RESUMO DAS APRESENTAÇÕES:
Karina Kuschnir
Cinema documentário e Antropologia: a experiência com Vocação do poder
O processo de pesquisa e realização do filme-documentário Vocação do Poder (Eduardo Escorel e José Joffily), do qual fui consultora, será discutido à luz de uma experiência etnográfica no mundo político.
Clarice Peixoto
A foto no filme: imagens de acervos pessoais e arquivos públicos
Recorrer aos acervos fotográficos pessoais, ou aos arquivos públicos, em um filme etnográfico permite alavancar processos de rememoração e de reconfiguração do passado. Há uma certa proximidade entre memória e fotografia que evidencia a situação, pública ou privada, vinculada a este documento, mostrando a relação privilegiada entre elas. Assim, a inserção de imagens de acervos fotográficos em um filme cria, fundamentalmente, uma relação com o tempo uma vez que são pausas que remetem ao passado fotografado e que concorrem com o presente do filme. Nesse processo, os acervos fotográficos mudam de estatuto ao serem retirados do seu lugar de conservação: de simples fotografias se transformam em imagens de informação e atuam como artefatos históricos, revelando acontecimentos e práticas culturais de um determinado grupo social, em um dado momento.
Nesta comunicação, discuto o uso de acervos fotográficos nos filmes etnográficos, particularmente no vídeo-portrait. Na reconstituição da história de um personagem, a imagem fotográfica desempenha um papel importante na evocação dos fatos do passado e dos quais, muitas vezes, restam apenas fragmentos de memória. Ao garimpar esses acervos pessoais, ou publicos, buscamos imagens fotográficas que possibilitem a construção das relações possíveis entre uma memória individual e a memória coletiva.
Marc Piault
Registros, dominação: primeiro encontro entre antropologia e cinema
Proponho refletir sobre a natureza do exotismo e algumas das razões que permitiram diferenciá-la do positivismo etnográfico, principalmente entre as duas guerras mundiais.
Em primeiro lugar, retomarei o contexto e a natureza dos elos que unem o cinema e a etnologia no momento da "invenção" simultânea dos dois no final do século XIX; evocarei, em seguida, alguns elementos - talvez contraditórios - de identificação do exotismo; por fim, indicarei algumas razões para pensar por que o filme de Léon Poirier, La Croisière Noire, introduziria uma ruptura na ordem das representações simplesmente exotizantes. No entanto, avalio esta ruptura como tendo oferecido à etnografia somente um modo de utilização didática e objetivante de um cinema formalmente marcado pela ideologia colonial. Minha proposta evocará principalmente os inventores do cinema e os primeiros etnólogos que o utilizaram (Edison, Dikson, Jules-Étienne Marey, Félix-Louis Regnault, os irmãos Lumière, o programa de arquivos filmados do Planeta do banqueiro Albert Kahn, os filmes de Cort Haddon, Baldwin Spencer, Rüdolph Pöch) e as primerias imagens de exploração antártica filmadas na origem da obra de Flaherty, Nanook of the North. E preciso mencionar também Edward Curtis e os filmes do Major Reis no Brasil antes de passar à aventura do exotismo e do colonialismo.
José Sérgio Leite Lopes e Rosilene Alvim
Quando a volta ao campo, trinta anos depois, leva à pesquisa de imagens e sons: a demanda de memória dos tecelões de Pernambuco
Trata-se de refletir sobre a teia de relações envolvendo a produção de um documentário sobre a memória de trabalhadores têxteis de Pernambuco durante a maior parte do século XX, baseado em pesquisa antropológica e historiográfica feita desde 1976 e retomada nos três últimos anos. Nesta ocasião, encontramos dentre trabalhadores aposentados e sindicalistas desejos e iniciativas no sentido do registro audiovisual de sua memória. Os operários reconstituem a trajetória das gerações que chegam do campo para o trabalho fabril entre os anos 1930 e 1950, assim como a vida cotidiana no auge do patronato textil e a forte presença de suas empresas em cidades ou bairros industriais. Ressaltam suas lutas pelo direito de associação, por melhorias salariais e de condições de trabalho e pela permanência nas casas da vila operária até as ultimas décadas do século passado. Ênfase será dada, na apresentação, aos arquivos pessoais e institucionais de imagens e sons na produção do documentário.
