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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
<<  Euclides Figueiredo

Euclides de Oliveira Figueiredo no Rio de Janeiro, nasceu em 1883.

Militar, cursou a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Era alferes-aluno desse estabelecimento quando participou da revolta contra a vacina obrigatória, na então capital federal. Preso após a derrota do levante, foi anistiado e reincorporado ao Exército no ano seguinte, quando ingressou na Escola de Artilharia e Engenharia do Realengo.

Bacharel em ciências físicas e matemáticas, em 1910, de 1911 a 1913, cumpriu estágio no exército alemão. De volta ao Brasil, fundou a revista A Defesa Nacional, junto com outros militares que haviam realizado estágio semelhante ao seu na Alemanha. Os dirigentes da revista defendiam pontos de vista inspirados na doutrina militar alemã, sendo por isso apelidados de "jovens turcos" por seus adversários, numa referência aos oficiais que haviam promovido reformas políticas e militares na Turquia, após retornarem de estágio no exército alemão.

Entre 1912 e 1915, participou da repressão à Revolta do Contestado, que opôs camponeses pobres a latifundiários na divisa dos estados de Santa Catarina e Paraná.

Em julho de 1922, servindo na Escola Militar do Realengo, combateu a revolta deflagrada naquela unidade militar e no Forte de Copacabana contra o governo federal, que deu início às rebeliões tenentistas da década de 20. Em setembro desse mesmo ano, foi nomeado oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general Fernando Setembrino de Carvalho, função que desempenhou até 1926.

Em 1930, já com a patente de coronel, foi convidado a ocupar posição de destaque no movimento político-militar que então se preparava com o objetivo de depor o presidente Washington Luís. Recusou-se, porém, a colaborar com os rebeldes e afirmou sua lealdade ao presidente. Com a deflagração do movimento, em outubro daquele ano, acabou preso pelos revolucionários quando se encontrava em serviço na cidade gaúcha de Santana do Livramento. Libertado logo depois, manifestou imediatamente sua oposição ao novo governo, liderado por Getúlio Vargas.

Tal posicionamento acabaria por levar-lhe a participar ativamente dos preparativos para a deflagração do movimento armado promovido pela maioria dos grupos políticos paulistas, que visavam depor Vargas e reconstitucionalizar o país. Assumiu, junto com Bertoldo Klinger e outros oficiais, importante papel na condução militar do movimento, deflagrado em julho de 1932. Deslocou-se, então, para o vale do rio Paraíba, de onde pretendia liderar o avanço das tropas constitucionalistas em direção à capital federal. A não confirmação do esperado apoio político e militar de gaúchos e mineiros, contudo, frustrou os planos dos paulistas, que foram obrigados a se limitar a combates defensivos dentro do próprio estado. Ainda no mês de outubro, quando os demais chefes militares já defendiam o fim do movimento por considerá-lo irremediavelmente derrotado, Euclides continuava acreditando na possibilidade de vitória e propunha a continuação da resistência ao avanço das tropas legalistas. Ao ser finalmente assinada a rendição das tropas paulistas, dirigiu-se ao Rio Grande do Sul, de onde pretendia continuar a luta. Antes de atingir o seu destino, porém, foi preso ao passar pelo estado de Santa Catarina.

Foi, em seguida, enviado para o exílio em Portugal de onde retomou as atividades conspirativas junto com outros exilados. Pouco depois transferiu-se para a Argentina.

Anistiado em 1934, voltou ao Brasil a tempo de concorrer, ainda naquele ano, a uma vaga na Câmara dos Deputados na legenda do Partido Republicano Paulista (PRP). Não conseguiu, porém, se eleger. Em seguida, apoiou a candidatura de Armando de Sales de Oliveira à presidência da República. O pleito presidencial, marcado para o início de 1938, acabou não se realizando em virtude da instauração da ditadura do Estado Novo, em novembro do ano anterior. Sempre na oposição a Vargas, chegou a participar, junto com alguns políticos liberais, da articulação do levante militar promovido pelos integralistas, em maio de 1938. Não chegou, porém, a participar da insurreição por ter sido preso tempos antes. Foi nessa ocasião condenado a quatro anos de prisão, tendo cumprido a pena integralmente, e ainda perdeu a sua patente de coronel do Exército.

Em 1945, com a redemocratização do país, ingressou na União Democrática Nacional (UDN), partido político que reunia setores que haviam se oposto ao Estado Novo. Por essa legenda elegeu-se deputado federal constituinte, em dezembro daquele ano. No ano seguinte foi reintegrado ao Exército com a patente de general e, imediatamente, transferido para a reserva. Em 1950, disputou, sem sucesso, uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.

Morreu em 1963, em Campinas (SP). Um de seus filhos, o general João Batista de Oliveira Figueiredo, foi o último presidente da República do regime militar, encerrado em 1985.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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