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E ele voltou... o Brasil no segundo governo Vargas
A crise política se aprofunda > O Pacto ABC

O Pacto ABC

Juan Perón. Buenos Aires, 1953. Em 4 de abril de 1954 João Neves da Fontoura, ex-ministro das Relações Exteriores, concedeu uma entrevista à imprensa acusando Getúlio Vargas e Juan Perón de haverem mantido entendimentos visando à assinatura de um acordo político-econômico entre a Argentina, Brasil e Chile, conhecido como Pacto do ABC. Segundo ele, tais entendimentos teriam se originado de conversações entre o presidente argentino e Getúlio, quando este era ainda candidato às eleições presidenciais, e que, depois de eleito, se mantiveram através de correspondência secreta.

A peça principal em que se baseou a denúncia de João Neves foi um discurso proferido por Perón na Escola Superior de Guerra da Argentina, em que teria delineado as bases para efetivação de um pacto cuja finalidade seria a união aduaneira entre os três países para enfrentar a pressão econômica exercida pelos Estados Unidos sobre a América do Sul. Nessa ocasião, o presidente argentino criticou a hesitação do chefe da nação brasileira, motivo pelo qual o pacto não teria se concretizado. O discurso, pronunciado em novembro de 1953, foi considerado apócrifo pela embaixada da Argentina.

Durante o segundo governo Vargas o embaixador do Brasil naquele país era Batista Luzardo, que, atendendo à solicitação de Perón, tentou promover um encontro entre os dois presidentes. Antes mesmo que tal encontro se efetivasse, Perón, em visita ao Chile (fevereiro de 1953), expressou através da imprensa seu desejo de ver reativado o pacto firmado entre a Argentina, Brasil e Chile em 1915, propugnando a solidariedade entre as três nações ante qualquer tipo de agressão ou intervenção externa. Reafirmando, então, a necessidade de se estabelecer um novo pacto, Perón declarou ainda ter conhecimento do prévio assentimento do presidente brasileiro quanto a essa questão.

No discurso pronunciado por ocasião de uma homenagem feita ao vice-presidente da Bolívia em visita ao Brasil, em fins de fevereiro, João Neves, ainda ministro, desmentiu as intenções atribuídas a Vargas por Perón, declarando que o Brasil não estava interessado na formação de blocos regionais. Salientou ainda que a posição do governo brasileiro sempre fora de fidelidade aos princípios pan-americanos. Na tentativa de contornar o incidente diplomático provocado por esse pronunciamento, Getúlio enviou a Buenos Aires o jornalista Geraldo Rocha, incumbido de esclarecer ao governante argentino que tais declarações haviam sido feitas sem seu conhecimento.

Convém lembrar que enquanto a oposição brasileira acusava os idealizadores do Pacto do ABC de quererem implantar no país uma república nos moldes sindicalistas, a esquerda entendia a sua efetivação como uma oportunidade para a formação de um bloco antiamericano.

As possíveis negociações entre Getúlio e Perón transformaram-se em objeto de denúncia feita por Wilson Leite Passos, servindo de base ao pedido de impeachment contra o presidente Vargas, encaminhada ao Congresso em maio de 1954.

   

 

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