A- A+

Verbetes do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro - DHBB

INTRODUÇÃO À 1º EDIÇÃO

 

I. MOTIVAÇÃO E HISTÓRICO

O Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro foi concebido com a finalidade básica de oferecer aos interessados e estudiosos de nossa história contemporânea informações organizadas e sistematizadas que nenhum outro trabalho por si só reuniu.

Obra de referência de inegável utilidade, estes volumes vêm dispensar afanosas pesquisas, ao apresentar de forma concentrada enorme massa de dados até aqui dispersa em grande número de fontes primárias e secundárias, muitas de difícil acesso.

Com o intuito de compor um instrumento de trabalho inédito em nossa historiografia, percorremos minuciosamente todas as fontes disponíveis, coligindo copioso ma­terial e proporcionando aos leitores, como sentenciava Sa­cramento Blake, "a conveniência de acharem num só livro o que, a custo, só poderão encontrar esparso", além de abrir-lhes acesso a muitos elementos informativos confinados na memória, em progressiva extinção, de protagonistas e teste­munhas do período. Sacramento, nosso maior bibliógrafo do século XIX, anunciava seu dicionário como "um cometi­mento que, se dá a quem o toma a glória do trabalho, dá também ao país a glória de perpetuar-se a memória de tantas ilustrações, já caídas, ou que vão tombando na vala obscura do esquecimento".

A consciência da urgente necessidade de uma obra desse tipo foi-se avivando para mim a partir - de 1970, quan­do trabalhava, inicialmente com Hélio Silva e depois na En­ciclopédia Mirador internacional. O imenso esforço dispendido cada vez que era necessário localizar um dado, singelo que fosse, fazia-me refletir sobre o ônus que tal situação representava para a difusão da informação na sociedade e para a pesquisa histórica em particular.

A associação das aludidas experiências profissionais tor­nou gritante a urgência de alterar esse estado de coisas e su­geriu-me ao mesmo tempo a pertinência e a viabilidade de um dicionário como este.

Obras muito difundidas nas principais línguas de cul­tura, os dicionários de uma área específica do saber vêm se multiplicando também no Brasil, onde muitos trabalhos edi­tados nos últimos anos trouxeram grande desembaraço ao estudo dessas matérias.

Por outro lado, penso também que a ignorância factual, decorrente em grande parte dessa rarefação informativa, e o exagero teoricista que marcou ultimamente o ensino e a prática das ciências sociais no país são fatores que se ali­mentam reciprocamente, contribuindo para a persistência de mitos que toldam a compreensão do passado e o projeto do futuro. Francisco Iglésias reconhece o problema ao afir­mar que "não tardou a chegar-se ao exagero, por parte dos mais afoitos e ligeiros, que vão negar o fato e querem só a interpretação, servida pela teoria ( ... ). O seguro levanta­mento da realidade, com a valorização do factual (ele só pode ser desprezado depois de conhecido), é imposição da história contemporânea, como o foi em outros tempos”.

Armado de tal convicção, comecei a desenhar os con­tornos do trabalho até apresentá-lo a Celina do Amaral Pei­xoto Moreira Franco, que então impulsionava os primeiros passos do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A acolhida que Celina conferiu ao projeto – demonstrando aguda compreensão da falta que fazia uma obra do gênero – infundiu novo ânimo à ambiciosa empresa.

Ao lado de Vera Lúcia Ruiz Calicchio, que comigo passou a compartilhar a germinação da obra, e com o apoio da chefia do jovem Cpdoc, obtivemos do Conselho Federal de Cultura o primeiro financiamento. Era 1974. O Dicionário começava a deixar de ser apenas um sonho.

Com um pequeno grupo de estagiários, partimos para os levantamentos iniciais, recebendo logo depois o impor­tante reforço da colaboração de Alzira Alves de Abreu, que se desincumbiria da coordenação do setor temático. Mais tarde um pouco, Marieta de Morais Ferreira trouxe concurso decisivo a um setor que apresentava particulares dificuldades: os verbetes de história da imprensa.

Em seguida, a contratação de Sérgio Flaksman e seu invejável manejo ­da frase permitiu que se começasse a dar forma final aos textos e pesquisas até então reunidos. Deve­-lhe o Dicionário as normas de redação e a fixação dos principais traços de estilo.

Em 1976, firmava-se o primeiro convênio com a Financiadora de Es­tudos e Projetos (Finep), a agência governa­mental que a partir de então passava a amparar maciçamen­te também as pesquisas de ciências sociais, num inestimável trabalho de apoio a um campo tão relegado.

Sucessivamente renovado, o convênio com a Finep assegurou durante oito anos a manutenção de uma equipe que chegou a englobar 35 pessoas, entre pesquisadores, redatores e outros profissionais, propiciando assim a conclusão do trabalho em 1983 e em seguida sua edição. Em mais de um instante cheguei a pensar - tama­nho era o percurso pela frente e tão grandes as dificulda­des - que tudo seria posto a perder, que o trabalho ia ficar inacabado como tantas iniciativas dessa natureza. Vinham à cabeça as desastradas alquimias de José Arcadio Buendia, que não resultavam senão em "torresmo carbonizado".

Isso que alguns céticos consideravam miragem ou obra faraônica só foi possível fazer chegar a bom termo graças ao decisivo esteio da Finep, à ampla acolhida da FGV, à operosidade da ­equipe e à determinação da coordenação do projeto.

  

Topo da Página

II. ABRANGÊNCIA

O Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro abrange o período histórico iniciado com a Revolução de 1930. A escolha desse ­acontecimento como marco inicial do trabalho pareceu-nos adequada por tratar-se de "um ponto de ruptura, propiciador de significativa renovação na elite política e gerador de novas instituições, movimentos etc.". Acompanhamos ass­im desde o nascedouro grande parte do universo temático-biográfico considerado.

O Dicionário é constituído de 4.493 verbetes ordena­dos alfabeticamente, sendo 3.741 de natureza biográfica e 752 relativos a instituições, eventos e conceitos, aos quais verbetes temáticos.

Os universos biográfico e temático considerados foram delimitados por critérios essencialmente objetivos e de acor­do com o conhecimento disponível sobre o período históri­co. A preocupação básica do Dicionário está voltada para a história política e sob esse ângulo foram selecionados seus componentes. Entidades e personagens das áreas econômica, administrativa, cultural, artística etc. só foram admiti­das na obra a partir de uma avaliação de sua relevância polí­tica.

