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A Era Vargas: dos anos 20 a 1945
<<  Antônio Carlos Ribeiro de Andrada

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada nasceu em Barbacena (MG) em 1870. Pertencia a uma das famílias de maior tradição na política brasileira, cujo membro mais ilustre foi seu tio-avô José Bonifácio de Andrada e Silva, o "Patriarca da Independência".

Aluno da Faculdade de Direito de São Paulo, participou do movimento republicano antes de se formar em 1891. Iniciou a carreira política ainda no final do século XIX, como vereador em Juiz de Fora, e em 1902 foi nomeado secretário de Finanças de Minas Gerais. Nesse cargo, participou das negociações que levaram à assinatura do Convênio de Taubaté, pelo qual os estados de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro instituíram a política de valorização do café, garantindo um preço mínimo para o produto através da compra dos estoques excedentes pelos três governos. Em 1906 assumiu a prefeitura de Belo Horizonte por um breve período e no ano seguinte foi eleito senador estadual e novamente vereador em Juiz de Fora. Escolhido presidente da Câmara Municipal, passou a exercer as funções de prefeito da cidade.

Em 1911, elegeu-se deputado federal na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Sucessivamente reeleito, permaneceu na Câmara dos Deputados até setembro de 1917, quando, a convite do presidente Venceslau Brás, assumiu o Ministério da Fazenda. Deixou o ministério em novembro de 1918, voltou à Câmara em maio do ano seguinte e em 1925 foi eleito senador da República.

Eleito presidente de Minas em março de 1926, tomou posse em setembro. Sua gestão foi marcada por inovações, como a instituição do voto secreto nas eleições estaduais e municipais, a reforma do ensino primário e normal, dirigida por Francisco Campos e inspirada no movimento da Escola Nova, e a criação da Universidade de Minas Gerais. Suas preocupações reformistas foram sintetizadas na frase "Façamos a revolução antes que o povo a faça".

Por sua condição de presidente de Minas, era o candidato natural à presidência da República na sucessão de Washington Luís em 1930. No entanto, o acordo tácito que vinha garantindo a alternância de São Paulo e Minas no governo federal foi rompido quando Washington Luís, representante de São Paulo, preferiu indicar outro paulista para sucessor. Preterido, Antônio Carlos passou a articular a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas à presidência. Tal projeto se concretizou com a formação da Aliança Liberal, coligação que reunia os situacionismos de Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba, e era ainda apoiada pela maioria dos "tenentes" que haviam lutado contra o governo federal nos anos anteriores.

A campanha presidencial foi bastante acirrada, mas a vitória na eleição de março de 1930 coube ao candidato de Washington Luís. Enquanto isso, em Minas, Antônio Carlos conseguiu eleger Olegário Maciel seu sucessor. Com a derrota na eleição presidencial, setores da Aliança Liberal, principalmente os "tenentes" e os políticos mais jovens, como Oswaldo Aranha e Virgílio de Melo Franco, iniciaram articulações visando à derrubada de Washington Luís pelas armas. Antônio Carlos, a princípio, manteve-se hesitante em relação ao movimento armado e chegou mesmo a propor seu cancelamento. A evolução dos fatos, porém, favoreceu os revolucionários. Já após a posse de Olegário Maciel no governo de Minas em 7 de setembro, o movimento foi deflagrado em 3 outubro, com o apoio das forças políticas dos três estados que haviam criado a Aliança Liberal. Washington Luís foi deposto em 24 de outubro, e no mês seguinte Vargas assumiu ao poder.

O período que se seguiu à vitória da Revolução de 1930 foi marcado por disputas entre os diferentes grupos que apoiavam o novo governo. Em Minas a disputa tomou forma concreta com a criação da Legião de Outubro, agremiação que procurava substituir o antigo PRM na condução da política estadual. Antônio Carlos aderiu à nova organização e passou a fazer parte de sua direção. Participou também do efêmero Partido Social Nacionalista, uma frustrada tentativa de unificar as facções em luta na política mineira. Em fevereiro de 1933 participou afinal da fundação do Partido Progressista (PP), e nessa legenda foi eleito, em maio seguinte, para a Assembléia Nacional Constituinte. Comprometido com a candidatura de Vargas na eleição indireta para presidente, a ser realizada pela Constituinte, recebeu o apoio deste para presidir a Assembléia e foi, de fato, eleito para o cargo.

Após a promulgação da nova Constituição em 1934, renovou seu mandato na Câmara dos Deputados e foi confirmado como presidente da casa. Sua candidatura à sucessão de Vargas, prevista para janeiro de 1938, chegou a ser cogitada mas não se concretizou, em virtude da oposição que lhe foi movida pelo próprio Vargas e pelo governador mineiro Benedito Valadares. Em maio de 1937, foi derrotado por Pedro Aleixo na eleição para a presidência da Câmara. Deixou, então, o PP e fundou o Partido Progressista Democrático, para dar apoio à candidatura presidencial do governador paulista Armando Sales. Perdeu seu mandato parlamentar em novembro de 1937, quando Vargas implantou a ditadura do Estado Novo, fechando o Congresso e cancelando a eleição que apontaria seu sucessor.

Após o golpe do Estado Novo, abandonou a atividade política para se dedicar a seus negócios privados. Em 1943, negou-se a assinar o Manifesto dos Mineiros, que fazia críticas à ditadura e rompia com a censura vigente no país desde 1937, por ter sido o documento articulado por Pedro Aleixo e Virgílio de Melo Franco, dois de seus desafetos na política mineira.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1946.

[Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

   

 

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