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SEMINÁRIO "QUANDO O CAMPO É O ARQUIVO" - 2004

MESA 1:

Celso Castro (CPDOC/FGV)
O Estado, seus documentos e o pesquisador: reflexões a partir do arquivo do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil

Este trabalho aborda a trajetória que vai da constituição do arquivo do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil à sua transformação em fonte de pesquisa documental. Criado em 1933 e ligado ao Ministério da Agricultura, o Conselho funcionou ininterruptamente, até sua extinção em 1968, como um órgão fiscalizador do Estado brasileiro. Entre agosto de 1987 e abril de 1988 coordenei a equipe responsável pela organização do arquivo, depositado no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST). O arquivo foi em seguida aberto à consulta pública e tem sido, desde então, utilizado como fonte para a produção de trabalhos acadêmicos. O objetivo da reflexão aqui apresentada é desnaturalizar a existência dessa fonte documental, assinalando as opções feitas por diferentes atores tanto em sua constituição quanto no processo de sua organização.

 

Regina Abreu (UNIRIO)
Quando o campo é o patrimônio     Texto completo (em pdf)

É crescente o número de antropólogos que fazem pesquisas no campo do Patrimônio. Do ponto de vista reflexivo, muitos destes pesquisadores têm contribuído com análises acuradas sobre a questão do valor e de suas atribuições no contexto social, uma vez que os bens culturais patrimonializados são aqueles com forte conteúdo simbólico, capazes de expressar e/ou representar nações, regiões, etnias ou grupos sociais. Os estudos produzidos nesta direção seguem uma longa tradição antropológica, onde o recurso da relativização é usado enquanto instrumento para a interpretação do Patrimônio enquanto sistema simbólico dotado de coerência e lógica interna. Construir mecanismos de distanciamento/aproximação com relação ao objeto da pesquisa integra o trabalho destes antropólogos que entendem o campo do Patrimônio como uma das esferas do sagrado na cultura ocidental moderna. Assim, os diversos discursos do Patrimônio são analisados enquanto expressões de sistemas de crenças particulares com seus agentes próprios e uma comunidade de sentido que se atualiza permanentemente. Por outro lado, o fato do campo do Patrimônio constituir-se também enquanto um campo de intervenção social faz com que, em muitos casos, à perspectiva reflexiva dos pesquisadores sejam adicionados outros interesses e demandas. Entre os antropólogos que estudam, refletem e produzem sobre o Patrimônio e os antropólogos que se colocam como agentes ativos do Patrimônio podemos mapear correntes, vertentes e tendências. Nos anos mais recentes, tanto no contexto nacional quanto internacional, estas tensões e/ou conjugações entre atividades reflexivas e práticas vêm ganhando novos contornos com a implementação de uma política voltada para o inventário e registro do chamado Patrimônio Intangível. Particularmente neste campo, os antropólogos vêm ocupando espaço expressivo e sendo instados a formular critérios e metodologias capazes de ampliar a patrimonialização das diferenças culturais. A Comunicação que pretendo apresentar visa mapear as diferentes posições dos antropólogos no campo do Patrimônio discutindo as tensões e/ou conjugações entre diversas formas de atuação, reflexivas e/ou práticas.

 

Fraya Frehse (ESP - SP)
Os "informantes" que notícias e crônicas de jornal revelam - para uma etnografia das ruas do passado

Como realizar uma etnografia dos padrões de civilidade vigentes nas ruas de uma cidade do passado? A questão ganha relevância quando se visa compreender as peculiaridades socioculturais das regras de conduta que medeiam as interações dos indivíduos nas ruas, porém nem esses indivíduos, nem as ruas existem mais. E a documentação é esparsa e fragmentária, sendo o cenário da reflexão a interiorana São Paulo de antes da chegada da ferrovia (1865-1867). Este estudo visa demonstrar a importância teórico-metodológica que assumem nesse contexto os "informantes" que se pode construir a partir daquelas talvez tenham sido historicamente as primeiras notícias e crônicas jornalísticas sobre o dia-a-dia das ruas paulistanas publicadas de forma recorrente na cidade (com a fundação do segundo Correio Paulistano, em 1854). A dinâmica de produção dos respectivos textos (no primeiro semestre de existência do jornal) assegura para os seus autores a condição fenomênica de transeuntes nas ruas, uma exceção numa sociedade em que os lugares públicos pertenciam aos pobres, que ali se deixavam ficar dia a dia, e as elites por ali apenas passavam em ocasiões especiais. Advém dessa condição um estranhamento antropológico revelador dos padrões de conduta não apenas das nascentes camadas médias urbanas, mas também das elites, naquelas escravistas e patriarcais ruas oitocentistas.