No plano biográfico, foram incluídos todos os ocupan­tes dos mais relevantes cargos políticos e de repercussão po­lítica, omitindo-se apenas os interinos e os suplentes de curto exercício do mandato. A malha de personagens as­sim detectados recobre o território decisivo da ação polí­tica no país. As brechas restantes nesse urdimento corres­pondem aos espaços ocupados pelas lideranças das rebeliões que se sucederam ao longo desses anos e por alguns raros protagonistas de relevo detentores unicamente de posições informais de poder. As insurreições consideradas no levanta­mento desse elenco humano abrangem as revoltas de 1922, 1923 e 1924, a Coluna Miguel Costa-Prestes, as revoluções de 1930 e 1932, os levantes de 1935 e 1938, o 11 de no­vembro de 1955, as revoltas de Jacareacanga e Aragarças e as sublevações dos sargentos em 1963 e dos marinheiros em 1964. Episódios que tiveram profunda repercussão nos rumos históricos do país, como o Atentado da Toneleros ou os confrontos entre grupos de esquerda e o sistema repressivo a partir de 1968, foram igualmente esquadrinhados para que se pudesse identificar e incluir na obra os personagens aí emergentes.

Por concentrar-se na esfera federal, o Dicionário não contemplou a maior porção do mundo político-administra­tivo regional e municipal, excetuadas uma poucas categorias de relevo inquestionável. Proceder de outro modo implicaria uma tal ampliação do trabalho que viria certamente decre­tar sua inviabilidade.

Desse modo, figuram na obra todos os ocupantes dos cargos de presidente da República, vice-presidente da Repú­blica, candidato à presidência da República, governador e interventor de estado, ministro de Estado, chefe do Gabine­te Civil da Presidência da República (antigo secretário da Presidência da República), chefe do Gabinete Militar da Pre­sidência da República (antigo Estado-Maior da Presidência da República), chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA; antigo Estado-Maior Geral), ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro do Superior Tribunal Militar (STM), ministro do Tribunal de Contas da União, senador federal e constituinte, deputado federal e constituinte, chefe dos estados-maiores do Exército, Marinha e Aeronáutica, coman­dante da Escola Superior de Guerra (ESG), comandante de Exército (e equivalentes que o precederam: inspetor de gru­pos de regiões militares e comandantes de zonas militares), chefe de departamentos do Exército (e equivalentes que os precederam), comandante do 1 Distrito Naval, comandante do III Comando Aéreo Regional (antiga 111 Zona Aérea), embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Inglaterra, Fran­ça, Alemanha, Itália, Portugal, União Soviética, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia, Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA), embaixador dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Argentina no Brasil, presidente do Ban­co do Brasil, presidente do Banco Central (e superintenden­te da Superintendência da Moeda e do Crédito, Sumoc), presidente do Instituto Brasileiro do Café (e equivalentes que o precederam, Conselho Nacional do Café e Departa­mento Nacional do Café), presidente da Petrobrás, superin­tendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nor­deste (Sudene), presidente do Banco Nacional da Habitação (BNH), presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE, atual Banco Nacional do Desenvolvi­mento Econômico e Social), presidente do Instituto Nacio­nal de Previdência Social (INPS), diretor-geral do Departa­mento Administrativo do Serviço Público (DASP), consul­tor-geral da República, procurador-geral da República, diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (e equiva­lentes que o precederam: chefe de polícia do Distrito Fede­ral e diretor do Departamento Federal de Segurança Públi­ca), prefeito do Rio de Janeiro e de São Paulo, reitor das universidades Federal do Rio de Janeiro (antiga Universida­de do Rio de Janeiro, depois Universidade do Brasil), de São Paulo e de Brasília.

Além desses elementos da área estatal, acolhemos uma importante amostra da sociedade civil, representada por presidentes das mais importantes federações e confedera­ções de empregados e empregadores, presidentes da União Nacional dos Estudantes (UNE), jornalistas mais destaca­dos, arcebispos do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Recife, presidentes e secretários-­gerais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), líderes e presidentes de partidos políticos.

Na esfera temática, foram incluídos os partidos polí­ticos e as organizações e movimentos políticos (entidades políticas de nível mais baixo de institucionalização); os principais acontecimentos histórico-políticos; as constituintes, constituições e alguns destacados decretos, leis e có­digos; certas correntes e conceitos básicos de história po­lítica; as instituições econômicas de maior repercussão no cenário nacional; as mais assinaladas organizações de tra­balhadores e empresários; importantes instituições administrativas, das forças armadas, de justiça e segurança e de ensi­no; os jornais de impacto nacional e itens concernentes às relações exteriores do país.

A amplitude desse universo fez com que nem sempre fosse possível incluir todos os elementos de determinado grupo temático, seja por seu número incontável, como no caso dos jornais, seja pela baixa relevância política, situa­ção de muitas entidades administrativas.

Mesmo a nossa relação original de verbetes temáticos não figura na obra de forma integral, já que alguns especia­listas não apresentaram suas colaborações, Em certos casos foram substituídos, em outros só nos restou eliminar o ver­bete. Foi o que ocorreu, por exemplo, com os textos sobre o Conselho Interministerial de Preços (CIP) e a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL).

Por um lado, então, como dissemos, a abrangência do Dicionário ficou delimitada pela Revolução de 1930. Por outro, foram incluídos apenas os personagens e temas surgidos no panorama político nacional até 1975, quando o universo de trabalho foi definido. Economia de espaço e ra­zões operacionais ditaram esse procedimento: a inclusão de novos grupos de verbetes - o conjunto de deputados de uma legislatura, por exemplo - requer longo processo de pesquisa e elaboração que impõe necessariamente um perío­do de carência entre a edição da obra e sua abrangência temporal.

É evidente contudo que procuramos apresentar a bio­grafia integral de cada personagem e o relato completo de cada evento ou instituição, rastreando-os desde o surgi­mento até o final de 1982, na maioria dos casos. Não obstan­te, foi às vezes impossível estender o verbete até momento tão próximo. Tendo começado a concluir os textos desde 1979 e sendo imenso o volume de trabalho, em alguns casos a atualização não atingiu aquela data, de modo a não retar­dar a edição e não cair num círculo vicioso em corrida atrás do tempo.

Cabe ressaltar que o tratamento dado às situações his­tóricas anteriores a 1930 foi em geral menos aprofundado do que o conferido ao foco principal do trabalho. Não foram considerados personagens e temas cuja trajetória expirou com a Revolução de 1930 ou ainda antes, na Primeira Re­pública, embora algumas exceções notáveis, como Washing­ton Luís e Siqueira Campos, tenham sido admitidas, em função de seu realce como antagonistas ou animadores dos novos tempos.

