Cinema
A renovação estética no cinema da década de 1950, da mesma forma que no teatro, veio acompanhada por questões de ordem política: tratava-se fazer um cinema com nova linguagem e temática popular. A absorção de aspectos da cultura popular era um movimento geral que abrangia todo o cinema da época, desde aquele produzido pela Vera Cruz, passando pelas chanchadas, até os filmes feitos por jovens que iriam promover uma verdadeira revolução estética no cinema brasileiro. Nelson Pereira dos Santos foi o primeiro deles, podendo ser considerado o precursor do que no início dos anos 60 passaria a ser denominado cinema novo.
Essa fase inicial do chamado cinema brasileiro moderno foi bastante influenciada pelo neo-realismo italiano, que, pretendendo abordar os efeitos da guerra
e problemas de ordem social, documentou a realidade através do cinema. Roma Cidade Aberta (1945), de Roberto Rosselini, e O Ladrão de Bicicleta (1948), de Vitorio de Sica, são dois filmes bastante conhecidos do período. No Brasil, foram os filmes Rio 40 graus (1955) e Rio Zona Norte (1957), ambos dirigidos por Nelson Pereira dos Santos, que inauguraram o diálogo com o neo-realismo, trazendo à tela o universo urbano. O mesmo Nelson Pereira dos Santos produziu logo depois O Grande Momento (1958), dirigido por Roberto Santos. Ao contrário do cinema industrial, tratava-se de produções de baixo orçamento e de caráter autoral que, numa linguagem realista, traziam uma abordagem humanista tanto da realidade nacional quanto da cultura popular. Entre as mudanças estéticas mais importantes, destaca-se a utilização de longas seqüências que procuravam um registro da realidade tal como ela se apresentava.
Esse movimento se desenvolveu sobretudo no Rio de Janeiro e na Bahia, onde, já no fim da década de 1950, existia uma intensa atividade cineclubista. O grande nome do cinema novo, Glauber Rocha, iniciava então sua carreira em Salvador, com a realização de seu primeiro filme, o curta-metragem O Pátio (1959), e as primeiras filmagens do que viria a ser seu primeiro longa-metragem, Barravento, lançado três anos depois. As inovações estéticas empreendidas por Glauber Rocha e outros cineastas viriam a aprofundar ainda mais a renovação da linguagem do cinema brasileiro nas décadas futuras.
Mônica Almeida Kornis
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