 

 

MESA 2:

Ana Teresa A. Venâncio (Fiocruz)
As faces de Juliano Moreira: luzes e sombras sobre o seu acervo pessoal e suas publicações

Este trabalho tem como objetivo discutir o estatuto de originalidade e verdade concedido aos documentos que integram o arquivo pessoal de Juliano Moreira e as publicações desse psiquiatra baiano, considerado pelo imaginário social erudito como o pai da psiquiatria científica no Brasil. O presente material de reflexão advém de pesquisa antropológica que procurou analisar as representações de doença mental contidas no pensamento de Juliano Moreira e sua relação com as propostas para consolidação do processo civilizatório brasileiro nas três primeiras décadas do século XX. A partir dessa situação concreta de busca de fontes para pesquisa procura refletir, primeiramente, sobre o mito de origem que perpassa a constituição e preservação dos arquivos pessoais como aqueles que expressariam a experiência vivida, dada a própria forma como o arquivo foi elaborado por seu autor. Nesse sentido são apresentados e discutidos dados sobre a "busca do arquivo" de Juliano Moreira, marcada por silêncios e dúvidas quanto ao destino do acervo pessoal desse psiquiatra. Em seguida apresenta como tais "percalços" foram contornados, optando-se pela reconstituição do conjunto dos artigos publicados por Juliano Moreira e sobre ele. Apesar da dispersão desse material em diferentes bibliotecas e arquivos institucionais, essa face pública de Juliano Moreira, atualmente ainda iluminada pelos holofotes da ciência, contrasta com o ostracismo do final de sua vida e o "mistério" sobre os rumos de seu arquivo pessoal. Por último, busca discutir o estatuto de verdade concedido pelo próprio campo psiquiátrico às proposições publicadas por Juliano. Conclui que estas dizem respeito menos aos "avanços" da psiquiatria brasileira nas três primeiras décadas do século XX e mais à formulação de uma proposta programática para a política assistencial e as formas de tratamento aos doentes mentais. Nesta perspectiva, o presente trabalho interroga se a auto-representação desta especialidade médica sobre suas origens brasileiras científicas não pode ser considerada análoga à própria representação que a pesquisa em ciências sociais por vezes constrói em relação aos arquivos pessoais, sua originalidade e o estatuto de verdade sobre o indivíduo que comporta.

 

Heloísa Bertol Domingues (MAST)
O arquivo de Luis de Castro Faria e a história da Antropologia

Castro Faria doou o seu arquivo particular ao MAST, em 2001, ciente de que o material, que ele conservara por mais de 60 anos de atividades científicas, deveria ser trabalhado, desde então, por historiadores da ciência. O Mast, um Instituto do Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT), estava, naquela ocasião, em vias de reestruturar o seu arquivo, a fim de preparar-se para abrigar a memória das ciências brasileiras. A documentação do antropólogo sofreu, então, um primeiro impacto, com o rito de passagem, do privado ao público, ao mesmo tempo, que impôs a questão da identidade da disciplina com a instituição que a abrigava. Há que haver um lugar para a memória de cada disciplina? Castro Faria, atuando desde os anos 30, guardou e doou a documentação representativa da sua produção científica e de ensino, bem como da sua atuação na administração dos lugares de antropologia em que trabalhou: Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade Federal Fluminense. Tendo atuado também em associações científicas, a sua documentação permite vislumbrar, além da sua trajetória particular, a trajetória geral da antropologia no Brasil, as grandes inflexões do campo, a rede de antropólogos da qual fez parte e a rede interdisciplinar da antropologia. A história das ciências vem lançando-mão de um instrumental teórico-metodológico da história social e da antropologia, o que contribuiu para avivar o debate sobre as fronteiras das disciplinas, isto é, sobre a história e as ciências respectivas. Castro Faria, ao doar seu arquivo para uma instituição de História das Ciências minimizou tal questão. A quem cabe o título de "historiador das ciências"?