  

Topo da Página

III. OS VERBETES

Ocorrem nesta obra três tipos de verbetes. O primeiro deles, numericamente predominante, compreende textos sem assinatura, frutos do trabalho associado de vários elementos da equipe permanente. Os conceitos emitidos nesses textos, como nos da categoria seguinte, derivam de orienta­ção centralmente definida pelo projeto.

O segundo grupo abrange verbetes duplamente assina­dos, pelo pesquisador e pelo copidesque, nessa ordem, um responsável pelo levantamento de dados e montagem da pri­meira versão, outro incumbido da forma final e normaliza­ção do texto.

O terceiro tipo, finalmente, engloba alguns temas cuja preparação foi confiada a especialistas das respectivas áreas do conhecimento, responsáveis únicos pelos textos, submetidos no Dicionário apenas a normalização. Esses verbetes são identificados pela expressão "colaboração especial" acrescentada ao nome do autor.

Segundo o padrão preestabelecido, que se procurou se­guir com o maior rigor, todo verbete biográfico inclui uma série de informações e particularidades básicas, a saber:

  1. Abaixo o título do verbete, segue-se uma caracteriza­ção sumária do personagem, com os principais cargos ocu­pados e os respectivos períodos de exercício. Esse cabeça­lho, que visa facilitar a identificação do biografado, emprega siglas e abreviações cujo significado pode ser encontrado na lista correspondente. Por abrigar apenas os cargos e carac­terizações considerados critérios de inclusão do biografado, esse elemento introdutório foi denominado "justificativa'. Observe-o e exemplo:
    AUGUSTO, José
    dep. fed. RN 1915-1923; gov. RN 1924-1928; sen. RN 1928-1930; dep.
    fed. RN 1935-1937; const. 1946; dep-fed. RN 1946-1955; pres. ACRJ
    1959-1961.
  2. O primeiro parágrafo do texto propriamente dito inicia-se pelo nome completo do personagem, grafado com destaque, acompanhado do local e data de nascimento e da filiação e caracterização dos pais. Também em destaque, registram-se aí outros nomes de adoção e pseudônimos. Ainda nesse parágrafo ou estendendo-se pelos seguintes aparecem ascendentes, irmãos e colaterais de atuação política e/ou destaque nacional. Note-se o exemplo:
    AUGUSTO, José
    dep. fed. RN 1915-1923; gov. RN 1924-1928; sen. RN 1928-1930; dep.
    fed. RN 1935-1937; const. 1946; dep. fed. RN 1946-1955; pres, ACRJ
    1959-1961.
    José Augusto Bezerra de Medeirosnasceu em Caicó (RN), no sertão de Seridó, região vizinha à Paraíba, em 22 de outubro de 1884, filho de Manuel Augusto Bezerra de Araújo e de Cin­dida Olindina de Medeiros. Pertencia a uma importante família de políticos, uma das oligarquias de seu estado. Seu avô mater­no, José Bernardo de Medeiros, chefe político do Seridó por mais de três décadas no fim do Império...
  3. Iniciada naturalmente pelos estudos elementares, a narração da vida e da trajetória do personagem faz-se tanto quanto possível em ordem cronológica, quebrada apenas em casos excepcionais e em benefício da melhor compreensão. Os textos de maior extensão são dotados de entretítulos destinados a amenizar a leitura e facilitar a localização da informação desejada.
  4. No final do verbete consigna-se o local e data de morte, seguido do nome do cônjuge e do número de filhos. Havendo-se a família do cônjuge sobressaído no mundo político e cultural, essa circunstância é igualmente registra­da, o mesmo ocorrendo no caso dos filhos e outros descen­dentes. Na situação, relativamente usual, de estar o casa­mento do biografado associado à sua carreira, o evento é in­serido na ordem cronológica própria.
  5. O verbete se encerra pelo arrolamento das obras es­critas tanto pelo personagem como a seu respeito, nessa or­dem. Para não alongar desmesuradamente o Dicionário, re­lacionam-se apenas os livros, eliminando, salvo casos excep­cionalíssimos, os artigos e outros escritos de menor vulto. Os livros são designados pelo título, seguido sempre que possível do gênero, do número de ordem e da data da edi­ção. Livros sobre o personagem e seus respectivos autores são mencionados quando efetivamente centrados na figura em tela.
  6. Concluído o texto e de acordo com a classificação aludida mais acima, podem figurar os nomes dos responsá­veis por sua elaboração.
  7. Por último, são indicadas todas as fontes utilizadas na composição do verbete, apresentadas, por economia de espaço, de forma codificada. Uma bibliografia exaustiva in­cluída ao final da obra permite decodificar essas informa­ções.

Também os verbetes temáticos incorporam informa­ções comuns, embora, por englobar uma grande variedade de categorias, tais como instituições, eventos e conceitos, resistam ao enquadramento em padronização tão rígida quanto a adotada para o setor biográfico. Ainda assim, esses verbetes se desenvolvem obrigatoriamente através de um itinerário que inclui as seguintes etapas:

  1. Abaixo do título do verbete, o primeiro parágrafo do texto destina-se a uma definição sucinta do tema, pro­curando precisar seus marcos temporais e espaciais de sur­gimento e extinção. Mencionam-se aí outros possíveis designativos, siglas e abreviações aplicáveis ao objeto em apreço.
  2. Segue-se um capítulo dedicado à abordagem dos antecedentes, onde se trata da afinidade com instituições predecessoras e/ou de conjunturas vigentes no período imediatamente anterior à emergência do tema.
  3. Tanto quanto nas biografias, a evolução da matéria é acompanhada cronologicamente, adotando-se também en­tretítulos que abreviam a consulta. Indica-se a área geográ­fica de atuação ou de ocorrência; os principais fundadores, participantes e líderes; as finalidades e funções do objeto tratado; seus programas, estatutos e estrutura organizacio­nal, assim como suas respectivas alterações; resultados no plano eleitoral e na esfera política em geral.
  4. Aconclusão do verbete relata o fechamento, dissolu­ção ou encerramento do tema, procurando explicar as ra­zões para o fato, a conjuntura em que se deu e as repercus­sões políticas que produziu. Apresentam-se, quando perti­nentes, os elementos que sucedem ou substituem o tema de­sativado.
  5. Ao final do texto, do mesmo modo que nas biogra­fias, constam os nomes dos responsáveis pelo verbete, acom­panhados da expressão "colaboração especial", se for o caso. Nessa última hipótese, a estrutura básica será respeitada com menor rigor, uma vez que as contribuições desses au­tores são publicadas, no essencial, tal como recebidas.
  6. Segue-se então a relação das fontes codificadas, tal como apontado para os verbetes biográficos.

