Em sua tradição de preservação, produção e tratamento de fontes documentais para pesquisa histórica, o CPDOC foi um dos centros pioneiros no Brasil na utilização da metodologia da História Oral. Pesquisadores e documentaristas aprimoraram ao longo de décadas o uso da História Oral como fonte e método importantes para o conhecimento da História brasileira e para o desenvolvimento da Historiografia nacional. Ao dispor ao público parte de seu acervo referente à cidade de Brasília, um destaque especial deste Dossiê é dado à memória e aos relatos orais existentes sobre a sua construção.
Um conjunto de depoimentos, cujos relatos vêm também transcritos para o grande público, foi realizado especialmente para o Dossiê. São entrevistas gravadas e filmadas pela equipe de pesquisa com familiares de arquitetos, com mestres de obra e com cineastas que se dedicaram a revelar o lado “obscuro” do soerguimento da capital. Entre eles, destacamos Luiz Áquila da Rocha Miranda, artista plástico, filho de um dos principais arquitetos incumbidos da concepção de Brasília – Alcides da Rocha Miranda. Ao papel estratégico desempenhado por seu pai, somam-se suas reminiscências de infância e juventude, compondo um cenário da vida cotidiana na capital que crescia e assumia novas configurações, à revelia de seus próprios idealizadores.
Outra entrevista colhida com o propósito especial de integrar este Dossiê é a do diretor Vladimir Carvalho. O cineasta dirigiu o longa-metragem “Conterrâneos velhos de guerra” (1991), lançado quase na mesma época em que a cidade completava trinta anos. O filme traz um duro e contundente relato dos operários-migrantes que se deslocaram para o planalto central com a esperança de ali encontrar uma vida nova e promissora. Os testemunhos mostram não só as desilusões sofridas ao longo do processo, como os recorrentes abusos das autoridades policiais sobre os candangos. Passados vinte anos de realização do filme, o cineasta reconstitui as circunstâncias da filmagem e faz um balanço da evolução urbana da cidade, com a sua experiência de nordestino, radicado brasiliense, ele próprio professor da Universidade de Brasília.
Como já foi assinalado na Abertura do Dossiê, no decorrer do ano novas entrevistas serão incorporadas a esta seção, seja com arquitetos seja com operários que tomaram parte na edificação da cidade. Destaque-se o fato de que a História Oral tem sido enriquecida, nos últimos anos, com a possibilidade de se criar registros não somente sonoros como audiovisuais. Sob a coordenação do cineasta Eduardo Escorel, o Programa de Pós-Graduação em Cinema Documentário, junto ao Núcleo de Imagem e Audiovisual do CPDOC, coordenado por Arbel Griner e Adelina Novaes e Cruz, têm possibilitado incrementar o acervo da instituição com o importante recurso da imagem. Sendo assim, além da transcrição, os depoimentos serão agregados com a respectiva filmagem dos entrevistados e estarão disponíveis aos que naveguem no sítio.
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