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História Oral do Campo Jurídico em São Paulo

Metodologia

Embora tenha se iniciado com a pretensão de entrevistar personagens de destaque em geral, tal estratégia teve de ser reformulada após as primeiras entrevistas. Isso porque, numa das primeiras conclusões, percebeu-se que, a depender da específica forma de atuação profissional, as trajetórias dos entrevistados, e consequentemente os dados colhidos nas entrevistas, eram mais ou menos comparáveis entre si.

Por isso, optamos por uma segmentação da base de entrevistados, que restou dividida em:

  • acadêmicos notáveis – os chamados “juristas”;

  • empresários do direito;

  • lideranças políticas do campo jurídico;

  • advogados fundadores das grandes firmas paulistas full service.

Cada um desses segmentos representa um espaço de acúmulo de prestígio social diferente: empresários do direito, grandes advogados, juristas notáveis e políticos do campo têm prestígio, mas trata-se de prestígios distintos, e muitas vezes inconciliáveis entre si – pense-se em como é difícil ser, a um só tempo, um jurista admirado por seus pares e um bem sucedido empresário do ensino jurídico.

Esta primeira parte do projeto compreendeu basicamente entrevistas de personagens do primeiro grupo, os “juristas”, embora também tenham sido entrevistados personagens do empresariado jurídico e lideranças políticas do campo jurídico em São Paulo. É necessário sempre guardar em mente que a classificação quadripartite acima apresentada vale-se de tipos classificatórios ideais, de forma que haverá casos centrais de classificação – alguém que seja evidentemente um personagem de destaque apenas e tão somente por sua atuação, digamos, como fundador de um escritório full service –, mas haverá também casos difíceis de se classificar em uma ou outra categoria, exclusivamente. Longe de sugerir a inutilidade da classificação, essa zona de penumbra entre os grupos serve para mostrar que os diferentes espaços de atuação profissional e social de personagens de destaque no direito valorizam capitais simbólicos distintos, sendo valiosa a compreensão de sua relação recíproca.

O critério adotado para definir os juristas que iriam ser entrevistados foi a importância da atuação acadêmica ou prática no desenvolvimento de uma ou mais áreas do Direito, bem como no papel de liderança exercido no cenário jurídico respectivo. Buscando dar alguma objetividade a uma base amostral de tão difícil definição, optou-se por entrevistar professores renomados da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, o “Largo de São Francisco”, pela percepção social de ser ela o mais tradicional celeiro de “juristas” em São Paulo. Isso não representa qualquer assunção de natureza qualitativa sobre aquela academia ou seus professores em comparação com outras escolas; apenas assume que, sendo o status de jurista não uma propriedade natural de alguém, mas um papel social – é jurista não quem se sente jurista, mas quem é socialmente percebido como tal – a Faculdade de Direito da USP é um importante espaço de transferência de capital simbólico, em termos de prestígio intelectual e acadêmico, da instituição (a faculdade) para os indivíduos que dela participam, sejam eles alunos ou, como interessa aqui, professores.

A seleção de entrevistados buscou ainda focar-se naqueles que, sendo professores, são socialmente percebidos como personagens de destaque entre os próprios professores, pela abrangência e penetração de suas idéias em suas específicas áreas de atuação. Assim, a atuação de destaque do jurista, que consideramos suficiente para integrar sua entrevista ao banco de dados do CPDOC, levou em conta publicações de obras comumente utilizadas nos cursos de Direito e por profissionais da área, sua atuação como intelectual público do direito e o sucesso revelado em sua trajetória acadêmica e profissional. Além disso, buscou-se também cobrir variados campos do conhecimento jurídico, das disciplinas dogmáticas às propedêuticas, do direito público ao direito privado.

Até o final de 2012, foram realizadas 19 entrevistas com 12 entrevistados, que juntas, somaram 41 horas de gravação. Concluída esta primeira fase do projeto, dedicada aos juristas, espera-se que, ao longo dos próximos dois anos, seja possível realizar as entrevistas dos demais segmentos do campo jurídico paulista (empresários do direito, lideranças políticas do direito e advogados fundadores das firmas full service paulistas).

Os roteiros, que nos serviram de base para a realização das entrevistas, partiram de uma consulta ampla de fontes, como o currículo do entrevistado, obras jurídicas publicadas, notícias em jornais e revistas, depoimentos de outros entrevistados e livros autobiográficos, quando disponíveis, de modo a traçar os principais pontos significativos de suas trajetórias de vida, acadêmica e profissional. As informações dessas fontes documentais serviam, ademais, como um parâmetro objetivo de controle de algumas informações trazidas pelo entrevistado, quando fatuais (e não avaliativas), muito embora, frise-se, o propósito das entrevistas não seja primordialmente o de reconstruir fatos passados, mas sim o de avaliar trajetórias pessoais e articulá-las com um conjunto de valores vigentes no campo jurídico, que conferem a essas trajetórias, mais do que a outras, prestígio e admiração nesse espaço específico de interação social, do qual os próprios entrevistados são também partes.

 

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