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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas

<<  Alcides Etchegoyen

Alcides Gonçalves Etchegoyen nasceu em Porto Alegre (RS) no dia 3 de março de 1901, filho de Ramon Vicente Etchegoyen e de Brandina Gonçalves Etchegoyen. Assentou praça em março de 1918, saindo aspirante-a-oficial de artilharia em 1921.

Ficou conhecido como revolucionário por ter liderado a chamada Coluna Relâmpago que, em 1926, tentou promover um levante com a finalidade de impedir a posse de Washington Luís, eleito presidente da República.

Em 1930 combateu pela revolução no Rio Grande do Sul, participando do grupo de comando revolucionário. Anistiado em novembro daquele ano, foi promovido a capitão. Nesse posto, serviu na chefia do Estado-maior da 3ª Região Militar (3ª RM), no Rio Grande do Sul. Etchegoyen, devido à sua intransigente defesa dos princípios que nortearam a Revolução de 1930, foi nomeado delegado militar revolucionário junto à 3ª RM.

Promovido a major em 1933, Etchegoyen serviu como oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, de dezembro de 1936 a maio de 1938. Promovido a tenente-coronel em 1938, comandou o Grupo Escola de maio desse ano a novembro de 1939, deixando o posto para comandar o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) de Porto Alegre até dezembro de 1940. Assumiu então a chefia do Estado-maior da 2ª Divisão de Cavalaria, em São Paulo, onde permaneceu até julho de 1942.

Em julho de 1942 substituiu o chefe de polícia do Distrito Federal, Filinto Müller, que havia deixado o cargo. Em dezembro do mesmo ano foi promovido a coronel. Permanecendo no cargo de chefe de polícia até 31 de agosto de 1943, quando demitiu-se de suas funções, combateu o jogo do bicho e a prostituição, além de perseguir as atividades políticas de oposição ao governo.

De novembro de 1943 a outubro de 1946, comandou o Grupamento Leste de Defesa da Costa, tendo sido promovido a general-de-brigada neste último ano. Passou então a comandar a artilharia da 3ª RM, posto em que permaneceu até abril de 1948. Entre 1948 e 1950, comandou a Artilharia da Costa da 1ª RM, no então Distrito Federal. Fez o curso da Escola Superior de Guerra (Esg) de 1950 a 1951, e de junho de 1951 a agosto de 1952 comandou o Núcleo da Divisão Blindada, no Rio de Janeiro.

Em 1952, ano de sua promoção a general-de-divisão, o Brasil negociou um acordo militar com os Estados Unidos da América. Etchegoyen colocou-se ao lado dos defensores do acordo, exigindo ao mesmo tempo medidas mais enérgicas contra os comunistas. No mesmo ano, eram intensas as discussões sobre a questão do petróleo no Clube Militar. Contrário à tese nacionalista, o general Alcides encabeçou a chapa da Cruzada Democrática nas eleições para a presidência do Clube Militar, concorrendo contra outra liderada por Newton Estillac Leal. Realizadas em março de 1952, as eleições deram a vitória à chapa da Cruzada que, a partir de então, proibiu as discussões sobre a questão do petróleo no clube. Nas eleições seguintes, realizadas em 1954, apoiou a chapa vitoriosa, encabeçada por Canrobert Pereira da Costa e Juarez Távora. Em agosto de 1954, juntamente com outros generais, solidarizou-se com oficiais das outras armas, assinando um manifesto à nação onde se exigia a renúncia de Getúlio Vargas.

No final de 1955 parte das Forças Armadas envolveu-se na articulação para impedir a posse do presidente e do vice-presidente eleitos, Juscelino Kubitschek e João Goulart. O primeiro passo do movimento seria a derrubada do ministro da Guerra, o general Henrique Teixeira Lott. O presidente Café Filho proibiu qualquer pronunciamento político por parte de militares, mas o general Zenóbio da Costa, inspetor-geral do Exército e amigo de Lott, infringiu esta proibição e denunciou, através de um manifesto, o "golpe branco" que estava em andamento. A atitude do general Zenóbio custou-lhe a imediata exoneração do cargo. Entretanto, alegando motivos disciplinares, o marechal Lott pediu simultaneamente ao presidente a demissão de Alcides Etchegoyen, então inspetor da Artilharia Antiaérea.

No dia 5 de novembro de 1955, enquanto Café Filho se encontrava hospitalizado, a Tribuna da Imprensa noticiou que o presidente comunicara a Lott não achar conveniente a designação do general Etchegoyen para o comando da Zona Militar Norte, em Recife. Poucos dias depois, na madrugada de 11 de novembro, o marechal Lott acionou tropas do Exército para depor o presidente interino Carlos Luz. Os generais Alcides Etchegoyen e Álvaro Fiúza de Castro, recebidos por Lott no Palácio do Catete, acusaram-no de atitude violenta por ter movimentado as tropas, ouvindo do ministro que este assumia total responsabilidade por este gesto.

Até que a situação se definisse, os dois oficiais ficaram detidos. Etchegoyen ficou internado no hospital militar e o general Fiúza confinado no próprio gabinete do marechal Lott. No mesmo dia 11 de novembro, o Congresso, convocado em caráter extraordinário, considerou Carlos Luz impedido e deu posse a seu substituto legal, Nereu Ramos.

Mantendo-se em firme oposição a Juscelino e a Lott, Alcides Etchegoyen morreu no dia 17 de junho de 1956. Casou-se com Regina Guedes Etchegoyen, com quem teve três filhos.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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