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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
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Maurício Paiva de Lacerda nasceu em Vassouras (RJ), em 1888. Seu pai, Sebastião de Lacerda, exerceu, durante a República Velha, os cargos de deputado federal, ministro da Viação e Obras Públicas no governo de Prudente de Morais e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Seus irmãos Paulo de Lacerda e Fernando de Lacerda foram importantes dirigentes do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB).

Advogado, formou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1909. Exerceu o cargo de oficial de gabinete do presidente Hermes da Fonseca entre 1910 e 1912. Nesse ano, elegeu-se deputado federal pelo Estado do Rio, reelegendo-se em 1915 e 1918. Nesse período, acumulou, ainda, o cargo de prefeito de Vassouras (1915-1920).

Desenvolvia sua atuação política em estreito contato com organizações operárias do Rio de Janeiro. Tais vínculos acabaram por determinar a sua exclusão do Partido Republicano Fluminense (PRF) e a perda de seu mandato na Câmara Federal. Em 1921, participou do Grupo Clarté do Brasil, que reunia intelectuais simpáticos à Revolução Russa.

Participou das articulações que levariam à deflagração do levante militar de 5 de julho de 1922, que deu início às revoltas tenentistas.Em 1924, voltou a participar das conspirações que levaram a novos levantes militares contra o governo federal. Nessa ocasião, foi designado pelos líderes revoltosos para buscar o apoio de políticos civis e do movimento operário aos levantes. Por conta de sua atuação nesses episódios, acabou preso.

Estava ainda na prisão quando, em 1926, foi eleito vereador no Distrito Federal, sempre articulado com organizações operárias. Em 1930, apoiou a candidatura oposicionista de Getúlio Vargas à presidência da República, ao mesmo tempo que voltava a se eleger para a Câmara Federal, assumindo seu mandato no mês de maio. Ainda nesse ano, apoiou o movimento revolucionário que depôs o presidente Washington Luís e levou Vargas ao poder. Em seguida, exerceu, por alguns meses, o cargo de embaixador brasileiro no Uruguai.

Em 1931, filiou-se ao Clube 3 de Outubro, organização criada por lideranças tenentistas em apoio ao novo regime. Logo, porém, manifestou o seu desacordo com os rumos do governo, através de artigos publicados na imprensa. Em 1932, voltou à prefeitura de Vassouras, exercendo o cargo de prefeito até o ano de 1935, quando deixou o posto por discordar da orientação política do interventor federal no estado do Rio de Janeiro, Ari Parreiras. Nesse momento, já havia ingressado na Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização de caráter antifascista e antiimperialista que reunia diversos setores de esquerda. Pertenceu ao diretório fluminense da ANL e colaborou com frequência no jornal A Manhã, órgão oficioso da organização. Ainda nessa época, participou do Clube de Cultura Moderna, que congregava intelectuais simpáticos à Aliança, e presidiu a Frente Popular pelas Liberdades (FPL), organização que buscava dar continuidade ao trabalho da ANL após a decretação de sua ilegalidade pelo governo, em julho de 1935. Presidiu, ainda, a Aliança Popular por Pão, Terra e Liberdade, entidade que objetivava dar suporte eleitoral aos candidatos identificados com a ANL.

No início de 1936, foi preso sob a acusação de ter participado da preparação dos levantes armados deflagrados por setores da ANL em novembro do ano anterior, sendo absolvido somente em julho de 1937. Em 1945, com a redemocratização do país, ingressou na União Democrática Nacional (UDN), tendo presidido a seção carioca do partido até o ano seguinte.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1959. Seu filho, o jornalista Carlos Lacerda, foi governador do estado da Guanabara (1960-1965) e destacado articulador civil do golpe militar de 1964.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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