 

Luciana Heymann (CPDOC/FGV)
Os fazimentos do arquivo Darcy Ribeiro: memória, acervo e legado

O volume e a complexidade da documentação reunida no arquivo pessoal de Darcy Ribeiro guardam paralelo com a pretensão totalizante de suas teorias, bem como com a sua conhecida eloqüência ao falar de si. Trabalho acadêmico, militância política e produção literária mesclam-se, no arquivo, a repercussões de sua atuação, redes de relações pessoais e registros do cotidiano, revelando os múltiplos projetos em que esteve envolvido (ou, como ele talvez preferisse, seus múltiplos fazimentos), ao mesmo tempo em que o próprio arquivo se constitui em um ambicioso fazimento de memória. Buscaremos lançar um olhar antropológico sobre esse acervo, com o objetivo de revelar as características de sua constituição e conteúdo, bem como apontar os desafios que impõe às tarefas de ordenamento e descrição.

 

Olívia Maria Gomes da Cunha (UFRJ)
Do ponto de vista de quem? Diálogos, olhares e etnografias dos/nos arquivos

O paper pretende refletir sobre as ordens de valor, relevância e singularidade que caracterizam a configuração de certos arquivos etnográficos e/ou que pertenceram a antropólogos a partir de uma experiência etnográfica. Olhar imagens e ouvir vozes de antepassados biológicos e religiosos 'exumadas' das coleções de Ruth Landes (National Anthropological Archives) e Lorenzo D. Turner (Archives of Traditional Music) proporcionaram interpretações e diálogos singulares sobre o lugar do 'outro' no olhar do colecionador e os seus usos pelos pesquisadores que trabalham com documentos existentes em seus arquivos. Minha intenção é problematizar as relações entre pesquisa de campo e em arquivos, refletindo sobre a memória evocada pelo encontro com documentos oriundos de coleções/acervos etnográficos.

 

PESQUISA EM ARQUIVO: EXPERIÊNCIAS

Alexandre Zarias (USP)
Os tempos da etnografia e da análise histórica da interdição civil    Texto completo (em pdf)

Este estudo problematiza os limites e o alcance das perspectivas etnográfica e histórica aplicadas ao estudo dos processos de interdição tramitados em Campinas, tendo como base para a discussão dois estudos de caso. A interdição é um mecanismo legal de natureza civil, que pertence à área do direito de família, através do qual procura-se nomear alguém para que possa administrar os bens e a pessoa, ou somente os bens, de quem não mais possa fazê-lo por si só. Com a interdição, o maior de idade perde sua capacidade civil que passa a ser responsabilidade de outrem. Nesta análise são articuladas duas dimensões da pesquisa em antropologia: a sincrônica e a diacrônica. A primeira diz respeito ao acompanhamento de como são elaborados os processos judiciais. Seu principal objetivo é o estudo das formas de classificação empreendidas pelos representantes das instituições (justiça, medicina e família) presentes na interdição durante os procedimentos legais previstos (intimação, petição inicial, interrogatório, perícia médica e sentença). A segunda diz respeito ao trabalho em arquivos judiciais, nos quais é possível verificar as variações significativas da forma como a justiça e a medicina atuaram nas interdições, compreendendo um período de 50 anos (1942-1992). Contudo, tais perspectivas oferecem uma série de dificuldades ao pesquisador. Os processos judiciais não são apenas registros de eventos da forma como ocorreram, mas dos acontecimentos julgados relevantes para a classificação de suas personagens segundo critérios de avaliação previamente estabelecidos. Acontecimentos originais observados dentro de um certo contexto são transformados em fatos conforme a estrutura de interação estabelecida entre seus participantes, dentro da qual são definidos os critérios para a seleção dos eventos que dão credibilidade ao registro do ocorrido. Se, por um lado, etnograficamente seja possível acompanhar a forma pela qual um processo judicial é construído, de outro, não é possível ter acesso aos eventos que lhe deram origem. Tais registros nos fornecem informações de segunda mão. Além disso, os tempos da justiça, em geral lentos e estendidos, não correspondem aos atuais prazos acadêmicos para a pesquisa. De outro modo, o trabalho em arquivos oferece respostas que a etnografia das práticas judiciais não é capaz de oferecer. Nos arquivos é possível apreender uma dimensão temporal que nos permite ir além do espaço de interação entre os indivíduos, tornando visível parte da história das instituições das quais fizeram parte.

