Manuel Villaverde Cabral nasceu em 1940, na Região Autónoma dos Açores. Começou sua vida profissional em 1958, como funcionário público e editor, em Portugal. Foi exilado político de 1963 a 25 de abril de 1974 na França, onde continuou a desenvolver atividades profissionais e recomeçou seus estudos. Licenciou-se em Letras pela Universidade de Paris em 1968 e obteve seu título de doutor em História pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales-Université de Paris I, em 1979. Atualmente é pesquisador-coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e professor em diversas instituições de pesquisa e ensino superior portuguesas.
00:00:35 - As origens familiares do entrevistado: a “descendência intelectual”;
00:02:02 - O ramo familiar espanhol, materno, basco e catalão; história dos avôs;
00:10:51 - A história da família no contexto da Guerra Civil Espanhola;
00:14:26 - Menção à ajuda recebida pela família por parte do, então “Ministro da Gobernacíon, Julián Zugazagoitia para fugir da Espanha;
00:17:15 - Origens do ramo familiar paterno;
00:18:17 - Semelhanças e diferenças entre os dois ramos genealógicos;
00:19:50 - A história de vida do avô, Joaquim Manuel Cabral – médico, militar, republicano, positivista e maçom – e a sua Memória, escrita pelo entrevistado;
00:29:32 - Menção ao fato de pertencer a uma família composta por “altos funcionários públicos”;
00:31:28 - Comentários acerca da união matrimonial dos pais, sob o contexto da Segunda Guerra Mundial;
00:34:14 - O seu nascimento em Ponta Delgada, Portugal;
00:38:46 - A posição política de esquerda da sua família;
00:39:19 - A formação de famílias republicanas liberais de tendência esquerdista como reação ao fascismo;
00:42:27 - Comentários acerca da sua infância e juventude; Os primeiros anos de estudo;
00:45:35 - Os estímulos à leitura, através do pai;
00:46:31 - A influência do livro, O Émile, de Jean Jacques Rousseau, na sua educação;
00:49:09 - A relação carinhosa com o irmão mais novo e a mãe e a relação um pouco mais afastada com o pai;
00:50:30 - O estudo como um refúgio para os problemas em família;
00:54:55 - A politização prematura, por influência do pai;
00:58:49 - Comentários acerca do processo da escolha profissional;
01:01:26 - A indecisão inicial para escolher o curso;
01:03:07 - Interesse pela arquitetura, a sua entrada e saída do curso; A mudança curricular do curso de Arquitetura durante a ditadura;
01:09:01 - O primeiro emprego, no setor de contabilidade da Federação Nacional dos Produtores de Trigo (FNPT);
01:10:28 - Transferência do setor de contabilidade para o da Biblioteca e Informação, onde teve contato com o livro: História econômica geral, de Max Weber;
01:11:08 - A experiência no Movimento dos Cineclubes;
01:12:32 - O contato com o pintor Mequias Capinan;
01:13:34 A entrada no Partido Comunista Português (PCP); O contato com o escritor Mário Henrique Leiria;
01:16:51 - Comentários acerca do funcionamento do partido comunista luso e dos papéis que ocupou;
01:24:36 - Mais comentários sobre a carreira profissional na FNPT;
01:27:10 - Os trabalhos como tradutor;
01:30:50 - Menção ao breve namoro com Maria Emília Dias Coelho;
01:31:27 - O emprego na editora Europa-América, substituindo um companheiro de partido, que estava desaparecido;
01:34:08 - Menção à visita do papa Bento XVI à Portugal e breves críticas a atuação de Joseph Ratzinger enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;
01:37:27 - Menção à criação do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) e da participação de Durão Barroso, em sua criação;
01:40:32 - O exílio político de 1963 em Paris;
01:40:44 - Os precedentes do exílio;
01:44:07 - A tentativa de captura pela Polícia Internacional e de Defesa de Estado (Pide);
01:46:14 - A fuga com a esposa com destino à Madri, para viajar para Paris no dia seguinte;
01:48:25 - A chegada em Paris;
01:49:19 - O primeiro contato com as ciências sociais;
01:49:25 - Menção ao papel fundacional de Adérito Sedas Nunes, com relação à sociologia portuguesa;
