Descolonização afro-asiática
O processo de descolonização da Ásia e da África ganhou um grande impulso após a Segunda Guerra Mundial, em parte devido ao declínio internacional de potências coloniais como a França e a Grã-Bretanha, em parte devido ao crescimento de movimentos de libertação nacional dentro das próprias colônias.
O primeiro grande movimento de descolonização, ocorrido durante a década de 1940, atingiu principalmente os países asiáticos - Índia, Paquistão, Birmânia, Ceilão, Indonésia. Já nos anos 50, tal movimento deslocou-se para a África, onde se assistiu à independência de países como Gana, Quênia, Senegal e Congo Belga, além do início do movimento de libertação nacional na Argélia. Cientes de que possuíam um perfil histórico e econômico-social próprio, esses Estados nascentes procuraram articular suas similaridades e demandas internacionais nas chamadas Conferências de Solidariedade Afro-Asiáticas, realizadas em Bandung (1955) e no Cairo (1957).
O Brasil, uma ex-colônia que compartilhava muitas das características daqueles países, sobretudo em termos de luta contra o subdesenvolvimento, enviou observadores diplomáticos a ambas as conferências. Contudo, amarras tradicionais na diplomacia brasileira ainda a impediam de assumir uma posição de apoio mais agressivo à emergência do Terceiro Mundo no sistema internacional. A persistência de uma aliança quase que automática com o "mundo ocidental" (do qual as potências coloniais eram parte) e, principalmente, os supostos "laços especiais de amizade" que uniriam Brasil e Portugal (outra potência colonial) ainda se apresentavam como grande obstáculo a essa tomada de posição.
Alexandra de Mello e Silva
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