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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
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Política cambial e indústria

No intervalo entre o primeiro e o segundo governo Vargas, o governo Dutra caracterizou-se inicialmente pela defesa do liberalismo cambial e alfandegário e por uma menor intervenção do Estado na economia. Os déficits na balança comercial levaram o governo a rever essa política ainda em 1947. Criou-se então o sistema de licença prévia, o que significou que as divisas para importar só eram liberadas após exame, caso a caso, dos pedidos de importação. Esses estudos eram feitos por dois órgãos do Banco do Brasil: a Carteira de Exportação e Importação (Cexim) e a Fiscalização Bancária (Fiban). Esse sistema acabou se constituindo em um instrumento de proteção industrial e foi, em síntese, a política praticada por Vargas até 1952, quando o desequilíbrio no balanço de pagamentos se agravou. Além disso, a inflação passara de 11% em 1951 para 21% em 1952.

Frente a isso, em janeiro de 1953 o governo, a exemplo de outros países, estabeleceu o mercado livre de câmbio, ou lei do câmbio livre, criando taxas distintas para certas importações e exportações. Em decorrência, sobreveio uma desvalorização do cruzeiro em relação ao dólar e, portanto, um encarecimento das importações e uma melhoria para as exportações. Mas essa situação durou pouco.

Em meados de 1953, Horácio Lafer e Ricardo Jafet foram substituídos no Ministério da Fazenda e no Banco do Brasil, respectivamente, por Oswaldo Aranha e Marcos de Sousa Dantas. Ambos tinham como meta, novamente, aplicar medidas antiinflacionárias e controlar o déficit público. Mais do que isso, em outubro de 1953, ao anunciar o Plano Aranha, o ministro da Fazenda propôs a subordinação do Banco do Brasil ao Ministério da Fazenda a fim de evitar conflitos como os que haviam ocorrido entre o ex-ministro da Fazenda, Horácio Lafer, e o ex-presidente do Brasil, Ricardo Jafet, e que haviam criado complicadores para a estabilização fiscal. Lembre-se que à época, não havia ainda o Banco Central, só criado em dezembro de 1964, e que a política monetária ficava sob a responsabilidade de subunidades do Banco do Brasil.

Juntos, Aranha e Sousa Dantas idealizaram a Instrução 70 da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), pela qual se extinguia o câmbio subvencionado e se inaugurava um sistema de taxas múltiplas. Procurava-se com isso tornar as exportações brasileiras mais acessíveis no mercado internacional, desencorajar as importações, proteger a indústria e a balança comercial. Isto porque as taxas múltiplas de câmbio atuariam de modo a não desencorajar demasiadamente as importações consideradas essenciais à industrialização. De fato, a Instrução 70 acabou funcionado como um incentivo substancial ao processo de substituição de importações, mas não impediu que a situação financeira do país continuasse instável.

Com o fim do governo Vargas, o novo ministro da Fazenda, Eugênio Gudin, tentou conter o déficit do governo, avaliado em 14 bilhões de cruzeiros para 1955, com um novo plano econômico que tinha como uma das medidas mais importantes a Instrução 113 da Sumoc. O objetivo dessa nova Instrução era criar condições favoráveis à realização de investimento estrangeiro no país, por meio da concessão de licença, sem cobertura cambial, para a importação de maquinaria para empresas estrangeiras associadas a empresas nacionais. Embora essa fosse uma medida amplamente criticada pelos setores nacionalistas, foi a política cambial que prevaleceu durante o governo Kubitschek.

Maria Celina D’Araujo

   

 

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