
Clube 3 de Outubro
Após a vitória da Revolução de 1930, que teve início no dia 3 de outubro e se encerrou no dia 24 com a deposição do presidente Washington Luís, um Governo Provisório foi instalado sob a chefia de Getúlio Vargas em 3 de novembro. As forças que sustentaram
Vargas ao longo do período revolucionário - de um lado os "tenentes" e, de outro, os políticos ligados às oligarquias descontentes - não conseguiram, porém, manter sua aliança e logo entraram em conflito.
Nesse contexto, os principais líderes do movimento tenentista decidiram criar, em fevereiro de 1931, uma organização política que divulgasse as propostas do grupo. Essa organização recebeu o nome de "Club" 3 de Outubro, em homenagem à data do início da revolução.
Seus integrantes defendiam o prolongamento do Governo Provisório e o adiamento da reconstitucionalizacão do país.
A primeira diretoria foi formada por Góes Monteiro (presidente),
Pedro Ernesto (primeiro vice-presidente), Herculino Cascardo (segundo vice-presidente), Oswaldo Aranha (terceiro vice-presidente), Augusto do Amaral Peixoto (tesoureiro), Temístocles Brandão Cavalcanti (primeiro-secretário) e Hugo Napoleão (segundo-secretário).
Em junho de 1931, Pedro Ernesto assumiu a presidência do Clube e por sua influência diversos "tenentes" foram nomeados interventores federais nos estados. O próprio Pedro Ernesto assumiu o governo do Distrito Federal como interventor em setembro de 1931.
Em fevereiro de 1932, o Clube divulgou o esboço de seu Programa, que criticava o federalismo oligárquico da República Velha e fazia a defesa de um governo central forte; da intervenção estatal na economia; da convivência da representação política de base territorial com a representação corporativa,
eleita por associações profissionais reconhecidas pelo governo; da eliminação do latifúndio mediante tributação ou simples confisco; da nacionalização de várias atividades econômicas, como transportes, exploração dos recursos hídricos e minerais, administração dos portos etc.; da instituição da previdência social e da legislação trabalhista.
Ainda em fevereiro de 1932, o governo federal promulgou o Código Eleitoral. Os membros do Clube, contrários à promulgação do Código, participaram do empastelamento do Diário Carioca,
jornal alinhado às forças favoráveis à reconstitucionalização do país. Esse ato desencadeou séria crise política e marcou o declínio de influência do Clube junto ao governo federal. Em julho seguinte, quando se realizou sua primeira convenção nacional,
a organização já dava sinal de esvaziamento. Entre julho e outubro, com a deflagração da Revolução Constitucionalista em São Paulo, suas atividades foram quase inteiramente interrompidas. A partir de outubro, o Clube ressurgiu defendendo princípios
autoritários e de exacerbado nacionalismo, o que resultou no afastamento de várias de suas antigas lideranças.
Em novembro de 1933, instalou-se a Assembléia Nacional Constituinte que, em julho de 1934, deveria promulgar a Constituição e eleger
o presidente da República. O Clube 3 de Outubro defendeu a candidatura do general Góis Monteiro. Entretanto, essa candidatura não obteve o apoio desejado e foi retirada antes da eleição. No dia 17 de julho, Getúlio Vargas foi eleito pelos constituintes com 175 votos.
Em abril de 1935, por decisão própria, o Clube 3 de Outubro foi dissolvido.
Adelina Novaes e Cruz
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