 

Andréa Osório (UFRJ)
O arquivo sobre o corpo: tatuagem e memória

A tatuagem é o processo pelo qual pigmentos são inseridos abaixo da pele, por agulhas ou qualquer outro material perfurante. Esse processo é permanente. Apenas recentemente desenvolveu-se uma técnica para sua remoção, a partir de aplicações de laser. Antes restrita a grupos socialmente marginalizados, a tatuagem hoje pode ser admirada nos corpos de indivíduos de quase todas as camadas sociais. O estudo da tatuagem no Brasil está começando. Os indícios históricos de uso da técnica contrastam, muitas vezes, com a história contada pelos tatuadores. A versão nativa, por assim dizer, traz em seu discurso categorias próprias, revelando um sistema de valorações no universo da tatuagem profissional. Ao mesmo tempo, construir uma história da tatuagem é tarefa difícil, uma vez que a obra se perde pela natureza mesma de sua "tela", a pele humana. Não apenas porque o corpo morre, mas também porque a tatuagem se desgasta, sendo eventualmente retocada ou coberta por outro desenho. A sua qualidade de permanente, que tanto causa apreensão, não é tão permanente assim. Pode apenas ser 'arquivada' por meio de fotografias, embora o tatuado seja, ele próprio, um arquivo da obra de um ou mais tatuadores, das técnicas empregadas para tatuar, dos desenhos da moda, bem como das memórias relacionadas a cada desenho, sobre fases de vida em que foram tatuados, expectativas relacionadas a estes momentos e outras questões objetivas e subjetivas que podem ser recordadas por meio das tatuagens. Neste sentido, gostaria de apresentar uma reflexão sobre a pele como um arquivo vivo, não apenas dos sujeitos tatuados, mas também das obras dos tatuadores, que eles vêem na qualidade de arte, considerando-se artistas.

 

Andreas Valentin (UFF)
Arquivo fotográfico: construção de imagem e desconstrução de processo.

Desde 1996, venho fotografando e pesquisando o Festival Folclórico de Parintins, onde dois grupos rivais, o vermelho Boi-bumbá Garantido e o azul Boi-bumbá Caprichoso se enfrentam num grandioso espetáculo amazônico de música, dança e encenação dramática. As mais de 20.000 imagens coletadas e classificadas ao longo de oito anos geraram um conhecimento que foi importante no processo de mostrar como a rivalidade entre eles se transforma na força motriz e construtiva da festa de Parintins e está profundamente enraizada na cidade e nas pessoas do lugar. O olhar e a linguagem fotográficas aliadas ao envolvimento e a intimidade do fotógrafo com o seu sujeito buscaram evidências e acabaram por produzir um arquivo sistemático, cujos fotogramas (poderiam ser chamados de "etnogramas"?), guardam informações que podem ser lidas individualmente, enquanto imagem, ou no conjunto, como documento e prova incontestável de um fenômeno sócio-antropológico. Ao mesmo tempo em que as fotografias/arquivo constróem uma imagem, elas também desconstróem um processo. Pretendo mostrar aqui como as informações transmitidas pelas imagens do arquivo fotográfico exemplificam aquilo que Michel Vovelle chama de "monumentos como testemunho da mentalidade coletiva", mentalidade essa que, no caso de Parintins, se traduz na rivalidade edificante entre Caprichoso e Garantido.