Entenda-se naturalmente que a eventual omissão de in­formações dos gêneros aqui enumerados, tanto nos temas quanto nas biografias, significará ou a inexistência das mes­mas ou a impossibilidade de sua obtenção nos limites de nosso trabalho.

Na construção desta obra, perseguindo sempre o maior didatismo e clareza, adotou-se o princípio de descrever os eventos e instituições mencionados de modo que cada verbete fosse autônomo, ou seja, prescindisse de conheci­mentos especializados ou da leitura de outros verbetes para ser compreendido. Assim, a narração dos mesmos fatos se acha repetida, com variáveis graus de profundidade, em tan­tos verbetes quanto necessário. Não foram utilizadas, por­tanto, remissivas de texto, comuns em obras do gênero.

Evitou-se ao máximo o recurso às abreviações, restritas à chamada "justificativa' das biografias e as limitadas incidências nas legendas e créditos de ilustrações. Nesse mesmo sentido, todas as unidades de informação são apresentadas, na primeira ocorrência de cada verbete, com sua designação por extenso. Grafa-se, assim, inicialmente Instituto Nacio­nal de Previdência Social (INPS) e só então simplesmente INPS. O mesmo se dá com os antropônimos, incluídos, na primeira ocorrência, sempre de forma completa, ou seja, com pelo menos um prenome e o nome de família, ignoran­do-se as partículas pouco conhecidas, que apenas dificul­tariam a identificação do nome. Assim, na primeira ocorrência em cada verbete, constam Manuel Tomás de Carvalho Brito, João Alberto Lins de Barros, Juscelino Kubitschek (e não Juscelino Kubitschek de Oliveira), Prudente de Morais (e não Prudente José de Morais Barros). Nas ocorrências se­guintes no mesmo verbete podem ser utilizadas formas reduzidas, tal como consagradas: Carvalho Brito, João Alber­to, Kubitschek, Juscelino, etc.

Os textos são pontilhados de datas, incluídas no mais das vezes com precisão que alcança o mês e, em alguns casos mais relevantes, o próprio dia e até a hora.

Buscou-se consignar os topônimos com suas denomina­ções completas, as que tinham à época dos fatos e as atuais. Adotou-se o município, conforme instituído, como unidade administrativa básica, fazendo acompanhá-lo a sigla da cor­respondente unidade da federação, excetuadas as capitais de estado. Assim, qualquer localidade de ordem menor está, sempre que possível, referida ao município que a contém. As siglas dos estados e territórios brasileiros constam da lis­ta de abreviações. Das cidades estrangeiras, salvo as mais co­nhecidas capitais, indica-se sempre os países a que perten­cem.

Foi nosso intento em todos os verbetes proceder à sele­ção dos dados com a maior objetividade, fugindo tanto das apologias como dos libelos. Tratando de temas políticos e sociais, e além do mais de vigência muito próxima a nossos dias, é compreensível que se tenham percorrido diversas passagens polêmicas, sujeitas a variados enfoques e versões. Sempre que isso se deu, procuramos abonar o texto com a indicação da fonte e, tanto quanto possível, consignar duas ou mais visões do mesmo episódio. A menção da fonte se faz no próprio texto, além, como já ficou dito, do arrola­mento geral ao final do verbete. Não foram utilizadas por­tanto notas de rodapé ou quaisquer outras.

As divergências porventura verificadas entre verbetes não devem causar espécie. Decorrem do uso de diferentes fontes igualmente fidedignas e traduzem com realismo o es­tado do conhecimento sobre o assunto. Preferimos que o conflito entre dois dados transmita ao leitor uma dúvida real, ao invés de inculcar-lhe, através de questões artifici­almente fechadas, certezas que nossa historiografia ainda não pode estabelecer. À parte isso, dada a natureza do tra­balho, pode-se admitir a incidência de incorreções e equívo­cos.

O tamanho dos verbetes foi estabelecido primordial­mente em função da importância dos mesmos. As biogra­fias de alguns dos expoentes da Segunda República, como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Eurico Dutra, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Humberto Castelo Branco, as­sumiram efetivamente grande vulto, tendo mesmo a de Var­gas merecido edição autônoma em livro.

Outros fatores contudo interferiram no dimensiona­mento dos verbetes, em especial a disponibilidade de dados. Essa contingência provocou dois tipos de desvios: quando a informação abundava em nível desproporcional à relevância do tema ou personagem, o verbete resultou algo maior do que o padrão da categoria; quando, ao con­trário, a informação escasseava ou inexistia, o verbete natu­ralmente definhou, às vezes em desacordo com certo realce que seu objeto possa ter desfrutado, chegando mesmo em alguns casos a reduzir-se à expressão mais elementar. A esse respeito já nos havíamos pronunciado: "Que fazer dos ver­betes com renitente insuficiência de dados? ( ... ). Parece­-nos oportuno, todavia, preservar a inclusão da massa majo­ritária dessa categoria. Seria a confissão humilde - que deve caracterizar a atividade científica - da incapacidade da pes­quisa em recolher informações sobre esses personagens e temas, ao mesmo tempo que a afirmação do princípio de que o mínimo é mais satisfatório que o nulo."

Não deve pois o leitor se surpreender quando deparar com verbetes que se limitam unicamente a mencionar o cargo básico exercido por um figurante ou o momento de criação de uma instituição. Pensamos estar, assim, prestan­do o serviço de registrar a existência desses elementos, como que ressuscitando-os e deixando à pesquisa ulterior o rastreamento de suas trajetórias.

  

Topo da Página

IV. FONTES

Empregamos na elaboração do Dicionário vastíssima gama de fontes, palmilhando de modo exaustivo toda a bibliografia disponível, além de recorrer com grande fre­qüência a diversos outros gêneros. Comprove-se essa afirmação pela simples consulta à relação bibliográfica apre­sentada ao final da obra.

Num trabalho dessa natureza, é natural que tenhamos privilegiado as fontes secundárias, que compreendem mate­rial já depurado e estruturado e forneceram, por isso, ele­mentos de absorção mais imediata pelos verbetes. As fon­tes primárias constituíram todavia importante ingrediente do trabalho, aportando em muitos casos os recursos capitais à elaboração do texto.

