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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
<<  Marcos de Sousa Dantas

Marcos Clemente de Sousa Dantas nasceu em São Simão (SP) no dia 16 de junho de 1895, filho de Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas e de Alice Sousa Dantas.

Em 1921, após três anos trabalhando em estabelecimentos bancários, ingressou no Banco do Brasil. Nomeado em 1929 diretor-superintendente do Banco do Estado de São Paulo, em dezembro de 1930, após o triunfo do movimento revolucionário que levou Getúlio Vargas ao poder, foi nomeado pelo interventor federal em São Paulo, João Alberto Lins de Barros, secretário da Fazenda desse estado.

Nessa época, agravou-se a crise econômica mundial. A exportação de café constituía a base da economia brasileira e, com a queda dos preços no mercado internacional, o país entrou em graves dificuldades econômicas. Ao lado de João Alberto, Sousa Dantas foi um dos organizadores, em maio de 1931, do Conselho Nacional do Café (CNC), cujo objetivo era elaborar uma política nacional para o produto reunindo todos os estados produtores. Em novembro, em meio a uma crise envolvendo as forças políticas tradicionais de São Paulo e os partidários do governo federal, Sousa Dantas deixou a Secretaria da Fazenda, assim como a pasta da Agricultura, Indústria e Comércio, que havia assumido 13 dias antes.

Presidente do CNC em 1932, presidiu interinamente o Banco do Brasil durante quatro dias, de 23 a 27 de julho de 1934. Nesse mesmo ano, assumiu a direção da Carteira Cambial daquele banco, permanecendo no cargo até 1935. Em janeiro de 1935, dirigiu carta ao ministro da Fazenda, Artur de Sousa Costa, manifestando-se contra o pagamento da dívida pública externa, posição que gerou uma crise na área econômica do governo. Como Vargas decidiu-se pelo pagamento da dívida externa, Sousa Dantas deixou o cargo que ocupava em fevereiro.

Ligado à Ação Integralista Brasileira - mais tarde chegou a integrar a Câmara dos Quarenta, órgão máximo dessa organização de inspiração fascista - continuou participando da equipe econômico-financeira do governo, inclusive depois da decretação do Estado Novo (10/11/1937). Em fevereiro de 1939, foi posto à disposição pelo Banco do Brasil para integrar a comitiva do ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, que foi aos Estados Unidos a convite do presidente Franklin Roosevelt. Durante essa visita, os dois países assinaram vários acordos, que estreitaram bastante os vínculos entre Brasil e EUA no campo econômico.

Até 1953, Sousa Dantas exerceu diversas funções no Banco do Brasil, sendo em julho reconduzido à direção da Carteira de Câmbio e assumindo, em agosto, a presidência do próprio banco. Em outubro, juntamente com o ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, editou a Instrução nº 70 da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), extinguindo o câmbio subvencionado e procurando introduzir um tratamento discriminatório (câmbio múltiplo) conforme os produtos, de modo que fosse estimulada a exportação de produtos nacionais. Em setembro de 1954, após o suicídio de Vargas, demitiu-se da presidência do Banco do Brasil.

Foi superintendente da Sumoc entre agosto de 1959 e junho de 1960, no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961).

Faleceu no dia 2 de dezembro de 1964, em Taubaté (SP).

Era casado com Dinorá Maria de Sousa Dantas.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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