01:50:28 - Os empregos em editoras de Paris;
01:52:22 - Observações acerca do serviço militar português na época da ditadura;
01:58:59 - Menção à fundação da Frente Ação Popular (FAP), em Portugal;
01:59:30 - Participação no Comitê Marxista-Leninista Português (CMLP) e na Revista Revolução popular;
01:59:44 - A influência de Ernesto de Souza, e o trabalho na revista A Imagem;
02:01:18 - A entrada na Faculdade de Letras na França e os motivos que o levaram a escolher o curso; Os encontros com Luis Buñuel;
02:09:57 - A licenciatura em literatura francesa e comparada, concluída em 1968;
02:14:31 - O primeiro Comitê Marxista-Leninista, em sua casa, no ano de 1965;
02:16:50 - A publicação da revista Cadernos de Circunstância;
02:18:57 - A influência de Georg Lukács e Antonio Gramsci;
02:20:40 - Comentários acerca do trabalho como tradutor;
02:22:10 - Dissolução do grupo da revista e mais comentários sobre a experiência do Maio de 1968, na França; Observações acerca de João Freire;
02:29:10 - A sua primeira pesquisa histórica, sobre a questão da reforma agrária – menção à interiorização do “vírus acadêmico”, nos termos de Pierre Bourdieu;
02:31:19 - A dissolução do grupo da revista e o destino de cada um dos membros;
02:35:07 - Introdução sobre sua tese de doutorado.
00:00:35 - O primeiro ano de doutorado na École Pratique des Hautes Études, com Fernando Medeiros;
00:01:44 - O curso do economista e historiador Charles Bettelheim, abandonado em seguida;
00:01:57 - A aproximação com Pierre Villar;
00:02:41 - Comentários acerca da tese, produzida em conjunto com Fernando Medeiros;
00:04:00 - Menção à participação no grupo “Potere Operaio”, e à influência do seu líder Toni Negri;
00:06:30 - A ida para Londres e a divisão entre trabalho e atividade política revolucionária;
00:11:58 - Lembrança do exílio na França e do grupo dos “Cadernos de circunstância”;
00:12:41 - A influência do pensamento e dos movimentos ultra-esquerdistas, em Portugal;
00:13:20 - A importância do filósofo José Gil e a amizade com seu irmão, Fernando Gil;
00:16:51 - A distinção entre “exilados”, “emigrantes” e “expatriados”, e a importância dessas categorias na história de Portugal, sobretudo desta última;
00:20:53 - Breves comentários sobre o colonialismo português e a gestão do império português antes e durante o Governo Salazar;
00:24:58 - A Revolução dos Cravos e suas repercussões;
00:25:30 - A tese de História sobre o século XIX;
00:28:35 - A importância da dependência de Portugal à Inglaterra, para manutenção de seus territórios;
00:30:30 - a ida à Portugal por ocasião da revolução em 25 de Abril, de 1974;
00:40:38 - A entrada no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) como professor;
00:42:09 - A decisão de, iniciada a carreira acadêmica no ISCTE, abandonar a carreira política;
00:44:33 - Menção aos trabalhos de Salazar, anteriores ao Estado Novo português;
00:47:14 - A bolsa de estudos em Oxford;
00:48:19 - A origem da bolsa e a experiência vivida por causa desta;
00:53:08 - A entrada para o Gabinete de Investigações Sociais (GIS), em 1976;
01:07:34 - O curso, dado pelo entrevistado, de sociologia rural e a questão da articulação do urbano com o rural em Portugal;
01:11:58 - Comentários acerca dos temas de pesquisa e publicações feitas pelo entrevistado;
01:18:31 - Menção à saída do ISCTE;
01:22:44 - O papel que exerceu na informatização da Biblioteca Nacional de Portugal;
01:27:19 - O Clube de Esquerda Liberal – grupo criado por ele e outros estudiosos;
01:31:21 - Breves comentários sobre a relação com Adérito Sedas Nunes;
01:37:30 - A saída da Biblioteca Nacional;
01:40:30 - A relação com o Brasil: a ida ao Brasil em 1979 por ocasião da criação do IDESP (Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo) por Bolívar Lamounier;
01:42:45 - A relação com os amigos brasileiros, Sérgio Miceli e José Guilherme Melchior;
01:43:40 - O trabalho apresentado na IPSA (Instituto de Pesquisas Sociais Aplicadas), em 1982, sobre o fascismo português.