Podemos classificar do seguinte modo as fontes utili­zadas:

Fontes secundárias:

  1. Fornecedoras de informações de uso direto, or­ganizadas segundo critérios semelhantes ao deste dicionário: enciclopédias gerais e setoriais, coletâneas de efemérides, biobibliografias, as obras genealógicas, repertórios (tipo who's who) e dicionários biográficos e temáticos (gerais, se­toriais, regionais etc.), históricos de entidades e instituições (monografias descritivas, material de divulgação institucio­nal), listas de personagens e instituições (nominatas), necro­lógios e obituários, homenagens pessoais e institucionais, perfis produzidos pelos departamentos de pesquisa dos ór­gãos de imprensa.
  2. Fornecedoras de informações de uso direto ou in­direto, organizadas segundo critérios distintos dos aqui em­pregados: memórias, depoimentos, obras comemorativas (póstumas, natalícias etc.), biografias e autobiografias, gale­rias biográficas, monografias de base factual, relatos, descri­ções e testemunhos de períodos e eventos, a historiografia geral, regional e municipal, incluindo as histórias temáticas e os trabalhos analíticos de ponderável base factual explí­cita.

 

Fontes primárias:

  1. Arquivos privados, especialmente os depositados no Cpdoc, mas também os de outras origens. Incluem cor­respondência, documentação oficial, estudos, dossiês, recor­tes de jornais etc.
  2. Arquivos públicos: o Arquivo Nacional, os arqui­vos estaduais e de órgãos da administração pública direta e indireta, os institutos históricos, os registros civis, policiais, judiciais, eclesiásticos e militares (nascimentos, batismos, casamentos, óbitos, prisões, processos judiciais, fés-de-ofício, cadernetas de assentamentos militares, etc.)-
  3. Jornais e periódicos, de alcance nacional, regional e municipal, além de órgãos oficiais, partidários, profissio­nais, associativos, técnicos etc.
  4. Fontes oficiais, que compreendem, na realidade ' elementos de fonte primária e de fonte secundária. Englobam os almanaques profissionais, entre os quais se desta­cam os militares e os diplomáticos; os registros parlamentares, como os anais, as súmulas de discursos, as listas de ora­dores; as estatísticas eleitorais; os relatórios oficiais; os discursos e mensagens; a coleção de leis e outros repertórios jurídicos.
  5. Informações orais ou escritas fornecidas especialmente para o Dicionário por biografados, seus familiares e amigos, ou por testemunhas e participantes de instituições ou eventos, ou ainda pelas próprias instituições; entrevistas amplas ou específicas, histórias de vida e depoimentos, mui­tos produzidos pelo Setor de História Oral do Cpdoc, pre­enchimento de formulários biográficos, currículos etc. Esses dados, quando fornecidos por informantes individuais, foram grosso modo designados como "entrevistas" ou "currículos"; quando oriundos de entidades, como "cor­respondência".

Nessa miríade de fontes, umas trazem informações de porte proporcional ao requerido pelo verbete; outras extra­polam enormemente a dimensão almejada, exigindo traba­lhosas condensações para extrair o essencial; outras ainda, muito raquíticas, abrigam apenas subsídios, limitando-se a apontar indícios ou fornecer fragmentos, dos quais temos de partir, "como Cuvier do dente ou o ceramista do caco", no dizer de Pedro Nava.

Conforme mencionado, são consignadas ao final de cada verbete todas as fontes utilizadas em sua elaboração. A de­cisão de codificar essas fontes foi adotada por economia de espaço, sendo sua decodificação possibilitada pela biblio­grafia inserida no final da obra, onde se acham todas as re­ferências por extenso.

  

Topo da Página

V. ILUSTRAÇÕES

Os principais verbetes foram dotados de ilustrações - imagens que encerram alto valor informativo e constituem precioso testemunho de época, não se limitando a um papel acessório, mas adquirindo, apesar da função ilustrativa, o máximo possível de força documental e autonomia.

Como proclamam estudiosos do documento visual, "no Brasil a fotografia ainda é pouco explorada como fonte histórica. Sendo freqüentemente utilizada como mera ilus­tração, subordinada ao texto, seu potencial informativo não é plenamente revelado". A iconografia do Dicionário, contudo, foi concebida com base na convicção de que a imagem "algumas vezes pode revelar relações pessoais ou políticas omitidas e até negadas pela historiografia, ou per­mite observar certos arranjos de diversos elementos - a ex­pressão dos retratados, sua disposição, os trajes, os cenários, etc. - que compõem uma visão da 'realidade' de um aconte­cimento que de outro modo seria muito difícil, senão impossível, recuperar."

Por razões de ordem econômica, não foi possível recor­rer às ilustrações na proporção desejada. Os custos da obra, já de si muito elevados, teriam se tomado proibitivos se uti­lizássemos iconografia a cores ou se a multiplicássemos além do montante e das dimensões empregadas. Tivemos assim que reduzir de forma drástica a produção de fotografias especialmente para a obra, abastecendo-nos de preferência em nosso próprio acervo e em diversos outros arquivos pú­blicos e privados.

Por outro lado, o tratamento inadequado e a pouca atenção que sempre recebeu a documentação visual provocaram nos acervos existentes imensos desfalques e lacunas, que dificultam sobremodo a pesquisa.

Apesar das apontadas restrições, procuramos fazer am­plo uso de todos os gêneros de imagens, destacadamente da fotografia, principal instrumento visual de uso gráfico em nosso século. Lançamos mão também de charges, carica­turas, fac-símiles de documentos, mapas, desenhos, cartazes, cartões postais etc. Vedado o recurso à policromia, fomos obrigados a desconsiderar, embora conscientes do empobre­cimento que isso representa, todas as formas de artes plásticas calcadas na cor, como a pintura.

Com a diversificação alcançada, buscamos fazer o má­ximo de rendimento estético, descritivo e analítico, visando, através da associação de texto e imagem, expor o nervo da história.

Quanto ao objeto da imagem, além do retrato - jus­tificadamente majoritário num trabalho de acentuado cu­nho biográfico - selecionamos reproduções de grupos de personagens, de solenidades e manifestações públicas e de flagrantes da história do período, buscando focalizar sem­pre os momentos mais decisivos duma trajetória humana ou temática.

Predominam, além dos instantâneos tomados no calor dos acontecimentos - nem sempre documentados, para dis­sabor dos historiadores - as cerimônias de posse e transfe­rência de cargos, de assinatura de acordos, de inaugurações, as reuniões, desfiles, passeatas, comícios, assembléias, con­venções etc. - todas costumeiramente registradas pelo fotojornalismo.

Embora tivéssemos a preocupação de preservar a inte­gridade documental das imagens, não escapamos em alguns casos de fazer cortes em fotografias, para adequá-las à sua função ilustrativa, que não caberia a nenhum título des­conhecer.

