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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
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Hélio Jaguaribe de Matos nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1923, filho de Francisco Jaguaribe de Matos e Francelina de Oliveira Santos Jaguaribe de Matos. Em 1946 formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-RJ). Em 1949 tornou-se responsável pelo suplemento cultural semanal do Jornal do Comércio.

Em meados da década de 1950 iniciou um projeto de expansão da Companhia Ferro e Aço de Vitória, de sua família. A nova usina da Ferro e Aço foi concluída em 1961 e até 1964 Jaguaribe dirigiu esse empreendimento, quando renunciou à presidência da empresa.

Em 1952 passou a se reunir mensalmente com um grupo de intelectuais paulistas e cariocas no Parque Nacional de Itatiaia com a finalidade de estudar os problemas que a sociedade enfrentava. Em 1953,os cariocas do grupo de Itatiaia fundaram o Instituto Brasileiro de Economia e Sociologia e Política (Ibesp), do qual Jaguaribe foi secretário-geral. Entre 1953 e 1956, o Ibesp publicou a revista Cadernos de Nosso Tempo, que buscava sintetizar o pensamento do grupo, reunindo ensaios sobre a sociedade e a economia.

Em 1955, os integrantes do Ibesp decidiram ampliar sua ação e criar um óprgão por meio do qual pudessem influenciar nas decisões do poder relativas à orientação do desenvolvimento. Foi criado por decreto do governo de Café Filho o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), um dos núcleos mais importantes de elaboração da ideologia que ficou conhecida como nacional-desenvolvimentismo. A despeito da heterogeneidade das posições pessoais, os intelectuais que integravam o Iseb procuraram formular um projeto de desenvolvimento capitalista.

No fim de 1958, Jaguaribepublicou O nacionalismo na atualidade brasileira, desencadeando uma crise interna no Iseb por criticar o radicalismo de posições que transformavam o nacionalismo em símbolo de uma luta contra a participação de capitais estrangeiros no processo de desenvolvimento. O debate em torno do livro serviu de pretexto para acirrar uma disputa interna que polarizava o Instituto.

O então ministro da Educação, Clóvis Salgado, decidiu reunir o Conselho Curador e Consultivo para deliberar sobre a finalidade do Iseb. Apesar de o resultado da reunião ter sido favorável à posição de Jaguaribe, Roland Corbisier recorreu ao presidente Juscelino Kubitschek e ao ministro da Educação, conseguindo reformular a estrutura do Instituto, aumentando o poder do diretor sem que ficasse submisso ao Conselho Curador. Em 1959 Jaguaribe exonerou-se por discordar dessas mudanças.

Com o golpe militar de 1964 afastou-se do país depois de ter condenado a derrubada de João Goulart, indo lecionar sociologia nos Estados Unidos. De 1964 a 1966 lecionou na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967 na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969 no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Ao retornar ao Brasil em 1969, ingressou nas Faculdades Integradas Cândido Mendes, onde foi diretor de Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Iepes) em 1979, foi designado decano, função que continua exercendo.

Em 1985, coordenou o projeto Brasil 2000, encomendado pelo governo José Sarney. Os resultados foram publicados em 1986 com o título Brasil 2000: para um novo pacto social. A segunda parte do projeto foi lançada em 1988, com o título Brasil: reforma ou caos.

Em meados de 1988 participou da formação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com um programa que defendia os princípios da social-democracia e o sistema parlamentarista de governo. Em 1992, renunciou aos cargos partidários para ser secretário da Ciência e Tecnologia do governo Fernando Collor de Mello, deixando o cargo quando foi aprovado o impeachment do presidente, em 29 de setembro, para dedicar-se exclusivamente à vida acadêmica.

A partir de 1994 passou a dirigir um projeto de pesquisa e análise da história universal — A critical study of history. O projeto liga o Iepes à Universidade de São Paulo e à de Buenos Aires, reunindo cientistas sociais e historiadores do mundo todo. Em 1983 a Universidade Johannes Gutenberg, de Mainz, Alemanha, conferiu-lhe o grau de doutor honoris causa em filosofia, por sua contribuição às ciências sociais e aos estudos latino-americanos. Casou-se com Maria Lúcia Charnaux com quem teve cinco filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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