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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
<<  Roland Corbisier

Roland Cavalcanti de Albuquerque Corbisier nasceu na cidade de São Paulo, no dia 9 de outubro de 1914, filho de Gabriel Corbisier e de Dulce Cavalcanti de Albuquerque Corbisier.

Ingressou em 1932 na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e na Faculdade de Filosofia de São Bento. Ainda acadêmico, integrou o círculo de intelectuais que se agrupavam em torno de Plínio Salgado, participando do movimento integralista desde o início. Diplomado em direito em 1936, em 1940, participou da fundação do Centro de Estudos Jackson de Figueiredo. Após a volta de Plínio Salgado do exílio em 1945, rompeu com o integralismo.

Em fins de 1949 tornou-se diretor da Divisão de Ação Social da Reitoria da Universidade de São Paulo e conselheiro do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo. Em 1952 fundou o Instituto de Economia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Ainda em 1952, com a ampliação dos debates sobre a questão do petróleo e os rumos do desenvolvimento nacional, Corbisier participou de um grupo de estudos conhecido como "grupo Itatiaia", que, no ano seguinte, foi formalmente organizado sob o nome de Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP), que passou a editar a revista Cadernos do Nosso Tempo.

Em 1954, Corbisier transferiu-se para o Rio de Janeiro passando a trabalhar no Ministério da Educação e Cultura (MEC). No governo de João Café Filho (1954-1955), foi nomeado secretário da Assistência Técnica de Educação e Cultura do MEC. Em julho de 1955, foi criado, no lugar do IBESP, o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), órgão do MEC dotado de autonomia administrativa e de liberdade de pesquisa, de opinião e de cátedra, destinado ao estudo, ao ensino e à divulgação das ciências sociais. Corbisier foi escolhido para o cargo de diretor-executivo. Iniciando suas atividades no momento em que Juscelino Kubitschek assumia a presidência da República (1956-1961), o ISEB elaborou uma ideologia "nacional-desenvolvimentista" em cuja divulgação Corbisier teve papel destacado. Em 1958, uma crise interna dividiu o instituto. O grupo liderado por Hélio Jaguaribe opôs-se à corrente da qual faziam parte Corbisier e Alberto Guerreiro Ramos, favorável a uma ação menos acadêmica e mais engajada, e acabou deixando o instituto.

Em 1960, Corbisier filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Elegendo-se, em outubro, deputado à Assembléia Constituinte do estado da Guanabara, deixou então a direção do ISEB. Eleito em outubro de 1962 primeiro suplente de deputado federal pela Guanabara, em agosto de 1963 assumiu uma cadeira na Câmara Federal, vindo a integrar o grupo que apoiava com mais vigor a política nacionalista e as reformas de base propostas pelo presidente João Goulart (1961-1964).

Com o golpe militar de 31 de março de 1964 que depôs Goulart, Corbisier foi incluído na primeira lista de cassados constante do Ato Institucional nº 1 (AI-1), editado no dia 9 de abril. Três dias depois foi decretada a extinção do ISEB e, em seguida, instaurado um inquérito policial-militar (IPM) para apurar suas atividades. Corbisier, assim como os demais diretores e professores do ISEB, foi arrolado no IPM. Acusado de ter negociado o apoio dos comunistas a Francisco Negrão de Lima, eleito governador da Guanabara em outubro de 1965, pela coligação oposicionista PTB-Partido Social Democrático, Corbisier esteve preso nos meses de novembro e dezembro

Entre 1971 e 1974 Corbisier foi assessor editorial da Enciclopédia Mirador Internacional, colaborando na área de filosofia. A partir de então, voltou a ministrar cursos e proferir conferências sobre filosofia, política e estética. No final dos anos 1980, tornou-se membro do Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Imprensa.

Casou-se com Camila Cerqueira César Corbisier, com quem teve dois filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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