Cada imagem é acompanhada de duas referências: a legenda, situada sob a mesma; os créditos do fotógrafo ou desenhista (quando conhecido) e do fornecedor da ilustração (instituição, empresa, arquivo, doador etc.), indicados na vertical à esquerda. As siglas dos créditos estão incluídas na lista de abreviações. Premidas pela concisão, as legendas registram apenas as formas consagradas dos antropônimos, tal como ocorrem nas entradas dos respectivos verbetes, admitindo também as siglas das instituições mais conheci­das. Quando possível, indica-se o local e a data de produ­ção da imagem e a função que o retratado então exercia. Ainda em favor da concisão, nem sempre se mencionam todos os figurantes da ilustração, mesmo que identificados. Aco­lhem as legendas duas exceções às normas: algumas palavras de amplo uso aparecem abreviadas; os ordinais usados na localização de personagens são grafados numericamente.

  

Topo da Página

VI. CONSIDERAÇOES FINAIS

Eis portanto o Dicionário! Nele empenhei durante muitos anos o melhor de minha cabeça e muito do meu co­ração, a ponto de a vida ter se entrelaçado com o trabalho numa trama difícil de desatar. Quem acompanha desde a semente o crescimento de um jequitibá sabe do que estou falando.

Com este livro, desejei expressar a força dos laços que me ligam ao meu país e ao seu povo. "O historiador - es­creveu Alzira Alves de Abreu - se propõe a reconstruir o passado sabendo a priori que só atingirá a reconstrução de parte dos fatos e acontecimentos históricos, que chegará apenas a uma pálida expressão da multiplicidade de aspec­tos diversos e contraditórios que constituem a vida so­cial". Ainda que marcada, como tudo, por tal indefec­tível limitação, esta obra retrata e ajuda a conhecer toda uma importante faceta do Brasil contemporâneo, contribu­indo para melhor compreender essa nação dilacerada e ins­tigante.

Ao fim e ao cabo de um árduo labor, faço minhas as palavras dos editores da Enciclopédia Mirador, grande pro­jeto cultural realizado no país: "Conscientes da importância e utilidade desta obra, temos, ainda assim, o sentimento de humildade, corolário lógico do ânimo de bem servir".

Nesse sentido, cabe ressaltar que a primeira edição de uma obra desta envergadura, que incorpora milhares de uni­dades informativas factuais, nomes, datas, topônimos etc., pode conter incorreções e omissões, provenientes de uma das muitas etapas de elaboração, da pesquisa à composição gráfica.

Para sublinhar essa contingência basta recordar que a Encyclopaedia Britannica, aparecida pela primeira vez em Edinburgh entre 1768 e 177 1, só alcançou a qualidade hoje universalmente reconhecida depois de sucessivas reedições, responsáveis por um contínuo aprimoramento da versão original.

Por tratar o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro exclusivamente de matéria contemporânea, cabe ainda acrescentar que sobre cada um dos elementos particulares que o compõem haverá sempre um brasileiro que conheça algo a mais do que aqui vai encontrar.

Em alguns casos foram vãos nossos esforços para conse­guir que biografados ou familiares fornecessem dados in­formativos ou revissem os originais que lhes diziam respeito. Algumas lacunas devem-se, assim, a essa circunstância.

No entanto, parafraseando Antônio Houaiss, pressupo­mos que um leitor, examinando aqui a exposição feita em matéria de sua competência e verificando que está correta no essencial e objetivamente transmitida, possa inferir, por extensão, que também o estejam as de que não é especia­lista.

Ficaremos extremamente reconhecidos pelas retifica­ções e acréscimos que nos chegarem, os quais com a máxi­ma diligência incorporaremos às reedições, aos apêndices ou aos volumes suplementares que formos lançando. Aspira­mos assim atingir em breve a depurada perfeição das obras modelares do gênero.

A despeito das falhas que a obra possa conter, é com grande satisfação que a entregamos ao público, certos de que também a ela se aplica o desabafo de Sacramento Bla­ke: "Façam melhor, se o quiserem; e poderão fazê-lo, porque necessariamente lhes há de aproveitar muita cousa desse trabalho mau e imperfeito que aí deixo" .

  

Topo da Página

VII. AGRADECIMENTOS

Só foi possível levar a bom termo o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro graças à frutífera associação de duas entidades de fato beneméritas da cultura nacional: a FGV e a Finep.

A FGV, como é de seu feitio, acolheu mais um ambi­cioso projeto que dificilmente outra instituição abrigaria. Através do Cpdoc, sediou o trabalho, forneceu toda infra­estrutura e assegurou a manutenção do núcleo da coordenação.

A Finep, desempenhando inestimável papel de fomen­to da produção científica e cultural, sustentou desde 1976 a maior parte da equipe do projeto e financiou em condições muito favoráveis sua edição. Quem milita hoje no mundo acadêmico e nas instituições de pesquisa do país reconhece sem favor o inigualável significado da atuação dessa agência governamental, que demonstrou especial visão quando es­tendeu seu apoio ao tão desassistido campo das ciências hu­manas e sociais. O Dicionário testemunha o acerto dessa po­lítica. Com ele disseminam-se pela sociedade os frutos de uma ampla pesquisa ensejada por recursos públicos.

Outras instituições contribuíram igualmente no finan­ciamento da pesquisa, em primeiro lugar o Conselho Fede­ral de Cultura, responsável pelo impulso inicial, e também o Ministério da Agricultura e as empresas Companhia Pe­troquímica do Nordeste (Copene), Pronor Petroquímica e Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga. Auxílios indi­viduais fornecidos pela Fundação Ford e pelo Conselho Na­cional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, convergiram do mesmo modo para o projeto.

No quadro da FGV, gostaríamos de agradecer em par­ticular ao dr. Luís Simões Lopes, seu presidente, que sempre soube aliar o crédito ao projeto a um rigoroso espírito crí­tico, ao dr. Roberto Hermeto Correia da Costa, seu superintendente-geral, que manifestou invariável boa vontade para resolver os problemas administrativos que permearam um trabalho deste porte, ao dr. Nelson Borba de Araújo, diretor administrativo, ao dr. Paulo Agostinho Neiva, dire­tor financeiro, ao dr. Marcos Botelho, advogado, e ao dr. Benedito Silva, diretor do Instituto de Documentação.

Dr. Temístocles Cavalcanti, diretor do Instituto de Direito Público e Ciência Política, Indipo, nos apoiou desde a primeira hora e até às vésperas de falecer acompanhava o andamento do trabalho. Dr. Afonso Arinos de Melo Franco, atual diretor do Indipo, nunca regateou ao projeto a aten­ção de sua cultura e inteligência.

