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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas

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Celso Monteiro Furtado nasceu em Pombal (PB) no dia 26 de julho de 1920, filho de Maurício Medeiros Furtado e de Maria Alice Monteiro Furtado. Em 1944, formou-se em Direito. Em janeiro de 1945 embarcou para a Itália como aspirante a oficial da Força Expedicionária Brasileira (Feb). Retornou ao Brasil em agosto, onde permaneceu até 1946.

Em 1947 viajou para a Inglaterra para um período de estudos na London School of Economics. Retornando ao Brasil, foi trabalhar na Fundação Getulio Vargas. Em 1949 transferiu-se para Santiago do Chile para trabalhar na recém-criada Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). No ano seguinte, em 1950, foi nomeado diretor da divisão de Desenvolvimento Econômico desta Comissão.

Em 1953 transferiu-se para o Rio de Janeiro, convidado para presidir o Grupo Misto de Estudos criado a partir de um convênio celebrado entre a Cepal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). Em outubro de 1955 retornou à sede da Cepal, em Santiago do Chile, para dirigir um estudo sobre a economia mexicana, o que acabou resultando em nova mudança, desta vez para a Cidade do México, em 1956.

Em 1958 foi nomeado pelo presidente Juscelino Kubitschek interventor junto ao Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN). Em janeiro de 1959 realizou-se no Palácio Rio Negro, em Petrópolis (RJ), uma reunião convocada por Kubitschek para discutir a situação do Nordeste, que atravessava grave crise decorrente da seca. Celso Furtado apresentou ao presidente da República os resultados dos estudos que vinha realizando junto ao GTDN, recebendo a incumbência de elaborar um plano de política econômica para aquela região.

Em nova reunião convocada por Kubitschek um mês depois no palácio do Catete, Celso Furtado expôs seu trabalho, lançando-se a idéia de transformação do Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (Codeno) em uma estrutura mais atuante, que daria origem à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), criada como meta especial do governo Kubitschek. Ainda no mês de fevereiro foi enviado ao Congresso Nacional o projeto que propunha a criação da Sudene, com sede em Recife, e a indicação de Celso Furtado como superintendente.

A Sudene foi criada em meio a um grande movimento de opinião pública que assumiu caráter nacional. O anteprojeto de lei dispondo sobre sua criação teve difícil tramitação no Congresso, devido a resistências à nomeação de Furtado para dirigir o órgão. Enquanto trabalhava na organização da entidade, Celso Furtado empenhou-se na luta pela aprovação do projeto no Congresso e por sua aceitação pela opinião pública.

Em 27 de maio de 1959, finalmente, a Câmara dos Deputados aprovou a criação da Sudene, e a 13 de dezembro seguinte foi sancionada a Lei nº 3.692 que instituía o novo órgão, vinculado diretamente à presidência da República. A Sudene era definida como uma agência de desenvolvimento regional, incumbida de planejar e coordenar os programas socioeconômicos de interesse do Nordeste, sendo-lhe conferido o poder de atuar como órgão centralizador dos investimentos federais na região.

Nomeado primeiro superintendente da Sudene, Celso Furtado foi designado pelo BNDE para coordenar em Recife a instalação do novo órgão. A fim de sistematizar os trabalhos e assegurar-lhes continuidade de ação, a Sudene passou a operar em função de planos plurianuais, denominados planos diretores de desenvolvimento econômico e social do Nordeste.

Em maio de 1960 foi encaminhado ao Congresso o primeiro destes planos diretores, que provocou intenso debate político. O plano norteava-se por quatro diretrizes: a sistematização dos investimentos em matéria de transportes, o aumento da capacidade de energia elétrica, o aproveitamento dos recursos humanos e a reestruturação da economia rural. Outros objetivos eram a industrialização, a colonização do Maranhão, a criação de uma reserva alimentar de emergência e o levantamento dos recursos minerais. O plano também facultava à Sudene a organização ou a incorporação de sociedades de economia mista com o fim de executar obras tidas como prioritárias para o desenvolvimento regional.

A oposição ao I Plano Diretor da Sudene - liderada por políticos nordestinos ligados a setores que receavam perder suas posições e privilégios com a atuação da Sudene - foi finalmente derrotada na Câmara dos Deputados que, em agosto de 1961, o aprovou.

Em 25 de agosto de 1961 Jânio Quadros renunciou à presidência da República, provocando uma grave crise política no país. Os ministros militares decidiram vetar a posse do vice-presidente João Goulart. Neste período, Celso Furtado continuou na superintendência da Sudene. Em 1962, nomeado por Goulart para ocupar o ministério do Planejamento, seria incumbido de elaborar, em dois meses, um plano de política econômica para o governo, que foi divulgado oficialmente em 30 de dezembro com o nome de Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social.

A política econômica do governo presidencialista de Goulart baseou-se nas diretrizes traçadas pelo Plano Trienal, executado sob a direção de Celso Furtado e San Tiago Dantas. Com o fracasso dos planos de estabilização e de crescimento econômico propostos pelo Plano Trienal, Goulart decidiu promover mudanças em seu ministério. Em fins de junho deixou o cargo de ministro e voltou a Recife para dedicar-se integralmente à Sudene até 31 de março de 1964, quando eclodiu o movimento político-militar que depôs Goulart e instaurou novo regime no país, forçando sua saída do órgão. Com a edição do Ato Institucional nº 1 (AI-1), Celso Furtado teve seu nome incluído na primeira lista de cassados.

Em meados de abril embarcou no Rio de Janeiro para Santiago do Chile, a convite do Instituto Latino-Americano para Estudos de Desenvolvimento (Ildes), ligado à Cepal. Em setembro, mudou-se para New Haven, nos Estados Unidos, assumindo o cargo de pesquisador graduado do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Yale. Daí em diante, dedicou-se a atividades de ensino e pesquisa nas universidades de Yale, Harvard e Colúmbia, nos EUA, de Cambridge, na Inglaterra, e da Sorbonne, na França, onde assumiu a cátedra de professor efetivo a convite da Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Paris.

Durante toda a década de 1970, dedicou-se intensamente a atividades docentes e à redação e publicação de livros. Foi beneficiado pela anistia decretada em agosto de 1979. Em agosto de 1981 filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação criada a partir da extinção do bipartidarismo em novembro de 1979.

Em 1984 participou intensamente da campanha de Tancredo Neves às eleições indiretas para a presidência da República. Em janeiro de 1985 foi convidado para participar da comissão destinada a elaborar o Plano de Ação do Governo de Tancredo. Ainda em março, foi indicado pelo presidente José Sarney, empossado com a morte de Tancredo Neves, embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia sediada em Bruxelas, na Bélgica, assumindo o posto em outubro. Em fevereiro de 1986 substituiu o ministro Aluísio Pimenta na pasta da Cultura. Em agosto de 1988 transmitiu o cargo.

Fora do governo, voltou-se novamente para suas atividades literárias e acadêmicas. Morando seis meses por ano em Paris, passou a integrar, como membro permanente, a Comissão de Desenvolvimento e Cultura da Organização das Nações Unidas (Onu). Em 1997 tornou-se membro do Comitê de Bioética da Unesco. Em 31 de outubro de 1997 tomou posse na Academia Brasileira de Letras (ABL). Foi casado em primeiras núpcias com Lúcia Piave Tosi, com quem teve dois filhos e, em segundas núpcias, com a jornalista Rosa Freire d'Aguiar.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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