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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
<<  Hugo Borghi

Hugo Borghi nasceu em Campinas (SP), em 1910.

Estudou economia política no Instituto Paolo Sarpi, em Veneza, e no Instituto Bocconi, em Milão, Itália. Retornou ao Brasil em 1930 e passou a trabalhar em empresas privadas.

Em 1932, participou como aviador do Movimento Constitucionalista deflagrado pelas forças políticas paulistas contra o governo de Getúlio Vargas. Por conta disso, esteve foragido por um breve período na Argentina e no Paraguai, após a derrota do movimento.

De volta ao Brasil, passou a se dedicar às atividades empresariais. Fez fortuna durante a Segunda Guerra Mundial quando, de posse de informações governamentais sigilosas, realizou grandes negócios no comércio de algodão. Em 1945, através de financiamento federal, adquiriu três emissoras de rádio, transformando-as em instrumento de propaganda do governo Vargas.

Ainda em 1945, integrou-se ativamente ao movimento queremista, que defendia a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte com Vargas no poder. O nome do movimento surgiu do slogan "Queremos Getúlio", utilizado nas manifestrações de rua pró-Vargas.

Após a deposição de Getúlio, deu apoio à candidatura presidencial do general Eurico Gaspar Dutra, insistindo junto a Vargas para que fizesse o mesmo. Quando o ex-presidente, já na reta final da campanha eleitoral, finalmente recomendou o voto em Dutra, Borghi criou o slogan "Ele disse", para divulgar o referido apoio entre as massas populares. Foi Borghi também que atribuiu ao candidato adversário, o brigadeiro Eduardo Gomes, a declaração segundo a qual não necessitava do "voto dos marmiteiros", caracterizando-o como um candidato elitista e antipopular.

No mesmo pleito que deu a vitória a Dutra, elegeu-se deputado federal constituinte por São Paulo, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), agremiação criada a partir das bases sindicais atreladas ao Ministério do Trabalho, durante o Estado Novo. Durante os trabalhos constituintes, foi obrigado a responder a um inquérito no qual era acusado de se beneficiar ilicitamente com o comércio de algodão durante o Estado Novo. Apesar das investigações apontarem a sua culpabilidade, teve seu processo arquivado no Ministério da Justiça.

Nos anos seguintes, adquiriu e arrendou diversas outras emissoras, chegando a controlar cerca de 130 estações de rádio. Paralelamente, deu sequência a uma conturbada carreira política. Por várias vezes abandonou e regressou ao PTB. Sem conseguir obter a indicação do partido para disputar a eleição para o governo paulista em 1947 e 1950, lançou sua candidatura pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Nas duas vezes foi derrotado, na primeira por Ademar de Barros e na segunda por Lucas Garcez. No final da década de 50, deixou definitivamente o PTB e ingressou no pequeno Partido Republicano Democrático (PRD), posteriormente rebatizado como Partido Rural Trabalhista (PRT). Por essa legenda, elegeu-se deputado federal por São Paulo por duas vezes, em 1958 e 1962.

Apoiou a posse de João Goulart na presidência da República após a renúncia de Jânio Quadros, mas esteve ao lado também do movimento militar que depôs Goulart em 1964. Com a instituição do bipartidarismo, ingressou em 1966 na Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar. Deixou a Câmara dos Deputados no início de 1967, ao terminar seu mandato. Em seguida, abandonou a carreira política.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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