Celina do Amaral Peixoto Moreira Franco, chefe do Cpdoc, nos deu generosa acolhida quando o Dicionário não passava de um plano e depositou sempre irrestrita confian­ça em seu sucesso. Os componentes do conselho de coorde­nadores do Cpdoc, Aspásia Alcântara de Camargo, Valen­tina da Rocha Lima, Célia Reis Camargo, Adelina Maria No­vais e Cruz, Maria Clara Mariani e Ana Maria de Lima Bran­dão, minhas doces colegas, trouxeram em todos os momen­tos oportunas sugestões e contribuição valiosa ao trabalho. Maria Luísa Queirós e Ana Lígia Silva Medeiros, do subsetor de biblioteca, atenderam sempre com diligência à demandas exigentes do Dicionário. O subsetor de audiovisual, um dos mais importantes núcleos brasileiros de documentação histórico-fotográfica, foi responsável pela ilustração da obra. Seus integrantes estão assinalados na relação da equipe.

Todos os demais membros do Cpdoc emprestaram de algum modo seu concurso a este trabalho, seja diretamente, seja através de sua produção intelectual, importante fonte para muitos verbetes.

Não teria como ressaltar suficientemente a importância do papel de Alzira Alves de Abreu para o Dicionário. Inte­grando-se ao trabalho desde os primeiros momentos, foi sempre o esteio seguro e a companheira dedicada cuja inte­ligência, determinação e experiência foram essenciais para o feliz desfecho do projeto.

Marieta de Morais Ferreira assumiu a supervisão dos verbetes de história da imprensa num momento em que esse segmento do trabalho perdia o fôlego. Apoiando-se essen­cialmente em entrevistas com jornalistas, elaborou a primei­ra história de alguns dos mais importantes diários brasileiros.

Dora Flaksman, além de garantir a padronização geral, esmerou-se em transformar, qual fada, frases brilhantes ou trôpegas em textos fluentes e límpidos.

José Alan Dias Carneiro não só controlou de modo im­pecável o fluxo e arquivamento dos textos, como, dedican­do-se inteiramente ao trabalho, exerceu, diversas outras fun­ções, inclusive de pesquisa e redação.

A equipe responsável pela elaboração da obra, discri­minada nominalmente nas páginas de créditos, é merecedo­ra do mais amplo reconhecimento. Foram esses trabalhado­res intelectuais que erigiram, pedra a pedra, o monumento de informação histórica que acabamos construindo. Mesmo na adversidade e até nos desencontros, essa equipe respon­deu com grande entusiasmo às exigências, às vezes extenu­antes, do trabalho. Nesse rico conjunto humano, estabele­ceram-se laços não só de identidade profissional e compa­nheirismo, mas de verdadeira afeição e amizade.

Além de enaltecer a atuação da Finep, queremos des­tacar o papel de seu presidente José Pelúcio Ferreira, que inaugurou o programa de apoio ao Cpdoc, desenvolvido e ampliado por integrantes de três sucessivas diretorias da en­tidade: Luís Alfredo Baumgarten Júnior, Gerson Edson Ferreira Filho e João Válter Merlo, presidentes, Alexandre Henrique Leal Filho, Mário Brockman Machado, Fábio Cel­so de Macedo Soares Guimarães, Carlos Antônio Lopes Pe­reira, Dionísio Dias Carneiro, Marcelo Paiva Abreu, José Adeodato de Sousa Neto, Arlindo de Almeida Rocha e Sér­gio Faria Lemos da Fonseca, diretores. Contamos também com a melhor receptividade de muitos funcionários do ór­gão, entre os quais assinalamos Celso Alves da Cruz, Wilson Chagas de Araújo, Paulo Gustavo Migon, Madalena Diegues Quintela, Roberto Neiva Blundi, Miriam Lewin Redínger, Sônia Coqueiro Gomes Garcez, Jane Camargo, Otávio da Franca, Antônio Cláudio Sochaczewski e, muito especial­mente, Renato da Mata.

No Conselho Federal de Cultura nossa causa foi patro­cinada pelos professores Raimundo Muniz Aragão e Raymundo Faoro, pelo diretor e pelo secretário do Departa­mento de Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura, Manuel Diegues Júnior e Roberto Parreira. O con­vênio firmado com o Ministério da Agricultura resultou do empenho do ministro Alysson Paulinelli e do secretário­-geral Paulo Afonso Romano. As empresas Pronor Petroquímica e Copene, através do dr. Carlos Mariani Bittencourt e com o decidido apoio de Maria Clara Mariani, e a Compa­nhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, através do dr. João Pedro Gouveia Vieira e do dr. Carlos Alberto Rabaça, evi­denciaram como pode a iniciativa privada amparar as ativi­dades culturais no país.

A Editora Forense-Universitária, por intermédio de sua diretora Regina Maura Moreira Pinto Zingoni, demonstrou arrojo ao assumir a edição de uma obra que outras empre­sas relutaram em aceitar, ainda que o projeto dispusesse de financiamento governamental. A casa matriz, Editora Fo­rense, concorreu com sua estrutura organizacional para via­bilizar o projeto de edição.

Antônio Houaiss, com sua proverbial erudição e com­petência, me introduziu ao complexo labor de organiza­ção do saber, aos mistérios de uma enciclopédia, além de ter acedido em preparar o prefácio deste Dicionário. Hélio Silva, autor da vasta obra que fundamentou tantos estudos posteriores, me acolheu nel mezzo del cammin, num mo­mento de adversidade e provação, e despertou em mim o in­teresse pelo Brasil real.

Antônio Simões dos Reis, para quem, como escreveu Carlos Drummond de Andrade, "a única coisa que conta é o livro" juntou-se à nossa equipe já quase octogenário mas ainda na pujança de sua capacidade de trabalho, que dedi­cou ao Dicionário até quase às vésperas de falecer. Bruno de Almeida Magalhães trouxe relevante contribuição de sua prodigiosa memória e de seu vasto saber, atendendo sempre com boa vontade a nossas infinitas indagações.

