De norte a sul do Brasil - a caravana do candidato Vargas
A campanha eleitoral de Getúlio Vargas foi aberta no dia 9 de agosto de 1950, em Porto Alegre, e encerrada em 30 de setembro, em São Borja. Da capital gaúcha, o ex-presidente seguiu para São Paulo e daí para o Rio de Janeiro. Da capital federal dirigiu-se para o interior de Minas Gerais (Pirapora) e daí para o interior maranhense (Carolina).
Percorreu o Norte e veio descendo o Nordeste, parando na Bahia, onde falou em quatro cidades. Em seguida, visitou o Espírito Santo e o Estado do Rio, onde falou igualmente em quatro cidades. A etapa posterior incluiu os estados de Minas, Goiás e Mato Grosso, o interior de São Paulo e finalmente o Sul. Nesses 53 dias, Vargas esteve em todos os 20 estados brasileiros e no Distrito Federal, e visitou todas as capitais e mais 54 cidades. Três estados receberam atenção especial: Rio Grande do Sul (21 cidades), São Paulo (14) e Minas Gerais (sete).
A estratégia de Vargas, nos 80 discursos que pronunciou, foi abordar em cada cidade o tema que falava mais de perto à platéia local. Assim, se na Amazônia os pontos
enfatizados foram nacionalismo e borracha, no Paraná, dedicou-se sobretudo ao café e no Mato Grosso, à pecuária. O nacionalismo foi novamente a palavra-chave na Bahia, ao lado de petróleo, cacau e aproveitamento do rio São Francisco. No Estado do Rio, a tônica foi a situação da lavoura canavieira, em Campos, e a siderurgia, em Volta Redonda, ao passo que no Ceará os problemas da seca concentraram as suas atenções.
A empolgante campanha de Getúlio demonstrou o forte apelo popular de seu nome, bem como a ampla receptividade das idéias por ele defendidas. Em linhas gerais, as duas principais bandeiras levantadas pelo candidato foram a
questão nacional e os programas de reforma social. A primeira fez-se presente nas referências à criação da Companhia Vale do Rio Doce, da Fábrica Nacional de Motores e da Companhia Siderúrgica Nacional (usina de Volta Redonda), destacadas por Vargas como os três marcos na luta pela
independência econômica do Brasil. A nacionalização das riquezas do subsolo também constituiu um ponto central no projeto nacionalista de Vargas. Vale frisar que esse projeto tinha limites muito claros, não pretendendo colocar em risco a presença do capital estrangeiro nem promover mudanças mais profundas na ordem econômica. Vargas também criticou a política econômica seguida pelo governo Dutra, advogando a necessidade de acelerar a industrialização.
Quanto às reformas sociais, elas foram associadas à continuação dos princípios renovadores que teriam sido as forças propulsoras da Revolução de 1930. Falando como "pai" do trabalhismo e da legislação social, Getúlio defendia a extensão das leis trabalhistas aos trabalhadores do campo e deixava claro que isso se daria
sem o apelo à luta de classes. Por intermédio do trabalhismo, a sociedade brasileira conseguiria a harmonia entre as classes: o capital e o trabalho deveriam se unir para atingir o bem comum. A retórica populista também esteve presente, quando Vargas se proclamava um candidato mais do que estritamente partidário. Seu nome teria surgido do reclamo popular, do anseio de todas as classes, mas sobretudo dos mais humildes, dos pobres e dos desempregados.
Sérgio Lamarão
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