00:00:35 - Primeiro contato com o Brasil a partir do Centro de Estudos Latino-Americanos em Oxford;
00:02:33 - O contato com Fernando Henrique Cardoso;
00:06:09 - Relações políticas no Brasil;
00:17:20 - O convite de Bolívar Lamounier a Manuel Villaverde para a primeira ida ao Brasil, em 1981;
00:22:06 - Publicações sobre o tema do regime de Salazar;
00:23:35 - A criação do Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo (IDESP);
00:24:00 - O encontro de sociologia em Higienópolis, São Paulo, organizado por Bolívar Lamounier;
00:29:57 - A origem da ciência política portuguesa;
00:34:30 - A emancipação dos campos da história e da ciência política;
00:37:38 - A colaboração entre o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), o Instituto de Ciências Sociais (ICS) e o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE);
00:38:16 - O encontro com Renato Lessa;
00:42:48 - A investigação científica em Portugal;
00:48:12 - O Clube da Esquerda Liberal e o presente de Mário Soares a Villaverde Cabral, a Biblioteca Nacional;
00:49:45 - A volta ao Brasil, em 1982, para o Congresso Mundial de Ciência Política na Universidade Cândido Mendes e concessões no IUPERJ;
00:53:37 - O congresso Luso-Afro-Brasileiro em 1990;
00:58:18 - A importância do Brasil para os Portugueses;
00:58:55 - As colaborações entre Brasil e Portugal ao nível das ciências sociais;
01:02:47 - O intercâmbio luso-brasileiro de teorias;
01:12:21 - Sociólogos importantes de Portugal, a exemplo de José Machado Pais;
01:13:29 - Avaliações sobre as ciências sociais no Brasil e em Portugal;
01:17:17 - A bolsa Afro-Brasileira oferecida pelo ICS;
01:19:08 - A conexão com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR);
01:20:46 - Projetos realizados com brasileiros;
01:22:50 - O Centro de Estudos Sociais (CES) da América Latina, sediado em Minas Gerais;
01:25:29 - Momentos marcantes de passagens pelo Brasil;
01:25:54 - O encontro de sociologia e antropologia, em 2000;
01:26:45 - o contato com o candomblé em Salvador, Bahia e na baixada fluminense, Rio de Janeiro;
01:31:49 - A escolha de exercer apenas a carreira de pesquisador, e não mais lecionar;
01:35:21 - A entrada de Villaverde Cabral na carreira de sociólogo;
01:37:31 - O problema das publicações internacionais e o inglês como língua científica hegemônica;
01:41:11 - O ensino da sociologia em Portugal;
01:41:58 - As críticas de João Freire;
01:44:29 - A criação da Associação Portuguesa de Sociologia (APS), a partir do ISCTE, que engloba todas as instituições de sociologia;
01:47:41 - a qualidade do ensino da sociologia em Portugal, relacionada a um corpo docente constantemente ligado à pesquisa;
01:49:51 - Avaliações sobre o Brasil hoje;
01:52:51 - A questão dos imigrantes brasileiros em Portugal;
01:56:42 - O problema da massificação do ensino das ciências sociais;
01:57:28 - A utopia do ensino massificado e de qualidade;
02:03:22 - o problema do capital humano relacionado às desigualdades sociais;
02:09:14 - A possível emigração qualificada de portugueses ao Brasil.
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