rio, e O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Todos eles estavam identificados com a UDN, encamparam a tese da maioria absoluta e se posicionaram contra a posse de JK.
O Diário Carioca e a Última Hora, do Rio de Janeiro, e o Estado de Minas defenderam a política de Juscelino durante todo o seu período de governo. Outros jornais, como o Correio da Manhã, O Jornal, Diário da Noite, Jornal do Brasil, apresentaram críticas à política econômica então adotada, mas não fizeram oposição sistemática a JK.
A construção de Brasília atraiu uma grande oposição ao governo. O Correio da Manhã via na transferência da capital o esvaziamento político do Rio de Janeiro. Já O Jornal assumiu posições contraditórias: Brasília foi apontada ao mesmo tempo como possível geradora de um processo inflacionário e como "abertura para o oeste e um núcleo político e social no centro do país". O Jornal do Brasil foi declaradamente contrário a Brasília e acusou JK de responsável pela corrupção e pelos desmandos havidos na construção da cidade. Condenou a política econômica de JK e chegou a defender as pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o governo para que este contivesse a inflação. Mas apoiou medidas do governo, como o trabalho de Celso Furtado na Sudene e a Operação Pan-Americana. O Estado de S. Paulo, embora criticasse a construção de Brasília por considerá-la a causa da inflação do período, quando da inauguração da nova capital, em 21 de abril de 1960, publicou um encarte especial sobre o acontecimento e ressaltou a importância de Brasília, que se tornara um centro de atração mundial por sua arquitetura. A Folha de S. Paulo defendeu o modelo econômico adotado por JK, mostrando-se favorável à associação com capital estrangeiro, que traria para o país tecnologia mais avançada. O jornal O Globo manteve uma oposição sistemática ao governo e em seus editoriais criticava a construção de Brasília, atribuindo a inflação aos elevados gastos de JK. O Globo também defendeu a posição do FMI, que preconizava maior combate à inflação e restrição ao crédito, mas viu como positiva a implantação da indústria automobilística.
A década de 1950 conheceu uma vigorosa imprensa nacionalista, devido, em parte, ao fato de que os jornais de maior circulação e prestígio, os do eixo Rio-São Paulo, não abriam espaço para a divulgação das posições nacionalistas, pois defendiam teses favoráveis à participação de capitais estrangeiros no desenvolvimento industrial do país. Para romper as dificuldades de divulgação de suas idéias, os nacionalistas criaram pequenos jornais, em geral tablóides semanais. O jornal nacionalista O Semanário começou a circular no início do governo JK, em abril de 1956, mas sua viabilidade dependia da solidariedade militar, principalmente do Exército.
As revistas ilustradas semanais, com circulação nacional, tiveram seu período áureo durante os anos JK, com a introdução de uma nova estética na distribuição das fotografias. A revista O Cruzeiro (do Rio) deu espaço a grandes reportagens onde a cor e as imagens eram dominantes, e apoiou sem muito alarde o governo JK. A revista Manchete (também do Rio) foi grande divulgadora das propostas desenvolvimentistas de JK e valorizou o slogan "50 anos em 5". A Manchete foi a primeira empresa jornalística a instalar uma sucursal em Brasília. Estabeleceu-se uma forte relação de amizade entre o dono da empresa, Adolfo Bloch, e Juscelino Kubitschek, o que levou inclusive a família do ex-presidente a decidir, quando da sua morte em 1976, a velar seu corpo na sede da Manchete.
A revista mensal Senhor, publicada no Rio de Janeiro a partir de março de 1959, apresentou características gráficas ousadas, com formato e paginação muito originais. Deu grande destaque aos ensaios fotográficos. O conteúdo da revista privilegiava os temas culturais e abria espaço especialmente para as artes. Foi a revista que melhor divulgou as inovações artísticas e culturais que tiveram lugar durante os anos JK.
Alzira Alves de Abreu
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