RESUMO DAS COMUNICAÇÕES:
Vivian Irene Arias
Antropologia, archivo e imagen: La representación fotográfica de los pueblos indígenas del Noroeste Argentino
El uso de la cámara fotográfica y la posibilidad que otorga de inscribir imágenes tiene consecuencias en el campo tecnológico y estético. Estas consecuencias se traducen en el discurso que acompaña tanto a la máquina fotográfica como a su producto: la fotografía. En este sentido, la cuestión del realismo y la semejanza, el sujeto, el objeto y lo real son centrales en la representación de imágenes. Interesa en este trabajo enfocarse en el contexto de recepción de la fotografía y los significados que suelen atribuírseles. Se propone analizar la representación de los pueblos indígenas del noroeste argentino a través de la fotografía, desde las primeras obtenidas hasta las actuales, utilizando las imágenes del Archivo Fotográfico del Museo Etnográfico J. B. Ambrosetti, em páginas web y folletos publicitários.
E-mail: vivian.irene.arias@gmail.com
Cidade/Estado: Buenos Aires / Argentina
Telefone: 11 4632 3680
Titulação: Mestre
Instituição: Universidad de Buenos Aires
Leonardo Carvalho Bertolossi
Arquivo, Laboratório ou Campo? Experimentações e Experienciações do Musée du Trocadéro ao Quai Branly
Após as críticas pós-modernas e pós-coloniais, os antropólogos voltam-se à "materialidade" das "coisas" nativas. Neste cenário, objetos e museus têm seu papel revitalizado desde o estigmatizado passado vitoriano. Já em 1947, no "Manuel d'ethnographie", Marcel Mauss apontava o lugar dos museus etnográficos como laboratório dos mitos científicos da época, em sua obcessão por arquivar, analisar e descobrir uma universalidade humana. O Musée de l'Homme já despontava como símbolo da etnologia e índice de extensões com a École Colonial, e com as expedições de Griaule e Labouret pelo continente africano. O objetivo da comunicação é refletir acerca da potencialidade de pensar os museus como arquivos e campo simultaneamente. O foco será sobre as políticas de exibição e o trânsito das coleções do Musée de l'Homme, do Trocadéro ao Quai Branly, suas relações com a conquista e perda da autoridade antropológica sobre os "Outros", desde debates sobre transculturalidade estética às fruições das "arts premiers" do Quai Branly.
E-mail: leobertolossi@bol.com.br
Cidade/Estado: Niterói / Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2612-6847 (Res.) e 8139-4751 (Cel.)
Titulação: Mestre
Instituição: PPGAS - Museu Nacional - UFRJ
Fabiane Vinente dos Santos e Jean R.Maia
O "jogo compreensivo" pelas imagens: aportes antropológicos sobre a concepção dos militares sobre indígenas em um filme do Exército Brasileiro
Esta comunicação insere-se num projeto de pesquisa mais amplo que visa abordar a presença de indígenas no Exército brasileiro, mais especificamente na área do alto rio Negro, na tríplice fronteira Brasil, Colômbia e Venezuela (Amazonas). No desenvolvimento da pesquisa, nos deparamos com uma fonte de dados "pouco ortodoxa" composta por pequenos filmes de em média 8 minutos sobre a atuação do Exército Brasileiro na Amazônia e que se constituíram em objetos de análise na busca de compreensão da ideologia militar em relação aos indígenas construída no interior das instituições militares. Nos deteremos na análise do filme "Soldado Índio: soldados indígenas no Exército" (2006), de Guido Amion Naves, a partir da idéia de "jogos compreensivos" da hermenêutica gadameriana.
E-mail: vinente@gmail.com
Cidade/Estado: Campinas-SP
Telefone: (19) 32891715
Titulação: Doutorando(a)
Instituição: Unicamp
Evandro de Sousa Bonfim
A internet como campo etnográfico: a comunicação visual nos arquivos virtuais
A importância da internet como espaço para a pesquisa etnográfica é dupla. Em primeiro lugar, a interconexão mundial de computadores possibilita o acesso à extensa fonte documental representada pela web. A lógica de organização deste imenso arquivo virtual está construída a partir de características desta mídia. A internet também se apresenta ao antropólogo como ambiente simbólico onde se desenvolve os mais diversos tipos de experiências sociais. Em ambos os casos, as imagens ocupam um papel importante, visto que tanto os dados documentais como os vivenciais são apresentados em forma de interface gráfica. O objetivo deste trabalho é apresentar referências visuais que vão auxiliar a pesquisa etnográficas nas interfaces gráficas que se constituem como bases de dados virtuais.
E-mail: evandrobonfim@hotmail.com
Cidade/Estado: Rio de Janeiro/RJ
Telefone: 8270-4675
Titulação: Doutorando(a)
Instituição: PPGAS/Museu Nacional - UFRJ