 

José Gabriel Silveira Corrêa (UFRJ)
Desafios para a antropologia: Reflexões a partir da pesquisa no arquivo da FUNAI

Neste texto, procuro discutir o trabalho antropológico em arquivos. Trato especificamente do trabalho de pesquisa em arquivos de instituições governamentais, utilizando-me como exemplo de dados e documentos obtidos em pesquisas realizadas no Arquivo Histórico Clara Galvão, pertencente a Fundação Nacional do Índio (FUNAI). A pesquisa em arquivos desta natureza - criados com o duplo objetivo de servir para consulta de pesquisadores (antropólogos, historiadores, etc.) e também de informar e orientar a atuação dos funcionários da FUNAI - acaba não só envolvendo a temática que interessa o pesquisador, mas também permitindo/impondo que exista um entendimento maior da própria FUNAI, da organização do arquivo e de como dados e problemas são construídos e armazenados por esta instituição. Assim, este trabalho pretende explorar as diversas possibilidades e questões pertinentes que a pesquisa em arquivos sugere para a antropologia e o fazer antropológico.

 

Kátia Lerner (UFRJ)
Entrevistando sobreviventes do Holocausto: reflexões sobre a construção de um arquivo

Esta comunicação tem como objeto de análise o processo de construção de um acervo com depoimentos de sobreviventes do Holocausto realizado pela Fundação da História Visual dos Sobreviventes da Shoah. Trata-se de uma organização criada em 1994 nos EUA que já coletou mais de 52.000 depoimentos no mundo inteiro. O objetivo será refletir sobre um determinado aspecto deste acervo, seu sistema de catalogação e indexação. Evidenciaremos como uma organização deste porte acabou por produzir um sistema "totalizador" de memória, que buscava localizar com uma precisão borgeana toda e qualquer informação em meio a mais de cem mil horas de testemunhos. O fundamento deste sistema classificatório estava ligado a determinadas características desta coleção, onde vigorava uma estreita relação com o "dever de lembrar" presente nas representações usuais sobre o Holocausto. Isto adquiriu um contorno ainda mais específico com a presença da tecnologia, vista como o elemento viabilizador destas memórias no futuro: uma memória mais perene que a pedra, o bronze ou o ferro, feita de megabytes.

 

Maria Gabriela Lugones      Texto completo (em pdf)
La trayectoria de un corpus y su problematizacion

La vigencia en Cordoba, Argentina de la ley provincial de "expurgo" que prescribe la destruccion de todos los "expedientes" judiciales -cumplidos ciertos plazos temporales a partir de su fecha de archivo- me impuso la definicion de una politica particular de pesquisa en pos del rescate de aquellos documentos que posibilitan conocer acerca de las relaciones de minoridad; producidas en/por procesos judiciales referidos a "menores"en la segunda mitad del siglo XX. Tal politica, formulada junto a la Directora del Archivo General de Tribunales de Cordoba en el 2000 y apoyada durante el 2001 por la Secretaria de Extension Universitaria de la Universidad Nacional de Cordoba, se materializo en la elaboracion del corpus documental aludido en el titulo y que constituye la referencia empirica de las investigaciones cuya textualizacion mas completa es la disertacion de maestria de mi autoria: Uma 'visita' aos 'expedientes' [PPGAS MN UFRJ 2004] Propongo un reflexion en torno a como la organizacion y constitucion de un fondo documental, c. 3700 "expedientes" substanciados por los Juzgados de Menores de Cordoba a partir de su creacion en 1957, no solo es condicion de posibilidad sino una dimension crucial de mi experiencia de trabajo etnografico. Aspiro discutir, por un lado, determinadas especificidades que las fuentes judiciales -tomadas como "nativos de papel"- portan para la practica antropologica; y por otro, ciertas implicancias de considerar a los funcionarios del Archivo en cuestion como "nativos que leen lo que nosotros escribimos". A proposito de este semanario, quisiera (re)visitar la construccion que realice del citado corpus de fuentes archivisticas y su inescindible relacion con la escritura antropologica que pretende fundar.

