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Memória do Cinema Documentário Brasileiro: histórias de vida

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Geraldo Sarno

Geraldo Sarno nasceu em 6 de março de 1938, em Poções, na Bahia. Filho de comerciantes italianos, cresceu em convívio com uma comunidade de imigrantes, no meio do sertão. O cinema já estava presente em sua infância, quando frequentava as três salas de cinema de sua cidade, assistindo filmes e, principalmente, séries com amigos, inclusive Glauber Rocha, com quem colecionava fotogramas e fazia projeções em casa. Foi para Cuba em dezembro de 1962, indicado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), devido à sua participação no Centro Popular de Cultura (CPC). Apesar de recém formado em Direito e de ter sido aprovado em primeiro lugar no concurso público para oficial judiciário do Tribunal Regional do Trabalho de Salvador, Sarno resolveu permanecer em Cuba por mais um ano, para estudar cinema. Em 1964, começou a se articular com outros nomes do cinema, como Thomas Farkas, Maurice Capovilla, Vladimir Herzog e Roberto Santos. Seus primeiros filmes, Viramundo (1965) e Auto da Vitória (1966) inspiraram o diretor a trabalhar temas da cultura popular do sertão nordestino, retratados em trabalhos posteriores junto ao IEB-USP, como Os Imaginários (1970), e ao Instituto Nacional de Cinema, como O Engenho (1970), sob produção de Thomas Farkas. Nos anos 1970, a reflexão a partir dos filmes-verbetes, como ficaram conhecidos esses filmes, se estendeu à cultura negra do litoral, com Iaô (1976) e à ficção, com Coronel Delmiro Gouveia (1978). A partir dos anos 1990, dedicou-se a ministrar cursos de cinema, além de realizar a série de documentários A Linguagem do Cinema (1997-2001), complemento ao trabalho de reflexão estética na revista Cinemais, composta por entrevistas com os diretores brasileiros, Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra. Sua atuação também se deu no mercado editorial, publicando Glauber Rocha e o cinema latino-americano (1994) e Cadernos do sertão (2006). A partir dos anos 2000, retomou questões relacionadas ao processo criativo do cinema, com Tudo isto me parece um sonho (2008), e da literatura, com O último romance de Balzac (2010). É reconhecido como um diretor que aborda a cultura popular, a história nacional e suas problemáticas de uma maneira reflexiva e emblemática.

 

 

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Topo da Página SUMÁRIO - ENTREVISTA 28.08.2015

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1º Bloco
Origens: o seu legado cinematográfico; a cidade onde nasceu e a infância na Bahia; o emprego dos pais e a ascendência italiana; a riqueza cultural da região; a influência mineira e identificação com a obra do Guimarães Rosa; o catolicismo na cidade.
 
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2º Bloco
O contato com o Cinema: as salas de cinema na cidade; a relação com a mãe do Glauber Rocha e Brás Labanca; o interesse pela literatura; a faculdade de Direito.
 
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3º Bloco
Cultura e Política: a atmosfera político-cultural de Salvador; a influência do político Edgar Santos na cidade; o Partido Comunista e o pensamento da esquerda na época; a teoria marxista; a visita do Café Filho à Poções nos anos 50 e a pobreza da sua cidade de origem; a aproximação da juventude da época com a realidade da população; o retorno à sua cidade para sua filmagem atual; o Centro Cultural Fedele Sarno e o desenvolvimento da região do Sertão.
 
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4º Bloco
A entrada para o Cinema: o contato com o Glauber nos Cineclubes e na faculdade de Direito; o envolvimento com o Centro Popular de Cultura (CPC) da Bahia; a sua ida para Cuba como representante da UNE (União Nacional dos Estudantes); o encontro com o escritor Dias Gomes em Cuba; o envolvimento com o cinema e o desencanto com a carreira burocrata no Tribunal do Trabalho; os estudos de Cinema em Cuba e a decisão em seguir a carreira cinematográfica.
 
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5º Bloco
A experiência audiovisual na CPC: a filmagem com o Orlando Senna e Waldermar Lima a partir do Mutirão em Novo Sol; o caso envolvendo a Petrobrás e o campesinato do Recôncavo Baiano sobre a demarcação de terras; a estreia da peça e a projeção do vídeo em 1962.
 
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6º Bloco
A linguagem do Cinema: a prática do Cinema com a inserção do Nagra; a mudança do Cinema com a possibilidade do som direto; o processo de criação cinematográfica – a formação pessoal mais do que a implementação tecnológica.
 
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7º Bloco
A primeira experiência no cinema: o Golpe de 64; o primeiro longa Viramundo e a questão da imigração e as fronteiras sociais; o levantamento das questões que o motivam artisticamente até os dias atuais; a influência do nordeste como a sua referência cultural; a arquiteta Nina Bardi e o projeto da universidade popular; a identidade e as formas da cultura popular.
 
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8º Bloco
A origem do projeto de filmes no Nordeste: o projeto com o Thomaz Farkas e Paulo Rufino com o auxílio do professor Aderaldo Castelo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP); a origem dos quatro documentários Vitalino-Lampião, Os Imaginários, O Jornal do Sertão, Eu carrego um Sertão Dentro de Mim; o filme Dramática Popular derivado do projeto dos filmes documentários no IEB.
 
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9º Bloco
A série de filmagens no Nordeste: a escolha pela região do Cariri; a estratégia de filmagem acerca de temas pré-definidos; a busca pela identidade e do olhar da arte popular através do cinema; o equívoco da indistinção dos projetos de produção da séria de filmes no Nordeste resumidos somente em “Caravana Farkas”; as filmagens com o Farkas e a mudança dos fotógrafos para a “câmera na mão”.
 
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10º Bloco
O cinema nacional: o Cinema Novo e o cenário do cinema brasileiro; o marco na sua reflexão sobre o cinema durante o governo Collor; a linguagem do cinema no Brasil.
 
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11º Bloco
A Teologia da Libertação: as produções do Thomaz Farkas nos longas Herança do Nordeste e o Brasil Verdade; o tema da teologia da libertação e a seca de 1984 no Sertão; a teologia da libertação e o cenário atual brasileiro; a circulação dos seus filmes no Brasil; o momento histórico captado no filme Deus é um Fogo; o conflito da Igreja Católica.
 
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12º Bloco
Desafios Atuais: os filmes recentes; os planos de retorno ao Sertão e o novo olhar sobre o cinema e a cultura popular; a questão do tempo e espaço nos filmes e a influência do cinema do Eisenstein; o desafio de uma criação de linguagem de um cinema-tempo.
 

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