Ainda na FGV, sublinhamos a atenção e gentileza com que tantos funcionários distinguiram o nosso trabalho. Ape­sar do receio de cometer injustiças por omissão, quero citar:

Ana Lúcia Ribas França
Beatriz de Sousa Wahrlich
Carlos Henrique Leal
Clodomir Oliveira Gomes
Cristiana Arnarante
Denise Caldas
Eber Carvalho de Sousa
Eugênio de Carvalho Decourt
Gilda Goffi
Guaraciaba Azeredo Coutinho
Haydée Amélia de Sousa
Iara Ferreira de Sousa
Ilma Rodrigues da Fonseca
Janice Monte Mor
Lídia de Queirós Sambaqui
Lígia Scrivano Paixão
Margareth Rosa Tavares
Maria Rosalina Leve
Marieta Latorre
Marilena Leite Pais
Mauro Gama
Miriam Lourdes Goulart
Mônica Bastos Ferreira
Ocário Silva Defáveri
Olímpio da Costa Pacheco
Sérgio Néri Costa Pinto
Teonilda Fernandes de Oliveira
Wilson de Jesus Costa
Zilda Araújo Albuquerque
Zilda Sartorato Gomes

 

Muitos outros órgãos, instituições, empresas e persona­lidades contribuíram para a elaboração desta obra. Quere­mos nomear os seguintes:

Abeilard Barreto (+)
Alberto Venâncio Filho
Alzira Vargas do Amaral Peixoto
Augusto Leivas Otero
Aurélio Wander Bastos
Austregésilo de Ataíde
Carlos Beloch
Carlos Rocque
Ciro Aranha
Cleanto de Paiva Leite
Davi Klajnic
David Fleischer
Edgar Carone
Edna Benoliel
Eduardo Chuahy
Eldite Pereira da Silva
Ênio Sílveira
Ernâni Amaral Peixoto
Francisco Reinaldo de Barros
Gastão Vieira
Guilherme de La Peña
Hugo de Faria
Jânio de Freitas
Jesus Soares Pereira
João Batista Barreto Leite Filho
João Gomes Teixeira (+)
João Guilherme Vargas Neto
Jorge Aluísio Fontenelle
José Carlos Barbosa de Oliveira
José Guilherme Canedo de Magalhães
Leda Laboriau
Lídia Cambacau de Miranda
Marcelo Cerqueira
Maria Augusta Ghisleni
Maria Estela Faria de Amorim
Maria Vitória Benevides
Maurício Nabuco (+)
Moacir Medeiros de Santana
Nelson Freire Lavenère Wanderley
Nelson Simões
Oku Martins Pereira
Orlando da Fonseca Rangel Sobrinho (+)
Paulo Geiger
Pedro Tórtima
Raul Loureiro
Raul Ryff
Rosa Maria Barbosa de Araújo
Rui Costa Gama
Rui Moreira Lima
Rollie E. Poppino
Salomão Naslauski
Tito Ryff
Valter Fernando Piazza
Vera Duarte
Wellington Moreira Franco
Abril Cultural
A Gazeta Esportiva
Arquivo Nacional
Arquivo Público Mineiro
Banco Central
Banco do Brasil
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social
Biblioteca Nacional
Biblioteca Pública do Paraná
Bloch Editores
Câmara dos Deputados - Centro de Documentação e Informação
Centro de Documentação do Exército
Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica
II Comando Aéreo Regional
III Comando Aéreo Regional
V Comando Aéreo Regional
Confederação Nacional do Comércio
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabeleci­mentos de Crédito
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Marítimos, Fluviais e Aéreos
Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Consultoria-Geral da República
Editora Abril
Embaixada da Argentina no Brasil
Embaixada da França no Brasil
Embaixada na Inglaterra no Brasil
Embaixada da Itália no Brasil
Embaixada da República Federal da Alemanha no Brasil
Embaixada dos Estados Unidos no Brasil
Empresa Brasileira de Notícias
Escola Superior de Guerra
Estado-Maior das Forças Armadas
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
Fundação Joaquim Nabuco
Gabinete Militar da Presidência da República
Governo do Distrito Federal
Governo do Estado da Bahia
Governo do Estado da Guanabara
Governo do Estado de Alagoas
Governo do Estado de Santa Catarina
Governo do Estado de São Paulo
Governo do Estado do Espírito Santo
Governo do Estado do Pará
Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Instituto Brasileiro do Café
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Instituto Latino-Americano de Desenvolvimento Econômico e Social
Instituto Nacional de Previdência Social
Jornal do Comércio
Ministério da Indústria e Comércio
Ministério das Comunicações
Ministério das Minas e Energia
Ministério das Relações Exteriores
Ministério do Trabalho - Centro de Documentação e Infor­mática
Ministério dos. Transportes - Centro de Documentação e Publicações
Museu da Fazenda Nacional
Museu da Imagem e do Som, São Paulo
O Estado de São Paulo
O Globo
Petrobrás
Procuradoria Geral da República
Rede Globo de Televisão - Departamento de Documentação
Secretaria Estadual de Administração de Mato Grosso
Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro
Secretaria Estadual de Justiça de Pernambuco
Senado Federal - Prodasen
Serviço de Documentação Geral da Marinha
Sociedade Nacional da Agricultura
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
Superior Tribunal Militar

Grande número de pessoas trouxe informações que vie­ram enriquecer os verbetes, seja oralmente, seja por escrito. Quando os dados fornecidos pelo informante se prestaram à elaboração de sua própria biografia, a circunstância é in­dicada apenas na relação de fontes ao final do verbete. Quando as informações foram dar corpo a outros verbetes, o informante é mencionado também na bibliografia ao final da obra, seção de entrevistas ou de correspondência. A to­dos estendemos nossa gratidão.

Permito-me enfim uma incursão no plano pessoal, já que também aí o trabalho repercutiu intensamente. Nessa esfera, nunca serão demais as palavras de ternura que diri­jo a Edith, Antônio e Henrique, minha mulher e meus filhos, que viveram e estimularam cada dia dessa obra. Gregório e Libina, meus pais, me apoiaram incondicionalmente desde sempre. Lédice Dutra sabe o quanto me ajudou.

 

Israel Beloch

Julho de 1983

 

  Twitter Facebook Youtube Flickr Eclass      Mais   

   

 

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
RIO: Praia de Botafogo, 190, 14º andar, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
SÃO PAULO: Avenida Paulista, 1471, 1º andar, Bela Vista - São Paulo - 01311-200 • Tel: (11) 3799 -3755
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2015. Todos os direitos reservados • Usando: Drupal! • MELHOR SE VISUALIZADO EM 1024 X 768 • Use versões recentes do IE, Firefox, Chrome, Opera
Lista de URLs do CPDOC Busca: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/page-sitemap

                                                                                                                                                                 

Educação Executiva Presencial, Customizada e a Distância

                                                                                                                                                70 Anos FGV            FGV Notícias         FGV News  

                                                                                                             

 

 

randomness