A- A+

A Era Vargas: dos anos 20 a 1945

<<  Bertoldo Klinger

Bertoldo Klinger nasceu em Rio Grande (RS), em 1884.

Militar, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, em 1901. Junto com outros companheiros militares, participou da revolta contra a vacina obrigatória ocorrida em 1904, na então capital do país. Em função disso foi preso, só regressando ao Exército no ano seguinte, quando foi anistiado.

Entre 1910 e 1912, esteve na Alemanha realizando estágio militar, quando tomou contato com as inovações técnicas e organizacionais então empreendidas no exército daquele país. Ao voltar ao Brasil, tomou parte na fundação da revista A Defesa Nacional, junto com outros militares que haviam realizado estágio semelhante ao seu. Por se mostrarem fortemente influenciados pela doutrina militar alemã, os incentivadores da revista receberam de seus adversários o apelido de "jovens turcos", numa referência ao jovens oficiais militares que, após terem tido contato com o exército germânico, voltaram à Turquia para promoverem reformas políticas e militares. Ocupou o posto de redator-chefe de A Defesa Nacional, e em suas páginas criticaria anos mais tarde, a indicação do nome de civis para os ministérios militares no governo de Epitácio Pessoa. A influência alemã fez também com que se opusesse à missão francesa contratada para reformular o Exército brasileiro no mesmo período.

Em 1924, foi preso sob acusação de colaborar com a revolta tenentista deflagrada naquele ano em São Paulo. Sua participação é assunto controverso, pois durante o período em que esteve preso foi acusado de traidor pelos líderes do movimento. Nos anos seguintes, confirmou sua oposição ao tenentismo, comandando as tropas legalistas lançadas contra a Coluna Prestes, o exército guerrilheiro que percorreu o interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes, em Mato Grosso e Goiás.

Em 1930, manteve contatos com elementos da Aliança Liberal que articulavam a deposição do presidente Washington Luís, mas não apoiou o movimento. Com o sucesso da insurreição deflagrada em outubro daquele ano, porém, participou ativamente do golpe promovido por altos oficiais das Forças Armadas lotados na capital federal, que se anteciparam aos revolucionários e afastaram o presidente da República. Nos poucos dias que durou o governo da junta militar que então se instalou no poder, Klinger foi designado chefe de polícia do Distrito Federal, tendo, então, proibido reuniões e comícios na capital do país. Manifestou-se, nessa ocasião, contrário à transferência do poder aos revolucionários. Contudo, quando Getúlio Vargas foi empossado na presidência, telegrafou ao novo ministro da Justiça, Osvaldo Aranha, para elogiar a revolução.

Em maio de 1931 chegou ao generalato. Suas antigas desavenças com os tenentes, contudo, levaram ao seu afastamento do governo. Transferido para o Mato Grosso, proibiu que os oficiais sob sua autoridade naquele estado se filiassem ao Clube 3 de Outubro, agremiação que visava dar maior coesão política aos tenentes. Em abril de 1932, reprimiu rebeliões camponesas em território matogrossense.

Nesse mesmo ano, juntou-se aos grupos dirigentes paulistas que preparavam uma insurreição para depor Vargas. Escolhido para exercer a chefia militar do movimento, precipitou sua deflagração ao enviar uma carta ofensiva ao recém-nomeado ministro da Guerra, general Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso, em julho daquele ano. Foi, então, recebido com festa em São Paulo e empossado no comando das forças constitucionalistas. Sua prometida adesão de efetivos militares aquartelados no estado do Mato Grosso, porém, não se confirmou. O esperado apoio de gaúchos e mineiros também não se efetivou, o que levou os paulistas a se manterem em posição defensiva. No mês de setembro, propôs o armistício ao governo federal ao perceber a inviabilidade da continuação da campanha militar.

Preso após a rendição dos paulistas, foi em seguida enviado para o exílio em Portugal. onde retomou as atividades conspirativas junto a outros deportados. Anistiado, voltou ao Brasil em 1934.

Só foi readmitido no Exército em 1947, passando em seguida para a reserva. Em 1964, deu apoio ao golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e implantou o regime militar no país.

Morreu em 1969, no Rio de Janeiro.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

  Twitter Facebook Youtube Flickr Eclass      Mais   

   

 

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
RIO: Praia de Botafogo, 190, 14º andar, Rio de Janeiro - RJ - 22250-145 • Tels. (21) 3799.5676
SÃO PAULO: Avenida Paulista, 1471, 1º andar, Bela Vista - São Paulo - 01311-200 • Tel: (11) 3799 -3755
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2017. Todos os direitos reservados • Usando: Drupal! • Use versões recentes do IE, Firefox, Chrome, Opera
Lista de URLs do CPDOC Busca: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/page-sitemap