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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
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Renato de Almeida Guillobel nasceu no dia 8 de outubro de 1892, no Rio de Janeiro, filho do almirante José Cândido Guillobel e de Elisa de Almeida Guillobel.

Formado guarda-marinha na Escola Naval, em 1911, em outubro de 1917 passou a servir no cruzador Bahia, quando o navio foi incorporado às forças da Tríplice Entente - Inglaterra, França e Rússia -, que lutavam na 1a Guerra Mundial. Em novembro de 1924 participou da repressão ao levante do encouraçado São Paulo, movimento liderado por Herculino Cascardo em apoio aos revoltosos paulistas de 1924. Em 1932 tomou parte, ao lado das forças do Governo Provisório, do combate à Revolução Constitucionalista deflagrada em julho, em São Paulo.

Adido naval às embaixadas do Brasil na Argentina, Uruguai e Paraguai de 1934 a 1936, em 1938, já durante o Estado Novo (1937-1945), integrou a comissão que elaborou o estatuto dos militares. Com a entrada do Brasil na 2a Guerra Mundial, em agosto de 1942, seguiu para Recife com o Marcílio Dias, navio que então comandava, incorporando-se à Força Naval do Nordeste, que em seguida passou a integrar a 4ª Esquadra norte-americana, que operava no Atlântico Sul. Em 1944, foi nomeado diretor-geral do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Chefe de gabinete do almirante Jorge Dodsworth Martins, ministro da Marinha durante o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), no final de janeiro de 1951, o presidente Getúlio Vargas, eleito em outubro de 1950, nomeou-o titular da pasta da Marinha. No decorrer de 1952, graças a empréstimo concedido pelo Banco do Brasil, pôde dar início à construção da base naval de Recife, do quartel de fuzileiros navais de Uruguaiana (RS) e de parte do Centro de Instrução do Corpo de Fuzileiros Navais da Ilha do Governador, no Rio.

Diante da crise política desencadeada pela notícia do envolvimento de membros da guarda pessoal de Getúlio no atentado da rua Toneleros, no Rio, em 5 de agosto, que resultara na morte do major-aviador Rubens Vaz e causara ferimentos no líder oposicionista Carlos Lacerda, Guillobel reuniu-se no dia 22, no Ministério da Marinha, com os oficiais de seu gabinete e vários almirantes para discutir a situação política. Na noite do dia 23, em reunião do ministério no palácio do Catete, Vargas indagou a cada um dos ministros o que deveria ser feito para solucionar a crise. Na ocasião, Guillobel declarou que, embora estivesse "decidido a acompanhá-lo" na decisão que viesse a tomar, "a maioria dos chefes da Marinha" era contrária ao governo. Às cinco horas da manhã do dia 24, a reunião foi encerrada por Vargas, que concordou em se licenciar da presidência. Poucas horas depois, foi divulgada a notícia de seu suicídio.

Em novembro de 1955, após o afastamento do presidente em exercício Carlos Luz, substituto de Café Filho, por um movimento militar liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, Guillobel assumiu a chefia do Estado-Maior da Armada. Ministro interino da Marinha entre junho e julho de 1956, devido ao afastamento do titular, almirante Antônio Alves Câmara Júnior, por motivo de saúde, em outubro deixou o serviço ativo da Marinha por ter atingido a idade da aposentadoria compulsória.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de setembro de 1975.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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