 

Sheila Maria Guimarães de Sá (Museu do Índio)
Os índios Fulniô de Águas Belas, memória e documento: a construção de instrumentos de pesquisa para a documentação do SPI

A documentação produzida pelo Posto Indígena General Dantas Barreto, criado em 1924 pelo Serviço de Proteção aos Índios - SPI (1910-1967), para dar assistência aos índios Fulniô de Águas Belas (PE) foi recolhida e catalogada constituindo-se hoje em uma das sub-séries do acervo do FUNDO SPI, sob a guarda do Serviço de Arquivos do Museu do Índio. Pretendemos apresentar algumas reflexões sobre o processo de construção de instrumentos de pesquisa e acesso para esta documentação, bem como algumas possibilidades de diálogos surgidas à partir da análise, indexação, sistematização e construção de registros documentais que constituirão o corpus documental do futuro catálogo dessa documentação. O trabalho ora em curso, visa resgatar e preservar parte significativa da memória da política indigenista brasileira, lançar luzes sobre as práticas do SPI junto aos Fulniô de Águas Belas e dar melhor acessibilidade aos pesquisadores e às lideranças indígenas a esses documentos

 

 

PESQUISA EM ARQUIVO: EXPERIÊNCIAS

Mirian Grossi (UFSC)
Pesquisando a história das pioneiras da antropologia francesa nos arquivos do Musée de l'Homme e da EHESS

Apresentarei nesta comunicação algumas reflexões sobre pesquisa que venho desenvolvendo desde 1997 sobre a participação das mulheres na história da antropologia francesa contemporânea. Além de entrevistas utilizei nesta pesquisa dados obtidos nos arquivos da Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) onde Denise Paulme e Germaine Tillion lecionaram dos anos 50 aos anos 70 do século XX. Em 2000, quando os arquivos do Musée de L´Homme foram abertos à consulta pública pude também descobrir importantes documentos relativos às pesquisas antropológicas francesas realizadas nos anos 30. Refletirei também nesta comunicação sobre as dificuldades e as particularidades da pesquisa documental sobre a história da Antropologia, hoje na França.

 

César Gordon (UFRJ) e Fabíola A. Silva (MAE/USP)
Objetos vivos e relacionais: a curadoria da seleção etnográfica Xikrin-Kayapó no Museu de Arqueologia e Etnologia - MAE/USP

A comunicação tem por objetivo apresentar e discutir uma experiência interdisciplinar realizada no âmbito do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, a saber: a curadoria do acervo de objetos de cultura material coletado por Lux Vidal entre os índios Xikrin-Kayapó, desde a década de 1970. Trata-se de um conjunto de mais de 400 peças, incluindo adornos corporais (principalmente plumária), instrumentos musicais, armas, ferramentas, trançados, etc. Pretendemos falar sobre as possibilidades relacionais e re-significantes desses objetos, em diversos níveis: do ponto de vista da investigação etnográfica, antropológica e arqueológica; do ponto de vista museugráfico (documentação, conservação e exposição); do ponto de vista histórico; do ponto de vista artístico e estético; e principalmente do ponto de vista da própria população indígena, cuja reapropriação conceitual desses objetos poderá repercutir nos processos de auto-percepção e constituição de identidades coletivas.

 

Priscila Faulhaber (Museu Paraense Emílio Goeldi)
Artefatos rituais, campo e arquivo

Entende-se campo como o lugar genérico da prática disciplinar da antropologia. Neste sentido, tendo em mente que cabe diferenciar as concepções de "pesquisa de campo" e de "campo antropológico", trabalha-se aqui com uma concepção de etnografia que perpassa ambas definições. Trata-se de correlacionar o problema de pesquisa, seus lugares de operação as fontes de conhecimento e sua estruturação de acordo com os princípios de operação do campo disciplinar. Considera-se nesta comunicação dentro de uma definição abrangente de arquivo, os artefatos Ticuna coletados por Curt Nimuendaju para o Museu Goeldi em 1941 e 1942. A iconografia dos citados artefatos, é examinada com relação à mitologia exposta na monografia deste etnógrafo (1952) e com a simbologia do ritual de puberdade ainda encenado nos dias de hoje.

 

 

 

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